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Sole Jaimes retorna ao futebol brasileiro e se declara: 'O Santos é a minha casa'

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Sole Jaimes mostra felicidade em retorno ao Santos, ânimo por ser treinada por Emily e relembra saída: 'Foi difícil' (0:58)

Atacante disputou a Copa do Mundo Feminina pela seleção da Argentina (0:58)

“Ela foi feita para mim. O Santos é a minha casa”.

Foram essas as palavras ditas por Florencia Soledad Jaimes - ou simplesmente ‘Sole’ – ao vestir a camisa do Santos pela segunda vez na carreira.

Na última quinta-feira, foi anunciado o retorno da jogadora às Sereias da Vila, algo que já era desejo da atleta, vinda do Lyon. “Eu fui tão feliz aqui que eu sentia muita vontade [de voltar]. Se existisse possibilidade, queria voltar, porque realmente fui muito feliz”.

Em um dos países mais atrasados do mundo no que diz respeito ao desenvolvimento do futebol feminino, Sole se tornou uma das grandes esperanças para outras meninas argentinas que sonham em fazer carreira no esporte.

A Argentina anunciou a profissionalização do futebol feminino há cerca de 3 meses, após um processo liderado pela jogadora Macarena Sanchez, ex-atleta do Uai Urquiza, contra a desigualdade de pagamento entre homens e mulheres na modalidade.

Sole relembra as dificuldades que passou em seu país natal com o futebol, mas reconhece que as coisas estão melhorando. “Eu acho que está melhorando, sim. A começar por meu país que temos uma dificuldade terrível. Faz 3 meses que o futebol feminino se fez profissional na Argentina. Vim para cá faz três anos e já estava jogando como profissional, cheguei aqui como profissional”, falou em entrevista coletiva, e completou: “o Brasil está à frente do meu país. É óbvio que vai melhorando, sim. Pouco a pouco, mas vai”.

Ela só se tornou profissional jogando no Brasil, onde teve pela primeira vez na carreira um trabalho registrado. “Quando cheguei aqui eu tinha carteira assinada, não tinha nenhuma. Foi um passo imenso vir para cá” relembrou.

QUEM É SOLE JAIMES

Nascida em Nogoyá, província de Entre Rios, na Argentina, a menina de origem humilde via o profissionalismo no futebol como algo distante de sua realidade. Ainda criança, costumava praticar a modalidade apenas entre meninos no bairro onde morava, mesmo que isso lhe rendesse apelidos como 'machona'. Seu talento, no entanto, foi capaz de ultrapassar, de certa forma, as barreiras impostas a seu sonho.

Aos 15 anos, Sole conseguiu um teste no Boca Juniors, em Buenos Aires, clube onde iniciou sua carreira. O sucesso foi tão grande que a levou a ser chamada para treinar com a seleção sub-20 da Argentina pouco tempo depois e, com o brilho no campeonato argentino, teve a chance de jogar no exterior.

Em 2014, a atacante foi contratada pelo Foz Cataratas, do Paraná. Encontrou, no Brasil, condições melhores para exercer sua profissão e grande paixão, após anos recebendo um salário que, segundo ela 'não dava nem para comprar chuteiras'.

Após um ano com a nova atacante, o clube chegou à final da Copa do Brasil, o que despertou o interesse do São Paulo em relação à jogadora. A falta de estrutura para o futebol feminino no clube, porém, culminou com uma passagem rápida de Sole Jaimes; e no final do ano, a argentina se tornou uma das Sereias da Vila.

Foi na Baixada Santista que Sole encontrou aquilo com que sempre sonhara como jogadora. No principal time do Brasil na modalidade, ela foi artilheira do campeonato brasileiro com 16 gols em 18 jogos em 2016, além de eleita a melhor da posição. No ano seguinte, foi uma das protagonistas da equipe campeã nacional.

O desempenho trouxe a oportunidade de defender o Dalian Quanjian F.C., da China, com um salário astronômico perto do que estava acostumada. Sole, porém, queria mais do que o dinheiro que já tinha à disposição.

No início de 2019, aos 30 anos, a argentina recebeu da principal equipe do mundo, o Lyon, da França, uma proposta de seis meses de contrato. Em pouco tempo, se tornou campeã da Copa da França e, logo em sequência, a primeira vencedora da Champions League de seu país.

As realizações de Sole, tão distantes da realidade que viveu durante a infância, a tornaram uma grande líder da seleção e um símbolo para meninas que sonham em viver o mesmo. Como uma luz de esperança onde há pouco desenvolvimento, a ex-camisa 10 do Boca pode ser uma das grandes fontes de mudança para a modalidade no país.

E em questão de objetivos, mesmo tendo jogada em um dos maiores times do mundo e entre tantas conquistas, Sole garante querer mais. Entre seus sonhos, estão jogar uma Libertadores com a camisa do Santos, algo que já fez com o Boca Juniors e também, conquistar algum título com a seleção argentina.

“Eu tento todo dia trabalhar, melhorar. Mas nossos objetivos são sempre melhorar e crescer, seguir ganhando coisas, conquistando coisas”, finalizou.