Na semana passada, Macarena Sanchez, uma jogadora de futebol argentina, decidiu processar o ex-clube UAI Urquiza e a Federação Argentina de Futebol pela precariedade do futebol feminino no país se comparado com o masculino.
Ela dizia que, embora o masculino do UAI Urquiza esteja na terceira divisão no país e as mulheres estejam na primeira, a diferença entre eles é gritante. “Estamos passando por um momento no futebol argentino que os recursos são precários. Os clubes não dão importância ao futebol feminino que estamos pedindo. Então essa foi minha motivação, que todas as jogadoras argentinas tenham melhores condições de trabalho e em meu caso, em particular, ser reconhecida como uma jogadora profissional”, disse Maca, em entrevista para o espnW.com.br.
Ela também diz que, entre os problemas que as jogadoras enfrentam, está falta de eletricidade e falta de lugar para treinar. “Algumas equipes em campos de terra, não tem ginásio, não tem material para realizar as atividades. Alguns times cobram para jogar. Varia de acordo com o clube, mas todos passam por essa mesma situação”, relatou.
Com a falta de reconhecimento, é impossível que as jogadoras vivam apenas do futebol e por conta disso, elas precisam ter um segundo emprego. Ela disse que os salários variam entre 3 e 4 mil pesos argentinos (cerca de 285 e 385 reais) e que, muitas vezes, elas precisam pagar mensalmente para treinar – cerca de 400 pesos argentinos (40 reais).
Após as denúncias, Maca afirmou que a AFA não respondeu a intimação, bem como o UAI Urquiza. “O clube se opôs as quatro intimações que mandei. Parece que não são muito abertos ao diálogo e não querem buscar uma solução”, disse.
E ao invés de melhores condições, o que Maca recebeu foi ameaças pelas redes sociais. Segundo a jogadora, ela tem recebido diversas mensagens a ameaçando e de insultos.
Hace 20 años que juego al fútbol. Siempre viví exclusión y discriminación. Desde que inicié la denuncia de público conocimiento no paro de recibir mensajes con insultos y agravios, pero todo tiene un límite. Hoy me llegó este mensaje: pic.twitter.com/N0uXjOMpkl
— Maca Sánchez (@Macasanchezj) 9 de fevereiro de 2019
“É grave chegar ao ponto de ser ameaçada de morte por estar simplesmente pedindo melhores condições de trabalho e melhor qualidade de vida para viver do futebol” – indignou-se a argentina – “Mas não tenho pensado em parar com essa luta porque isso é importante para todas as jogadoras, não apenas para mim”. Ela já levou as mensagens à polícia, que está encarregada de investigar quem a ameaçou.
Muitas pessoas têm se mobilizado para ajudá-la na causa, mas, por outro lado, também estão querendo apagar sua luta. Neste final de semana, em sua conta do Twitter, Maca relatou que no jogo entre Racing e River, o árbitro parou a partida porquê do lado de fora, havia uma placa dizendo “Futebol Feminino Profissional” e mandou retirar. A polícia foi e levou o cartaz embora.
“Por acaso a mensagem do cartaz era agressiva, racista ou xenofóbica? Quem deu ordem aos árbitros para remover um cartaz? E por que a polícia fez isso?”, escreveu nas redes sociais.
Así dos efectivos de la policía retiraban un cartel que decía FÚTBOL FEMENINO PROFESIONAL. pic.twitter.com/W0EYFNaAMj
— Maca Sánchez (@Macasanchezj) 16 de fevereiro de 2019
Mas apesar da árdua luta, Maca não está disposta a parar. Ela reconhece que o problema é cultural e que precisamos lidar com machismo e sistema patriarcal. “Sei que se repete em todos os países do mundo, não somos os únicos com problema de desigualdade entre homens e mulheres”, reconhece a jogadora.
Ela finaliza dizendo que acha importante que as garotas, desde os cinco anos de idade, já sejam inseridas nos clubes, assim como os homens, e ressalta: “Queremos as mesmas condições dos homens e a profissionalização, assim como acontece com eles”.
