Oscar Schmidt faleceu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, deixando um legado diretamente ligado à história da Seleção Brasileira de basquete. Por quase duas décadas, foi o principal nome do time nacional, acumulando números expressivos, títulos e atuações que marcaram gerações.
O momento mais emblemático com a camisa do Brasil aconteceu em 23 de agosto de 1987. Nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, a Seleção venceu os Estados Unidos por 120 a 115 dentro do Market Square Arena e conquistou a medalha de ouro. Oscar foi o destaque da equipe em uma das vitórias mais relevantes do basquete mundial em competições internacionais.
Um dos capítulos mais marcantes da relação de Oscar com a Seleção Brasileira foi a decisão de abrir mão da NBA para seguir defendendo o país. Escolhido no Draft de 1984 pelo New Jersey Nets, ele optou por não ingressar na liga norte-americana por conta das regras da época, que impediam jogadores profissionais da NBA de atuarem em competições internacionais como os Jogos Olímpicos.
A escolha incomum foi determinante para que mantivesse presença constante com a camisa do Brasil ao longo dos anos seguintes.
Pela Seleção, o ala disputou 326 partidas entre 1977 e 1996, com média de 23,6 pontos por jogo. Também esteve presente em três Campeonatos Mundiais e é o segundo jogador que mais vezes atuou pelo Brasil na competição, com 33 jogos, atrás apenas de Ubiratan.
Oscar integrou a geração que conquistou títulos importantes no continente, com três Campeonatos Sul-Americanos (1977, 1983 e 1985), duas Copas América e o ouro pan-americano de 1987.
Nos Jogos Olímpicos, construiu uma trajetória rara. Participou de cinco edições consecutivas — Moscou 1980, Los Angeles 1984, Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996, e terminou como o maior cestinha da história do torneio, com 1.093 pontos. O número o coloca ao lado de Teófilo Cruz e Andrew Gaze como recordista de participações no basquete olímpico.
Em três dessas edições, foi o principal pontuador dos Jogos: Seul 1988, com 338 pontos (incluindo 55 em uma única partida), Barcelona 1992, com 198, e Atlanta 1996, com 219. Na Olimpíada da Coreia do Sul, estabeleceu uma sequência de marcas, incluindo melhor média de pontos, maior pontuação em uma edição e recordes em arremessos de três pontos e lances livres.
Nascido em Natal e formado em Brasília, Oscar transformou a presença na Seleção em marca registrada da carreira. Vestiu a camisa 14 ao longo de diferentes ciclos, recebendo o apelido de 'Mão Santa'.
