Análise de pontos fortes e fracos de Warriors e Celtics mostram o que pode dar certo para cada equipe na final da NBA
Depois de três rodadas de reviravoltas, emoções, surpresas e muito mais, as finais da NBA chegaram e colocará alguns jogadores que sabem o que é estar na decisão contra um grupo com zero experiência no maior palco do campeonato.
O Golden State Warriors, liderados pelo trio tricampeão formado por Stephen Curry, Draymond Green e Klay Thompson, estão fazendo sua sexta participação nas finais das últimas oito temporadas. O Boston Celtics, por sua vez, está aqui pela primeira vez desde 2010.
Apesar da força ofensiva de cada equipe, esta série será um embate defensivo de ambos os lados. Esta é a primeira final que apresenta os dois melhores times em eficiência defensiva desde 1996, quando o Chicago Bulls derrotou o Seattle SuperSonics.
Jayson Tatum poderá continuar eliminando futuros Hall of Famers nos playoffs? Será que Curry finalmente conseguirá o MVP da final da NBA? Quais são os fatores determinantes para cada equipe?
GOLDEN STATE WARRIORS
Estatísticas da série:
Basketball Power Index (BPI): 14% Classificação ofensiva: 112,1 (16º) Classificação defensiva: 106,6 (2º)
Como eles chegaram aqui:
Pela primeira vez desde 2019 e pela sexta vez nas últimas oito temporadas, os Warriors estão de volta às finais da NBA.
Mas, ao contrário de sua fase hegemônica que durou de 2014 a 2019, esta trajetória até as finais não foi um passeio. Apenas dois anos atrás, os Warriors tinham o pior retrospecto na NBA. No ano passado, eles ficaram de fora dos playoffs após serem derrotados no play-in.
Klay Thompson perdeu a primeira metade desta temporada se recuperando de lesão no tendão de Aquiles e estreou em janeiro, após 941 dias sem jogar já que na temporada anterior esteve fora por conta de lesão no ligamento cruzado anterior do joelho. Mas no dia em que ele voltou, Draymond Green sofreu uma lesão nas costas. Green retornou dois meses depois, mas apenas um jogo depois, Stephen Curry sofreu uma lesão no pé e perdeu o último mês da temporada regular.
Apesar dos problemas com o trio, o crescimento de Jordan Poole, Andrew Wiggins e Kevon Looney permitiu que os Warriors permanecessem entre os três primeiros na Conferência Oeste. Nos playoffs, eles foram fundamentais para levar os Warriors de volta ao maior palco da NBA.
Fator determinante: A saúde de Gary Payton II
Os Warriors mal jogaram com um elenco totalmente saudável durante a temporada. Andre Iguodala perdeu toda a pós-temporada até agora por conta de uma lesão no pescoço. Otto Porter Jr. perdeu três jogos. Gary Payton II está fora desde o início da segunda fase. O lado positivo para a equipe é que todos os lesionados podem voltar a treinar nesta semana e eles podem ser importantes para as esperanças dos Warriors na disputa pelo título. Especialmente Payton.
Ele despontou nesta temporada como um defensor. No início, ele estava marcando os melhores jogadores adversários, seja um ala ou um pivô, como foi o caso de Nikola Jokic do Denver Nuggets na temporada regular e nos playoffs. Além disso, a forma como Payton melhorou ofensivamente fez com que Steve Kerr desse a ele mais minutos.
O desempenho de Payton deu a ele uma vaga como titular nas semifinais da Conferência Oeste antes que ele tivesse seu cotovelo fraturado em uma jogada polêmica com Dillon Brooks do Memphis Grizzlies.
A defesa de Payton será crucial para os Warriors nas finais, se ele conseguir voltar a jogar. Enquanto o Golden State é conhecido por seu ataque, a equipe constantemente diz como sua defesa inicia seus pontos. A presença de Payton dentro garrafão também dá ao time mais opções quando se trata de fazer o simples.
Antes de sua lesão, Payton estava com uma média de 6,1 pontos em 72,7% das cestas de quadra, 3,0 rebotes e 1,3 assistências em 15,9 minutos por jogo durante os playoffs.
A maior fraqueza: Perda de posse
Chegando à final da conferência, Kerr brincou dizendo que não estava falando sobre os turnovers de sua equipe, pois este tem sido seu problema durante os últimos oito anos. Ele não precisa mais dizer aos seus jogadores que eles precisam evitar que isso aconteça.
Mais uma vez, os turnovers têm sido o calcanhar de Aquiles para os Warriors nesta pós-temporada. O Golden State está com uma média de 14,8 turnovers por jogo nos playoffs (quinto pior dos 16 times da pós-temporada) e eles resultam em 15,9 pontos por partida. Isso não parece muito ruim logo de cara, mas quando você analisa as vitórias e derrotas dos Warriors até agora, é muito mais revelador.
Nas quatro derrotas dos Warriors nos playoffs, eles atingiram uma média de 16,3 turnovers para 20,8 pontos, que é o terceiro maior número de turnovers para o quinto maior número de pontos concedidos na pós-temporada. Nas vitórias, eles diminuíram esse número para 14,2 turnovers que resultam em 14,3 pontos (top 10 em ambas as categorias).
Os Warriors sabem que com seu estilo de jogo, de ritmo acelerado com muito movimento de bola, os turnovers vão acontecer. Os que eles estão focados em diminuir são os que acontece após passes desleixados ou descuidados.
Se o time de Steve Kerr reduzir seus turnovers, eles serão muito mais difíceis de vencer. E se forem derrotados, não será porque entregaram a bola para o adversário.
BOSTON CELTICS
Estatísticas da série:
BPI: 86% Classificação ofensiva: 113,6 (9º) Classificação defensiva: 106,2 (1º)
Como eles chegaram aqui:
No talvez o jogo mais aguardado da primeira fase, os Celtics enfrentaram o Brooklyn Nets, sétimo colocado. Potencialmente, a série poderia ter sete jogos, com a dupla dinâmica de Jaylen Brown e Jayson Tatum enfrentando Kevin Durant e Kyrie Irving. Em vez disso, Boston fez um trabalho rápido contra os Nets varrendo o time de Nova York para casa.
Boston seguiu com sete partidas emocionantes nas semifinais da conferência e nas finais da conferência. Depois de ficarem atrás por 3 a 2 contra o Milwaukee Bucks, os Celtics responderam com vitórias consecutivas para chegarem às finais da conferência com força máxima.
Contra o Miami Heat, os Celtics ficaram atrás em 2 a 1, mas voltaram a assumir a ponta em 3 a 2 no Jogo 6. Miami derrotou os Celtics depois de uma atuação épica de Jimmy Butler para chegar a um Jogo 7 em South Beach.
Lá, os Celtics deram o golpe final, avançando para sua 22ª final da NBA na história da franquia em busca de seu 18º título de campeão da NBA.
Fator determinante: Finalmente, um pouco de descanso
O momento mais importante dos Celtics antes das finais da NBA pode ser o espaço de três dias de descanso entre o Jogo 7 contra o Heat e o Jogo 1 das Finais.
Boston superou duas séries exaustivas contra os Bucks e o Heat, jogando dia sim, dia não, desde 7 de maio, depois de ter três dias de folga após o Jogo 2 contra Milwaukee.
Marcus Smart tratou uma lesão no quadríceps e uma torção no tornozelo nas finais. Robert Williams III ficou de fora em abril após uma cirurgia no menisco direito e sentiu dores no joelho graças a uma lesão sofrida após um encontrão com Giannis Antetokounmpo no Jogo 3 contra os Bucks.
Tatum atingiu uma média de mais de 41 minutos por jogo nas duas últimas séries. Brown e Al Horford têm ambos mais de 38 por jogo. Todos os três tiveram pelo menos 44 minutos no Jogo 7 contra o Heat. Simplificando, os Celtics farão bom proveito de alguns dias de folga.
O Golden State, entretanto, não teve um Jogo 7 nesta pós-temporada e despachou os Dallas Mavericks em cinco jogos. Os Warriors terão uma semana de folga entre as partidas, assim que as finais começarem na quinta-feira à noite.
A maior fraqueza: As luzes são muito brilhantes?
A inexperiência coletiva na pós-temporada do Boston ficou evidente em vários jogos durante as duas últimas fases.
Depois de fazer 4 a 0 em jogos que tiveram momentos decisivos (definido pela NBA como um intervalo nos cinco minutos finais ou prorrogação em que a vantagem é menor que cinco pontos) contra o Brooklyn Nets, Boston ficou com 2 a 4 em tais jogos contra os Bucks e Heat. Um desses jogos foi o Jogo 7 de domingo, no qual uma tentativa de cesta de 3 pontos perdida por Jimmy Butler poderia ter provocado uma derrota histórica.
Os Celtics foram bem sucedidos nesta pós-temporada quando conseguiram construir grandes vantagens e segurar os adversários com a melhor defesa da liga.
Esta equipe do Celtics chega nas finais com zero jogos de experiência, enquanto o Golden State tem 123. De acordo com a pesquisa da ESPN Stats & Information, esta é apenas a terceira final na história da NBA em que um time teve mais de 100 jogos de experiência enquanto o outro time teve zero, e a primeira vez desde 1997 (Bulls 134, Utah Jazz 0).
Se os Celtics querem o título, eles terão que fazer com que sua falta de experiência nas finais não se torne uma desvantagem na hora 'H'.
Principal fator da série: Como o Golden State lidará com uma defesa que troca a marcação frequentemente
O Golden State conseguiu chegar às finais da NBA sem enfrentar uma equipe que gosta de mudar a marcação. Nenhum dos três adversários dos Warriors do Oeste (Denver, Memphis ou Dallas) esteve na metade superior da liga em frequência de troca defensiva durante a temporada regular, de acordo com monitoramento da Second Spectrum. E enquanto os Mavericks, principalmente, começaram a trocar mais ao longo de sua série contra os Warriors, o Golden State continua em nono lugar entre os 16 times que disputaram os playoffs na frequência com que os adversários trocaram contra eles (31,5% do tempo) durante os playoffs, de acordo com a Second Spectrum.
Isso está prestes a mudar em grande estilo. Nenhuma outra equipe trocou com mais frequência do que os Celtics durante a temporada regular, e eles ficaram em segundo lugar em frequência (44%) até agora durante os playoffs.
Em teoria, trocar pode dificultar os Warriors a atacar da forma que eles preferem jogar. Pense em como o Houston Rockets derrotou o Golden State por vezes na final da conferência de 2018, segurando eles abaixo de 95 pontos nas vitórias consecutivas nos jogos 4 e 5. Os Warriors tiveram um total de 32 assistências nesses jogos, um ligeiro aumento em relação à média por jogo da rodada anterior contra o New Orleans Pelicans (30,8).
Ao contrário de 2018, o Golden State não tem mais um jogador como Kevin Durant para atacar os desequilíbrios contra uma defesa que troca bastante. Entretanto, os Warriors também enfrentaram trocas com frequência suficiente na pós-temporada para ter desenvolvido um repertório de opções contra esse tipo de tática, começando com a habilidade de Curry de se mover sem a bola e a habilidade de Green de resolver os erros defensivos.
Essas características estiveram em quadra durante a vitória do Golden State sobre o Dallas, que trocou 63% das jogadas dos Warriors no Jogo 5 de acordo com a Second Spectrum - o maior número dos Warriors nos playoffs. Isso não os impediu de dar 36 assistências, o segundo maior número em um jogo durante esses playoffs. Curry e Green tinham nove cada um.
Ao mesmo tempo, o Golden State conseguiu isso contra um time que dificilmente trocava durante a temporada regular e os playoffs. Agora, os Warriors enfrentarão uma defesa que faz isso muito bem feito, que faz isso a partir de uma posição de força e não de fraqueza. O quão bem eles lidam com as trocas vai determinar o resultado das finais.
