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Seleção feminina: aos 43 anos, Formiga não pensa em aposentadoria e tem sonho de trabalhar no futebol masculino


Lendária jogadora da seleção brasileira e do futebol feminino falou em entrevista exclusiva à ESPN Brasil


São 28 anos de carreira como jogadora profissional, duas medalhas de prata em Olimpíadas e diversos outros títulos no currículo, como Conmebol Libertadores e Copa América. Mas nem isso é suficiente para Formiga, que busca mais e não quer abandonar o esporte.

Aos 43 anos de idade, a jogadora diz que não pensa em pendurar as chuteiras tão cedo e pretende continuar no Brasil - seu contrato com o São Paulo vai até o final de 2022.

"Quero parar de jogar daqui dois anos, estou me programando pra isso, mas a cabeça pede mais quatro, então deixo que essas coisas aconteçam naturalmente", disse com exclusividade à ESPN Brasil.

Mesmo com a aposentadoria ainda distante, Formiga já planeja o futuro e garante que o futebol estará dentro dele. A veterana não descarta atuar como treinadora, mas também quer fazer gestão esportiva e levar seu conhecimento para além das quatro linhas, principalmente na modalidade masculina.

"O pensamento é ficar aqui e quem sabe em alguns anos estar no masculino, sentir o mundo deles. Quando vamos ao estádio, nos arrepiamos de ver a quantidade de pessoas que estão lá, então tenho vontade e curiosidade de vivenciar isso", explica.

Para ela, é importante que a categoria tenha mais mulheres, inclusive com conhecimento de vestiário e bastidores para atuarem como técnicas e em cargos de direção.

Despedida da seleção

Foram sete participações em Olimpíadas e Copa do Mundo que deram à jogadora o posto de lenda do futebol feminino e da seleção brasileira. Ela ainda foi a única atleta, entre homens e mulheres, a participar de todas essas edições dos torneios e também a mais velha a marcar em um Mundial -- em Junho de 2015, no Canadá, com 37 anos, três meses e seis dias.

Toda essa história, no entanto, teve um defecho silêncioso. Formiga anunciou a sua aposentadoria da seleção após a derrota nos pênaltis para o Canadá nos Jogos de Tóquio. Devido à pandemia da Covid-19, a despedida não contou com abraços e nem com os calorosos gritos da torcida.

"Foi muito difícil, é a mesma coisa que estar no lago querendo pescar um peixe e não encontrar. É estranho, foi um vazio muito grande. Eu não queria uma despedida tão silenciosa assim, para mim foi muito triste, senti uma falta tremenda", lamenta a atleta.

O adeus pode não ter sido como ela merecia, mas o legado que deixou e continua deixando no esporte vai se perpetuar por gerações -- dentro e, futuramente, fora dos gramados.