A jogadora Tabitha Chawinga pediu às autoridades do futebol do Malaui que introduzam medidas para proteger as mulheres de abusos em todos os níveis do jogo.
A jovem disse que, aos 13 anos, quando jogava por um time de uma escola feminina, foi forçada a despir-se para provar que era uma menina. A equipe adversária não acreditava que ela fosse mulher por causa de sua aparência física e pelo fato de ser muito acima da média.
“Eu não quero que outras pessoas enfrentem o mesmo. Isso me faz pensar, se eles estão insultando alguém que acabaram de conhecer no campo de futebol, o que fariam se eu tivesse nascido na família deles. Eles poderiam ter me matado?", afirmou.
“Nunca fiquei tão arrasada e chorei com o constrangimento a que fui exposta. Queria sair imediatamente, mas de alguma forma minhas companheiras me consolaram e decidi terminar o jogo”, disse ao jornal The Guardian.
O incidente a fez abandonar o esporte por um ano.
“Era jovem e não conhecia meus direitos. Mas se falamos de direitos, eles devem ser implementados. Estou encorajando as mulheres que têm paixão pelo futebol que tudo é possível. E nascer diferente não é o fim do mundo”, disse Chawinga.
“Gostaria de pedir ao governo e às autoridades esportivas que garantam que os direitos de cada jogador sejam protegidos. Assim nasci e sei que sou uma criação de Deus. Não posso mudar minha aparência”, disse.
A jovem foi a a primeira mulher do país a assinar por um time de futebol europeu, em 2014. Ela joga atualmente pelo Wuhan Jianghan University FC na Superliga Feminina Chinesa e foi eleita a melhor jogadora por dois anos consecutivos.
