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Do triplete à 'obra-prima': O que mudou no Barcelona de Guardiola até virar 'melhor time do mundo'

O Barcelona do triplete, que alcançou a eternidade em 2009 com a conquista de todos os títulos na primeira temporada de Pep Guardiola no banco, repetiu o sucesso continental dois anos depois. Ele estava a um passo de repetir a dose (ele iniciou o curso vencendo a Supercopa da Espanha) depois de perder a final da Copa do Rei para o Real Madrid, mas em 28 de maio de 2011, no remodelado Wembley, o clube ganhou a quarta Champions League de sua história, derrotando o Manchester United em um jogo que o técnico escocês Alex Ferguson reconheceu que "o melhor time da história nos venceu".

A final de 2011, que completa nove anos nesta quinta-feira (28), representou na opinião de muitos a obra-prima do Barça de Guardiola, que duas semanas antes havia conquistado seu terceiro título consecutivo em LaLiga, superando o primeiro projeto de Mourinho no Real Madrid, em uma rivalidade que atingiu o auge da controvérsia entre os dois clubes e seus treinadores.

Quatro vezes, entre 16 de abril e 3 de maio, os dois gigantes do futebol espanhol se enfrentaram para medir forças. A primeira, na 32ª rodada de LaLiga, empataram no Bernabéu em um empurrão, quase definitivo, para os catalães; quatro dias depois, em Mestalla, uma cabeçada de Cristiano Ronaldo deu aos merengues o título da Copa do Rei. Em 27 de abril, em um ambiente agitado que não era lembrado desde o dia anterior por conta de uma explosiva coletiva de imprensa de Guardiola, o Barça venceu por 2 a 0 na primeira partida das semifinais da Liga dos Campeões, um empate por 1 a 1 na volta disputada em 3 de maio, oito dias antes da equipe do Barça matematicamente alcançar o título espanhol ... Preparando-se agora para o ataque final à Champions.

MESMO, DIFERENTE E MELHOR

Entre o Barça campeão da Europa de 2009 e o campeão de 2011, houve diferenças mínimas e aprimoradas em termos de jogo. Busquets, Xavi e Iniesta formavam oo meio-campo; como Messi na frente, Piqué atrás e o enorme (nunca suficientemente valorizado) Víctor Valdés no gol. Mas o onze inicial entre uma e outra final teve cinco mudanças significativas.

Os titulares de 2009 foram formados por Valdés, Puyol, Touré, Piqué, Silvinho, Busquets, Xavi, Iniesta, Messi, Eto'o e Henry. Keita e Pedro jogaram na parte final da partida, no lugar de Henry e Iniesta.

Já em 2011 foi Valdés, Daniel Alves, Mascherano, Piqué, Abidal, Busquets, Xavi, Iniesta, Messi, David Villa e Pedro. Keita, Puyol e Afellay entraram nos minutos finais substituindo Villa, Alves e Pedro.

Com Daniel Alves e Abidal suspensos e Márquez lesionado em 2009, seus lugares na final em Roma foi ocupado por Yaya Touré (jogando central e deslocando Puyol para o lado) e Silvinho na defesa. Na frente, Samuel Eto'o e Henry acompanharam Messi em 2009, cedendo seus lugares dois anos depois para David Villa e Pedro (que jogou como substituto no primeiro). Puyol, titular em Roma, foi, em condições físicas precárias, substituto de Mascherano em Wembley, onde Dani Alves também (inegociável) e Abidal (recuperado do câncer que sofreu um ano antes) também foram ao troféu.

Touré e Silvinho não estavam mais no clube (ambos foram para o Manchester United), e Eto'o também não, trocado por Ibrahimovic e que em 2010 repetiu um hat-trick com a equipe italiana. Henry também deixou o clube após a final de Roma, assinando com o New York Red Bulls. Quem não era azul-grená em 2009 e sim em 2011, protagonistas da final, foram Mascherano, chegou de Liverpool, e Villa, assinou contrato com Valencia.

"O Barça nos deu uma autêntica lição de futebol", revelou anos depois, em entrevista ao Daily Mail o zagueiro Rio Ferdinand. "Perdemos para a melhor equipe do mundo, não temos nada para nos reprovar e temos esse orgulho", reconheceu Paul Scholes no mesmo gramado de Wembley, minutos antes de Alex Ferguson liberar uma definição absoluta na sala de imprensa: "Esse Barcelona é o melhor time que eu já vi. Ninguém antes nos bateu assim."

A "lição" não foi tanto pelo placar, 3 a 1 com gols de Pedro, Messi e Villa e de Rooney para os ingleses, nos quais houve empate no primeiro tempo. No futebol, havia, como Ferguson observou, cor. O Barça finalizou 19 vezes contra apenas quatro do United, que dificilmente alcançou 37% de posse de bola diante da avalanche culé, que cometeu apenas 5 faltas ... contra 16 dos diabos vermelhos. Números óbvios para explicar o que aconteceu naquela noite.

Nove anos depois, Piqué, Busquets e Messi permanecem, ainda intocáveis, na equipe do Barça, sendo os três protagonistas da última conquista, em 2015, e sonhando com, quem sabe, alcançar a glória em Istambul.