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O. J. Simpson é culpado ou inocente? Série ESPN vencedora do Oscar mergulha em personalidade, trajetória e julgamento do astro da NFL

Você acha que O. J. Simpson cometeu o crime? Essa provavelmente é a pergunta que perseguirá um dos grandes nomes da história da NFL - e, por que não, o círculo de celebridades norte-americanas - até o fim de sua vida.

Hoje com 72 anos, o ex-running back da NFL vive uma vida quase longe do público. Quase porque você pode encontrá-lo no Twitter. Na rede social, ele compartilha ativamente vídeos gravados em campos de golfe e comenta assuntos do momento, como o coronavírus ou a saída de Tom Brady do New England Patriots.

Para quem não o conhece, a impressão é de um ex-jogador aposentado que aproveita a velhice.

Mas Orenthal James Simpson guarda algo maior. Muito maior.

A história de um jogador fenomenal no Buffalo Bills na década de 1970. Celebridade de fato e membro da elite californiana dos anos 1980, uma exceção entre a população negra de Los Angeles. E acusado de assassinar a esposa e virar réu do que se chamou de 'julgamento do século', em um processo que movimentou a mídia e todo os Estados Unidos entre 1994 e 1995. Acabou inocentado. Mas foi preso mais de 10 anos depois, desta vez condenado por outro crime.

A intricada teia que envolve O. J. e todos ao seu redor invadiu a cultura popular. Filmes, livros, séries e minisséries, de ficção ou não, retrataram seu auge e sua queda.

O documentário "O.J.: Made in America", disponível no WatchESPN e vencedor do Oscar de melhor documentário em 2017, é uma destas produções.

Em cinco episódios, a trajetória do antigo camisa 32 é recuperada com imagens de arquivo, entrevistas com amigos, advogados e outras pessoas envolvidas em sua vida.

Um mergulho que mostra muito além do sorriso estampado para as câmeras - por trás dele, há uma personalidade muito mais complexa do que você talvez imagine.

Você pode ver todas estas produções e muitas outras quando e onde quiser no WatchESPN.

O. J. SIMPSON E A NFL

Draftado pelo Buffalo Bills em 1969, O. J. chegou como um fenômeno na liga. Em sua primeira temporada, foi selecionado para o Pro-Bowl. Mas seu auge de fato veio entre 1972 e 1976.

Na temporada de 1973, por exemplo, ele fez 332 corridas para 2.003 jardas em 14 jogos - um recorde à época. A média de 143,1 jardas por jogo segue como um dos maiores feitos da história da NFL. Apesar do seu desempenho, ele não disputou nenhum Super Bowl com os Bills ou com o San Francisco 49ers, franquia pela qual encerrou a carreira.

Em 1985, foi eleito para o Hall da Fama do futebol americano.


O. J. SIMPSON E O CINEMA

Conforme relatado por amigos e colegas em "O. J.: Made in America", Simpson sempre gostou dos holofotes. Atraído pela vida em Los Angeles e carismático, fez participações em filmes durante a carreira de atleta e virou garoto-propaganda de uma locadora de carros no fim dos anos 1970.

Aposentado do futebol americano, investiu na carreira de ator. Entre as aparições notórias, está a série de filmes "Naked Gun", conhecida no Brasil como "Corra Que a Polícia Vem Aí".


O. J. SIMPSON E O JULGAMENTO DO SÉCULO

Entre 1994 e 1995, Simpson foi julgado pelo assassinato de Nicole Brown, sua esposa, e de Ron Goldman. Ele se casou com Nicole em 1985 e teve dois filhos com ela. O relacionamento ficou marcado por episódios de violência doméstica de O. J., separações e reconciliações.

No julgamento - acompanhado minuto a minuto por uma intensa cobertura da imprensa -, O. J. foi inocentado. E a decisão foi considerada surpreendente.

Nos arredores da história, uma série de detalhes. A fuga lenta por Los Angeles em um carro branco, em meio a um dia atípico nos Estados Unidos, com começo de Copa do Mundo, Finais da NBA, entre outros eventos (essas 24 horas são retratadas no documentário "17 de Junho de 1994", também disponível no WatchESPN).

O chamado "Dream Team" de advogados contratado por O. J.. A atuação considerada, em parte, desastrosa da promotoria na acusação. E a suposta influência do componente racial no júri, em uma cidade que tinha a polícia com um longo histórico de abusos contra a população negra.


O. J. APÓS O JULGAMENTO

Simpson foi considerado culpado em um julgamento civil dois anos depois e condenado a pagar 33,5 milhões de dólares aos familiares de Nicole e de Ron Goldman. Em 2008, foi condenado por, entre outras acusações, assalto a mão armada, sequestro e roubo a um colecionador de Las Vegas no ano anterior.

Novamente, o julgamento foi considerado controverso: muitos viram uma reparação da justiça por ele ter sido inocentado nos anos 1990.

Condenado a 33 anos de prisão, conseguiu a liberdade condicional após nove anos de bom comportamento.