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Copa América: Gareca pede transparência ao VAR, mas discorda de Messi sobre 'corrupção'

As pesadas críticas feitas por Lionel Messi à Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) e à arbitragem da Copa América repercutiram na coletiva do técnico Ricardo Gareca, do Peru, na coletiva após a derrota para o Brasil, na final da competiçao sul-americana.

Questionado sobre o tema, Gareca fez um longo discurso, em que discordou de Messi e defendeu o futebol sul-americano como um todo, dizendo que se preocupa com a perda de relevância, principalmente entre os mais jovens.

“Messi é uma voz de autoridade. Não quer dizer, porém, que eu compartilhe de sua opinião. Respeito muitíssimo a Messi, não só como jogador, mas também como pessoa, pela dimensão que tem como jogador. Parece um rapaz muito centrado. Aparte de todas as qualidades dele, você pode compartilhar da sua opinião, ou não", iniciou.

"É claro que temos todos que melhorar, mas não gostaria que as coisas ficassem tão focadas na palavra ‘corrupção’, porque fica parecendo que somos todos corruptos, os sul-americanos. Cada vez há mais informação da Europa, cada vez mais nossos filhos, nossos netos, os garotos e garotas conhecem mais os jogadores europeus que os sul-americanos", prosseguiu.

"Claro que há coisas boas na Europa, que seria bom a gente trazer para a América do Sul. Mas também temos coisas boas que são nossas, e eu gostaria de defender o futebol sul-americano. Não há dúvida que temos que melhorar. Mas, quando você fala em corrupção, tem que ao menos ter provas contundentes", acrescentou.

"O Brasil é um time muito sólido, ganhou tudo o que tinha que ganhar e foi assim. Respeito Messi, não vou entrar em polêmica, mas é a minha visão. Sou muito sul-americano. Precisamos melhorar cada vez mais, crescer, mas parar de achar que tudo o que está fora daqui como o melhor. Temos que melhorar nós mesmos, com nossas ferramentas”, complementou.

O argentino, porém, pediu mais transparência ao VAR, argumentando que as decisões do vídeo nao devem ser tomadas "em um quarto privado onde os outros não pode ver nada".

“Se ele está aí, a intenção do VAR, de acordo com o que eu interpreto, é melhorar as coisas. É ter a transparência de tudo. Mas eles vão ter que encontrar um modelo melhor, em que as decisões não sejam tomadas em um quarto privado onde os outros não pode ver nada. Que a gente possa compartilhar a mesma visão que as pessoas do VAR têm. Aí ficará melhor", afirmou.

"Claro que foi feito com a intenção de melhorar, não de piorar. Parece que é assim. Quero crer nisso. Não quero me colocar de forma negativa contra o VAR, não quero acreditar que haja má intenção. Quero imaginar que as coisas são feitas para melhorar. E erros cometemos todos”, finalizou.