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Em carta à Conmebol, Argentina protesta contra juiz, 'omissão' do VAR e Bolsonaro no gramado

A derrota por 2 a 0 da Argentina para o Brasil, pela semifinal da Copa América, segue sem ser bem digerida pelos dirigentes da Albiceleste.

Nesta quarta-feira, o presidente da AFA (Associação de Futebol Argentino), Claudio "Chiqui" Tapia, escreveu longa carta ao mandatário da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), Alejandro Domínguez, reclamando muito de quase tudo o que aconteceu no jogo da última terça, no Mineirão.

No texto, Tapia detonou o árbitro Roddy Zambrano, chamou de "omisso" o encarregado do VAR, Leodán González, atacou o supervisor de arbitragem da Conmebol, o brasileiro Wilson Luiz Seneme, e criticou até a "volta olímpica" dada pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, no intervalo do jogo.

Veja os principais trechos:

"Lamentavelmente, o que aconteceu na partida de ontem entre as seleções de Argentina e Brasil merece uma profunda reflexão que coloca em dúvida que tenham sido observados os princípios de ética, lealdade e transparência que você recorrentemente invoca"

"[...] Ficou evidentemente que a Argentina foi claramente prejudicada pela arbitragem encabeçada por Roddy Zambrano durante todo o desenrolar do jogo, em partciular pela não-utilização do VAR em duas jogadas concretas que, sem dúvidas, teriam revertido o resultado final"

"[...] Os antecedentes negativos de Zambrando ampliam o manto de dúvida que gerou sua atuação de ontem"

"É inegável que Roddy Zambrano [...] não tem as qualidades técnicas para dirigir uma partida de semelhante importância. De fato, ele só havia apitado um jogo em toda a Copa América: a vitória do Peru sobre a Bolívia"

"O Sr. Wilson Seneme, assim como Roddy Zambrano, tampouco goza de antecedentes positivosno exercício de seu cargo, o que é sugerido por inúmeros antecedentes, seja na Copa América ou nas outras competições organizadas pela Conmebol, o que evidencia uma manifesta incapacidade para exercer seu cargo, o também atuar com dolo no direcionamento dos resultados das partidas"

"Na partida entre Brasil e Argentina, o árbitro, de maneira injustificada, se omitiu de usar o VAR em pelo menos duas jogadas concretas, que claramente influiriam no resultado final da partida"

"O que nunca pensei é que nossa seleção poderia ser prejudicada pela omissão de um corpo de árbitros que se negou a ver, através de seis monitores, o evidente, quando a prática comum durante todo o torneio foi justamente a contrária: avaliar ante a mínima dúvida a existência de infrações durante as partidas".

"A imprudência da designação dos árbitros gerou um evitável ambiente prévio ao encontro, agravado pela presença do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, no Mineirão, que não passou despercebida por jogadores, dirigentes e público em geral, já que foram evidentes suas manifestações políticas durante o desenvolver do jogo, não podendo deixar de mencionar que, no intervalo, ele deu uma verdadeira volta olímpica pelo estádio"

"Observamos também o não-cumprimento por aprte da CBF das normas de organização, que resultaram em, ao menos no caso da seleção argentina, em atrasos injustificados no transporte das equipes até os estádios, o que nunca aconteceu com a seleção local, que sempre chegou pontualmente".

"[...] Da mesma forma, houve estádios com pouquíssimo público, gramados em péssimo estado, queixas de jogadores a respeito da organização, segurança e hotelaria, que colocam em dúvida não só o prestígio da Conmebol como também da Copa América".

"80% dos jogadores que integraram a seleção argentina para esta Copa América disputaram o torneio pela primeira vez, e agora voltam aos seus clubes desiludidos e descrentes que o futebol sul-americano está mudando. Não senti que essa Copa América honrou a reciprocidade de acompanhar as mudanças que nosso esporte merece"