Em uma casa simples em Salvador, na Bahia, a música exalta a Venezuela, as belezas naturais e o sentimento pelo país.
Jonh, Francisco e Jose Angel são venezuelanos e não estão na capital baiana por opção, mas por necessidade.
Jonh disse à reportagem da ESPN que era mecânico na Venezuela, tinha um ônibus, mas, pela situação no pais, teve que tomar uma decisão muito dura: deixar a mulher e o filho.
Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), quatro milhões de venezuelanos já saíram do pais em meio a uma crise econômica e humanitária.
Jonh explicou que na terra natal dele não tinha mais trabalho e a luta no dia a dia era tentar arranjar um dinheiro para comer.
Jose Angel contou que na Venezuela estudava engenharia e informática, mas a situação foi piorando e que de repente não tinha mais transporte para ele ir para a faculdade.
Ele também afirmou que não via perspectiva de emprego e tinha medo de sair na rua e roubarem todos os pertences dele. Desesperado para sair, ele então vendeu o notebook e veio para o Brasil.
Para eles, a capital baiana foi literalmente o destino: Salvador!
Após entrarem no Brasil por Roraima (Região Norte do país), eles conseguiram emprego e abrigo em Salvador com a ajuda da ONG AVSI Brasil (Associação Voluntários para o Serviço Internacional - Brasil) e logo se maravilharam com os encantos da Bahia.
À ESPN, Jonh ressaltou como foram recebidos carinhosamente pelos baianos e contou que as pessoas sempre dizem "bem-vindos" e dão abraços. Ele ficou apaixonado pela culinária da cidade: "Acarajé! muito bom, acarajé". E Juan Angel se apaixonou pelas baianas: "Estou pensando seriamente em me casar com uma. Tenho varias em vista!", brincou.
Depois de juntar dinheiro, Jhon conseguiu trazer recentemente a mulher e o irmão Francisco para a capital da Bahia. Com isso, a casa venezuelana em Salvador vai ficando mais alegre.
Coração dividido
Nesta terça-feira, às 21h30 (de Brasília), tem Brasil x Venezuela na Arena Fonte Nova, em Salvador, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa América.
Jonh, Francisco e Jose Angel garantem que vão torcer para as duas seleções: "É um sentimento compartilhado".
A vitória da solidariedade, essa sim, já pode ser comemorada.
"Obrigado, Bahia!"
