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Multicampeão pelo Flamengo relembra fase conturbada do clube e títulos mesmo com 'grupo rachado'

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Ex-lateral e meia, Maurinho relembrou a passagem vitoriosa - e conturbada - pelo Flamengo


Durante a passagem de quase seis anos pelo Flamengo, Maurinho viveu de tudo: venceu vários títulos e jogou ao lado de astros como Romário e Adriano, mas também sentiu na pele o momento mais conturbado da história rubro-negra.

Revelado no Bragantino, o ex-lateral e volante se profissionalizou em 1993. Depois de se destacar na equipe do interior paulista, ele quase foi para Palmeiras e Santos, mas se transferiu para a Gávea por indicação do técnico Vanderlei Luxemburgo. Em 1997, Maurinho foi vice-campeão da Copa do Brasil, perdendo a final para o Grêmio após dois empates: 0 a 0 e 2 a 2.

"A gente jogou melhor os dois jogos e chegamos a ter um jogador a mais e chances. Na volta a gente tomou gol rapidamente na sorte. Viramos o jogo e tivemos chances de fazer terceiro, mas levamos um gol no fim do Carlos Miguel", disse ao ESPN.com.br.

Depois de um começo bastante complicado, Maurinho venceu o tricampeonato carioca (1999, 2000 e 2001), faturou a Copa Mercosul (1999) e a Copa dos Campeões (2001).

"Todos os títulos tem um peso. O Carioca de 99, contra o Vasco, foi bom demais porque tínhamos vários vices desde que cheguei. Eles eram favoritos porque eram o melhor time do Brasil. A gente vinha de muitas dificuldades e conseguimos vencer. Em 2000, nós atropelamos eles e no tri teve tudo aquilo no gol de falta do Petkovic. Foram emoções diferentes", recordou.

"A Mercosul foi maravilhosa porque virei lateral na semifinal quando o Pimentel se machucou. Nós vencemos na final o Palmeiras, que era uma seleção e o melhor time do Brasil. Nosso time era cheio de garotos, mas conseguimos ser campeões porque nós jogamos sem medo", disse.

No entanto, o jogador viu os bastidores do Flamengo acabarem com a fase vitoriosa.

"Depois que vencemos a Copa dos Campeões de 2001 contra o São Paulo estava tudo errado. Eram três meses de salários atrasados, sete meses de direitos atrasados. Tinha a briga do Pet com o Edilson e o ambiente estava horroroso. Nós vencemos dois títulos com o grupo rachado", contou.

"Queria jogar a Libertadores no ano seguinte e sabia que o clima não estava bom para o Brasileirão. Eu percebi que queriam me tirar do clube e fui (emprestado) para a Portuguesa. Eles mudaram o elenco todo e voltei em 2002 ao Flamengo", contou.

O problema é que o ano seguinte não começou de forma muito melhor.

"Não fizemos uma boa pré-temporada porque tínhamos que jogar uma final atrasada da Mercosul e perdemos nos pênaltis. Depois disso, o time desandou. Tinha uma briga que gerou impeachment do presidente. Eu fui mandado embora junto com uma galera. Era o pior momento da história do Flamengo em termos financeiros e políticos. Eu estava muito cansado daquela pressão depois de um ano horrível", afirmou.

Maurinho virou treinador

Após sair do clube rubro-negro, Maurinho recebeu uma sondagem do Coritiba, mas preferiu acertar com o Marília para jogar o Campeonato Paulista de 2003.

"Ninguém entendeu, mas o Marília estava muito bem e eu jogaria como meio de campo, não queria mais ser lateral. O problema é que o treinador foi para o Santo André e levou todo mundo para lá. Eu tinha dado a minha palavra ao presidente e fui para o Marília. Tive que jogar de lateral, não fomos bem no Paulistão e depois fui para o Coritiba ganhando metade do que iria receber antes", lamentou.

Depois disso, ele jogou pelo Paysandu antes de ir para o Santa Clara, de Portugal. O jogador ainda passou pelo Beira-Mar e Náutico até pendurar as chuteiras pelo Duque de Caxias, em 2010.

Na reta final de carreira Maurinho fez cursos de treinador e entrou na faculdade de educação física.

"No meio do curso dei uma 'estressada' porque acho que tive uma depressão. Me bateu arrependimento por ter parado de jogar porque não tinha lesões. Eu parei para ser treinador, mas me encheu o saco. Fiquei mais de dois anos fora do futebol e não fiz nada", contou.

Ele voltou ao esporte para trabalhar em uma escolinha com crianças e adolescentes. Em seguida, foi chamado pelo amigo Petkovic para ser auxiliar no Criciúma e trancou o curso.

Depois disso, Maurinho foi auxiliar de Alberto Félix no Bragantino, pelo qual conquistou o acesso para a Série A1 do Paulistão, e no Vitória.

"Fui treinador do Mageense-RJ, que era amador e virou profissional, em 2018. Trabalhei no Barra Mansa, Serrano Pérolas Negras na Série D de 2022. Estou sem clube no momento", finalizou.