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Bicampeonato mundial de surfe confirma Gabriel Medina como o 'Guga do século XXI'

O dia 17 de dezembro será eterno para os fãs de Surfe. Foi nessa data em que Gabriel Medina confirmou seu segundo título mundial na carreira e, de quebra, foi campeão também em Pipeline, etapa havaiana do surfe que é considerada a mais importante em todo o Circuito e onde ele conseguiu uma conquista pela primeira vez na carreira.

E mais do que mais uma vez marcar seu nome na história do surfe, Medina se coloca em um hall seleto de atletas brasileiros que se imortalizam dentro de algumas modalidades menos populares e, principalmente, menos praticadas. Um bom exemplo disso é Gustavo Kuerten, tricampeão de Roland Garros nos anos 90 e que transformou um esporte que antes era considerado de elite em algo mais acessível e atrativo para as novas gerações.

No tênis, depois de Maria Esther Bueno, que brilhou entre os anos 50 e 60, conquistando o torneio de Wimbledon em três oportunidades e o US Open em quatro, muitos brasileiros se arriscaram no Circuito, mas o país só foi voltar ao auge na geração de Fernando Meligeni e Guga, que chegou até mesmo a ser o melhor tenista do mundo.

O ex-atleta, aliás, foi um dos primeiros a utilizar suas redes sociais para parabenizar o compatriota: "Bicampeão! Sensacional, Gabriel Medina! Um grande título para o Brasil comemorar! Voa, garoto".

A trajetória do catarinense é parecida com a de Medina. Antes dele, muitos nomes representaram bem o Brasil no surfe mundial, mas ninguém a ponto de conseguir o feito dele. Com 15 anos, foi o atleta mais novo a vencer uma etapa do Mundial. A partir daí, colecionou feitos mostrando estilo arrojado. Em 2014, foi campeão mundial com apenas 20 anos.

Depois disso, o esporte só cresceu em todos os sentidos no país. Apenas em cenário competitivo, veio o título mundial de Adriano de Souza, que há anos tentava uma conquista importante e só foi conseguir após o compatriota "abrir o caminho" e o domínio de atletas brasileiros na elite do surfe mundial, que, com 13 atletas, representaram quase a metade dos atletas do Circuito Mundial de Surfe em 2018.

E mais do que o surgimento de várias promessas e a coroação de Medina com o título mundial, podemos dizer que o Brasil dominou o Circuito do início ao fim. Das 11 etapas disputadas, nove foram ganhas por brasileiros. Três de Medina, três de Ítalo Ferreira, duas de Filipe Toledo e uma de Willian Cardoso. O único atleta estrangeiro a vencer algum evento em 2018 foi Julian Wilson, vice-campeão mundial.

O australiano, aliás, ganhou uma citação especial do brasileiro em seu discurso de celebração de título. "É um grande competidor. Um dos mais difíceis de competir contra. Obrigado por empurrar os limites do esporte mais para cima. Filipe também é um grande surfista, que teve um grande ano, cresceu muito como atleta. Pode parecer estranho, mas eu gosto muito de assisti-los competindo", declarou ele, que confiava tanto em sua conquista, que em seu museu, na cidade de Maresias, no litoral norte de São Paulo, já havia um espaço em sua galeria de troféus com um bilhete escrito "reservado para o troféu do segundo título mundial".

O mais incrível de tudo isso é que o paulista tem apenas 24 anos e, se levarmos em consideração que Kelly Slater, maior surfista de todos os tempos, ainda compete profissionalmente com 46 anos, é bem provável que Medina se confirme cada vez mais como um dos maiores da história do esporte.

E mais importante: faça com que novas gerações de surfistas se formem no Brasil e mantenham o alto nível do país em um esporte que cresce cada vez mais e que em menos de dois anos estreará como esporte olímpico.