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Guia do US Open 2023: Bia Haddad contra pedreiras, Djokovic e Alcaraz batalhando pelo topo e mais

O US Open 2023 começa nesta segunda (28), em Nova York, nos Estados Unidos, e promete reunir os melhores tenistas do mundo nas quadras duras e rápidas da cidade que nunca dorme.

Todas as partidas do último Grand Slam da temporada terão transmissão pela ESPN no Star+, que também terá uma janela exclusiva com narração em português, todos os dias, a partir das 12h (horário de Brasília) até pelo menos 0h, na primeira semana do torneio.

Na ESPN 2, Fernando Nardini, Fernando Meligeni e toda a equipe de tênis do grupo Disney também transmitem, em português, os melhores jogos do dia com duas janelas. A diurna, das 12h às 19h, e a noturna, a partir das 20h, mas é claro, as partidas podem se estender e fazer com que as janelas fiquem 'coladas'.

Quer mais? O programa Pela Quadras de será diário durante todo o major, sempre ao final da janela diurna, por volta das 19h. A cada edição, os melhores confrontos serão analisados e, também, projetados

Os comentaristas que devem acompanhar Meligeni na cobertura do Grand Slam são Teliana Pereira, André Ghem, Sylvio Bastos, Dadá Vieira e Fernando Roese. Além disso, o correspondente Conrado Giulietti está em Nova York para a cobertura in loco do evento; Ghem vai participar das transmissões e dos programas direto de Flushing Meadows, no complexo USTA Billie Jean King National Tennis Center.

O US Open pode marcar um ponto importante da rivalidade entre Carlos Alcaraz, atual campeão da disputa e número 1 do mundo, e Novak Djokovic, tricampeão do torneio. O sérvio só precisa avançar para a segunda rodada para 'roubar' a liderança do espanhol, que o derrotou na final de Wimbledon. O último confronto entre os dois foi há uma semana na final épica do Masters 1000 de Cincinnati, vencida pelo atual vice-líder do ranking da ATP.

No feminino, a brasileira Beatriz Haddad Maia entra na chave principal com muita expectativa após a campanha histórica em Roland Garros e a quarta rodada de Wimbledon, no entanto, o sorteio colocou diversas 'pedreiras' logo nas primeiras rodadas. Além disso, a atual campeã e número 1 do ranking, a polonesa Iga Swiatek, tentará repetir um feito que a última tenista que conseguiu foi Serena Williams, em 2014 - saiba mais abaixo.

Além de Bia Haddad, o Brasil também será representado por Felipe Meligeni, que furou o quali na chave masculina de simples. Nas duplas, o tênis brasileiro também vai contar com Luisa Stefani, Marcelo Melo, Marcelo Demoliner e Rafael Matos, além da própria Bia.

Quer saber mais do Aberto dos Estados Unidos de 2023? O ESPN.com.br preparou um guia completo abaixo:

Bia Haddad contra pedreiras

Até Roland Garros deste ano, Beatriz Haddad Maia, tenista número 1 do Brasil em simples, nunca tinha passado de uma 2ª rodada de Grand Slam. No saibro de Paris, no entanto, tudo mudou, e ela alcançou uma incrível semifinal, perdendo apenas para a número 1 Iga Swiatek, que acabou sendo campeã do Aberto da França.

No mês seguinte, em Wimbledon, na Inglaterra, Bia Haddad sofreu nas primeiras rodadas, mas novamente conseguiu chegar até à segunda semana do major. Na muito aguardada fase oitavas de final contra a russa-cazaque Elena Rybakina, que defendia o título do torneio, a tenista brasileira acabou sentindo uma lesão e precisou abandonar a quadra central do All England Club, desistindo da partida em meio às lágrimas.

No US Open, a paulista de 27 anos, que é a nº 19 do mundo, tem como objetivo chegar novamente na 2ª semana do Grand Slam, ou seja, passar pela 3ª rodada. Essa edição será apenas a 3ª participação de Bia na chave principal de simples do Aberto dos Estados Unidos, sendo que seu melhor resultado foi a 2ª rodada no ano passado, quando foi eliminada pela canadense Bianca Andreescu, que tinha um ranking inferior. Seu 'debute' no major americano foi em 2017, quando perdeu na estreia para a croata Dona Vekic.

A tenista brasileira, mesmo entrando como cabeça de chave nº 19, deu azar no sorteio e vai estrear contra Sloane Stephens, americana de 30 anos que foi campeã do US Open de 2017, mas que atualmente ocupa a posição número 38 do ranking da WTA. Bia, no entanto, já venceu a anfitriã em 2019 no WTA 250 de Acapulco, no México, no único confronto entre as duas.

Além dessa pedreira logo no começo da competição, se Bia Haddad vencer o jogo, ela pode encarar em uma eventual 3ª rodada a número 10 do mundo, Karolina Muchova, algoz da brasileira no WTA 1000 de Cincinnati. A brasileira nunca venceu a tenista da República Tcheca em três encontros no circuito da WTA.

Antes do US Open, Beatriz Haddad Maia teve apenas uma vitória em três jogos que disputou na gira de quadra rápida. Ela perdeu para a canadense Leylah Fernandez na 2ª rodada do WTA 1000 de Montreal e para Muchova, na semana passada, na estreia em Cincinnati.

Além da chave de simples, Beatriz Haddad Maia também deve disputar as duplas femininas com a ex-número 1 do mundo, a belarussa Victoria Azarenka. O sorteio da chave, que começa na quarta-feira (30), ainda não foi realizado.

Rivalidade entre Alcaraz e Djokovic

Carlos Alcaraz e Novak Djokovic entram no US Open como cabeças de chave 1 e 2, respectivamente. Ou seja, os dois tenistas podem se enfrentar apenas em uma eventual final, que já começa a ser imaginada na cabeça de muitos fãs de tênis.

Os dois jogadores dominaram o circuito neste ano e venceram os últimos cinco Grand Slams disputados. Alcaraz, que é o atual campeão do US Open, também venceu Wimbledon nesse ano justamente em cima de Djokovic, em uma final memorável. O atual número 2 do mundo foi campeão em 2023 de Roland Garros e do Australian Open, além de conquistar Wimbledon no ano passado.

Esse possível encontro em Nova York pode ser muito emblemático porque, no confroto direto entre os dois tenistas, o empate prevalece com duas vitórias para cada lado. O espanhol venceu o sérvio na final do Grand Slam disputado na grama e no 1º duelo da rivalidade, na semifinal do Masters 1000 de Madri, no ano passado.

Já Djokovic, de 36 anos, derrotou Alcaraz no último encontro, pelo Masters de Cincinnati, em uma final épica, e na semifinal de Roland Garros deste ano, quando o jovem de 20 anos acabou sentindo câimbras e se arrastou em quadra até o final do jogo. Em todos esses encontros, cada tenista venceu pelo menos um set, provando o equilíbrio da rivalidade.

Além deste duelo direto, Djokovic e Alcaraz também disputam o topo do ranking da ATP neste US Open. O espanhol, por ter sido campeão no ano passado, deve perder a liderança para o sérvio, que, como não disputou a última edição por conta da sua não vacinação contra a Covid-19, só precisa vencer a estreia para assumir o posto de nº 1 do mundo.

Caso consiga defender seu título e levantar de novo o troféu em Nova York, Alcaraz se tornará o primeiro homem a vencer o US Open em edições consecutivas desde Roger Federer em 2008. Na ocasião, o ex-tenista suíço conquistou o pentacampeonato consecutivo do Grand Slam americano. Este jejum de 14 edições do Aberto dos Estados Unidos sem um bicampeão consecutivo já é o segundo maiorda história do torneio, perdendo apenas para o hiato de 19 anos entre 1961 a 1979.

Na gira de quadra rápida, preparatória para o US Open, Carlitos foi eliminado por Tommy Paul no Masters 1000 de Toronto e perdeu a decisão para Djokovic em Cincinnati. Novak disputou (e ganhou) apenas o torneio em Ohio, nos Estados Unidos.

Carlos Alcaraz inicia sua defesa de título contra o alemão Dominik Koepfer e ainda pode encarar Jannick Sinner nas quartas e Daniil Medvedev na semifinal para batalhar pelo seu 3º título de Grand Slam da carreira.

Novak Djokovic começa sua caminhada pelo tetra em Nova York e 24º Slam da carreira contra o francês Alexandre Muller e ainda pode ter pela frente Stefanos Tsitsipas nas quartas e Holger Rune em uma eventual semifinal.

Swiatek tenta 'repetir' Serena Williams

Se na chave masculina Djokovic e Alcaraz são os favoritos absolutos, na feminina a disputa está bem aberto. Atual campeã e número 1 do mundo, Iga Swiatek é a que mais se aproxima do favoritismo, mas é logo seguida de perto por Aryna Sabalenka, Elena Rybakina e, por que não, Jessica Pegula.

Swiatek não vive uma temporada tão dominante como no ano anterior, mas ainda assim se manteve no topo do ranking em um ano que nenhuma mulher conseguiu chegar em mais de uma final de Slam.

Se Iga conseguir defender seu título em Nova York, ela vai se tornar a 1ª tenista a conseguir ser campeã do US Open em dois anos consecutivos desde Serena Williams em 2014.

Além do bi, a tenista polonesa também busca defender sua liderança do ranking, uma vez que Sabalenka, que foi semifinalista no ano passado, está apenas a pouco mais de 1.200 pontos do topo. Ou seja, caso a tenista belarussa avance uma rodada a mais do que Iga ou seja campeã, a WTA conhecerá uma nova líder do ranking.

Swiatek estreia contra a sueca Rebecca Peterson e pode enfrentar Coco Gauff nas quartas e, quem sabe, Rybakina na semifinal durante sua caminhada pelo seu quinto Grand Slam da carreira, após vencer três vezes em Roland Garros.

Sabalenka, campeã do último Australian Open, está do outro lado da chave e estreia contra a belga Maryna Zanevska. A número 2 do mundo pode ter pela frente Ons Jabeur, atual finalista do Us Open, nas quartas e Jessica Pegula na semi. A belarrusa está em busca do 2º slam da carreira.

Na gira de quadras rápidas, após a temporada de grama, Iga foi campeã "em casa" no WTA 250 de Varsóvia, mas depois foi eliminada por Pegula na semifinal do WTA 1000 de Montreal e pela também americana Gauff na semi em Cincinnati. Já Aryna viajou "direto" de Londres para o Canadá, onde acabou caindo nas oitavas para Samsonova e, em Ohio, perdeu na semifinal para Muchová.

Felipe Meligeni furando o quali

Depois de três batalhas incríveis e muita chuva, Felipe Meligeni conseguiu furar o qualificatório do US Open e vai disputar, pela 1ª vez na carreira, uma chave principal de Grand Slam. O tenista brasileiro de 25 anos derrotou no quali o tcheco Dalibor Svrcina, de virada, e os argentinos Facundo Bagnis, em sets diretos, e o favorito Federico Coria, por 2 sets a 1.

Felipe, que é sobrinho de Fernado Meligeni e nº 3 do Brasil entre os homens na simples, está muito feliz com o resultado, mas também quer mais. O paulista, cujo ranking mais alto da carreira foi a posição de 129 em junho, está atualmente na 170 posição, mas pode soltar até 10 lugares caso passe pela primeira rodada.

Felipe Meligeni tinha perdido na 3ª rodada do quali de Roland Garros e Wimbledon, e agora, finalmente, conseguiu o feito de furar um qualificatório de Grand Slam pela primeira vez. Ele é o único representante do Brasil na chave de simples masculina do US Open, uma vez que Thiago Wild e Thiago Monteiro acabaram eliminados no quali.

No feminino, Laura Pigossi também não conseguiu furar o qualificatório e deixa Bia Haddad, também, como a única representante brasileira na simples feminina.

Luisa Stefani volta ao US Open

A tenista brasileira Luisa Stefani volta a disputar o US Open após dois anos de sua terrível lesão na semifinal de duplas femininas do torneio em 2021. A medalhista olímpica, que conquistou o bronze junto com Laura Pigossi em Tóquio 2020, rompeu o ligamento do joelho direito quando jogava com a canadense Gabriela Dabrowski e precisou ficar mais de um ano longe do circuito para se recuperar.

Desde que voltou a jogar em setembro do ano passado, Luisa, que já foi do top 10 do ranking de duplas da WTA, conquistou os títulos do WTA 250 de Chennai, WTA 1000 de Guadalajara, WTA 500 de Adelaide e Adu Dhabi. Todos as competições vencidas foram disputadas em quadras rápidas e com parcerias diferentes.

Além disso, Luisa Stefani foi campeã do Australian Open nas duplas mistas com o também brasileiro Rafael Matos, com quem também deve disputar a mesma chave no US Open.

Em Roland Garros, Luisa jogou com Dabrowski e caiu nas oitavas, e nas mistas, com Rafa, perdeu nas quartas. Já em Wimbledon, com Caroline Garcia, foi até as quartas e nas mistas, também com o brasileiro, acabou eliminada na estreia.

A brasileira, atual nº 14 do mundo nas duplas, disputa o US Open pela 3ª vez na carreira e dessa vez com americana Jennifer Brady.

Outros brasileiros nas duplas

Além de Luisa Stefani e Bia Haddad, mais quatro brasileiros vão disputar a chave de duplas do US Open. No feminino, Ingrid Martins, nº 60 do ranking da WTA, disputa o 3º Grand Slam da carreira e estreia em Nova York com a belarussa Lidziya Marozava.

No masculino, Marcelo Melo, com o australiano John Peers, Rafael Matos, com o português Francisco Cabral, e Marcelo Demoliner, com o indiano Yuki Bhambri, estão confirmados nas duplas.

Nas mistas, o Brasil terá Stefani, campeã do Australian Open com Matos, junto com o britânico Joe Salisbury formando a dupla cabeça de chave número 4, e Melo com a tenista da Repúblicha Tcheca Katerina Siniaková, líder do ranking de duplas da WTA.

Premiação

A premiação total do US Open 2023 será de 65 milhões de dólares, aproximadamente em torno de 317 milhões de reais, um novo recorde para o torneio que foi o 1º Grand Slam a igualar o prêmio para homes e mulheres há 50 anos, em 1973.

Em relação ao ano passado, os organizadores deram um aumento de 8% em relação ao prêmio total, comparando em dólares. Os campeões desta edição na simples vão levar para casa 3 milhões de dólares (14,6 milhões de reais), para casa cada um, sendo que isso representa um aumento de 15% comparado a quantia que Alcaraz e Swiatek ganharam por vencer a última edição.

A dupla campeã do US Open 2023, tanto no masculino quanto no feminino, vai levar 700 mil dólares, algo em torno de 3,4 milhões de reais.