<
>

Confinado, Djokovic luta contra deportação na Austrália e vê caso suspenso até segunda; entenda o cenário

Djokovic foi barrado no aeroporto ao tentar entrar na Austrália com uma isenção do cumprimento das regras de vacinação e pode perder o Australian Open


Novak Djokovic passou um dia confinado em um hotel de detenção de imigração enquanto espera por uma decisão do tribunal, podendo ser deportado da Austrália por causa de um problema com seu pedido de visto relacionado às regras de vacinação contra a COVID-19.

O sérvio, que tem 20 títulos de Grand Slam, vai passar pelo menos mais uma noite na detenção da imigração, e provavelmente vai passar o fim de semana, e suas chances de jogar no Australian Open seguem no limbo.

Com seu visto cancelado por oficiais da Força de Fronteira Australiana, que rejeitaram suas evidências para justificar uma isenção médica das regras estritas de vacinação COVID-19 do país, Djokovic deixou de disputar nas quadras para disputar no tribunal nesta quinta-feira (6).

Djokovic, de 34 anos, não revelou se está vacinado contra o coronavírus.

O juiz federal Anthony Kelly adiou o caso de Djokovic até segunda-feira (10) devido ao atraso no recebimento do pedido de revisão das decisões de visto e à proibição temporária de sua deportação. Um advogado do governo fechou um acordo que Djokovic não deveria ser deportado antes da próxima audiência.

A família de Djokovic disse que ele foi vítima de uma "agenda política".

"Eles têm mantido meu filho em cativeiro. Eles estão pisando em Novak para atacar a Sérvia e o povo sérvio", disse o pai de Novak, Srdjan, a jornalistas em Belgrado nesta quinta-feira.

A viagem de Djokovic foi controversa antes de ele pousar, quando descobriu-se que o governo federal, conservador, e o governo estadual de Victoria, mais de esquerda, tinham opiniões divergentes sobre o que estabelecia motivos aceitáveis ​​para uma isenção do esquema de vacinação da Austrália para visitantes.

Depois de anunciar nas redes sociais na terça-feira (4) que tinha ‘permissão de isenção’, Djokovic pousou em Melbourne na noite de quarta-feira pensando que tinha a aprovação do estado de Victoria e que isso o protegeria dos regulamentos que exigem que todos os jogadores, torcedores e funcionários estejam totalmente vacinados para participar do Australian Open, que começa em 17 de janeiro.

A isenção seria suficiente para disputar o torneio, mas aparentemente não foi o bastante para entrar no país.

Depois de um longo voo, Djokovic passou a noite tentando convencer as autoridades de que tinha toda a documentação necessária, mas a Força de Fronteira Australiana emitiu um comunicado dizendo que ele não cumpriu os requisitos de entrada.

"A regra é muito clara", disse o primeiro-ministro australiano Scott Morrison. "Você precisa ter uma isenção médica. Ele não tinha uma isenção médica válida. Tomamos a decisão na fronteira, e é onde ela é aplicada."

O ministro da saúde, Greg Hunt, disse que o cancelamento do visto ocorreu após uma revisão da isenção médica de Djokovic por oficiais de fronteira, que analisaram ‘a integridade e as evidências por trás dela’.

"Morrison e outros semelhantes ousaram atacar Novak para colocar a Sérvia de joelhos. A Sérvia sempre mostrou que ele vem de uma nação orgulhosa", disse Srdjan Djokovic, pai do tenista.

"Isso não tem nada a ver com esportes, é uma agenda política. Novak é o melhor jogador e o melhor atleta do mundo, mas várias centenas de milhões de ocidentais não suportam isso", disse ele.

Djokovic foi transferido na quinta-feira de manhã para um hotel seguro, controlado por funcionários da imigração, que também abriga requerentes de asilo e refugiados.

“Eu me sinto péssimo por eles o manterem prisioneiro. Não é justo. Não é humano. Espero que ele ganhe”, disse a mãe de Djokovic, Dijana, depois de falar brevemente com ele por telefone de Belgrado.

Ela acrescentou: “Acomodação terrível, terrível. É apenas um pequeno hotel de imigração, se é que é um hotel”.

O presidente sérvio, Aleksandar Vucic, disse que conversou com Djokovic e que seu governo está pedindo que, antes de segunda-feira, o multicampeão se mude para uma casa que alugou e "não fique naquele hotel infame".

Ele acrescentou que Djokovic foi tratado de forma diferente dos outros jogadores.

“Temo que esse exagero continue”, disse Vucic. “Quando você não pode vencer alguém, então você faz essas coisas”.

O acesso sem quarentena não teria sido um problema se Djokovic pudesse mostrar que estava totalmente vacinado contra o coronavírus. Em vez disso, ele se candidatou a uma isenção, que só se tornou uma opção nos últimos meses depois que o estado de Victoria recuou de uma política de exigência total da vacinação.

Agora, foram levantadas questões sobre a aprovação da isenção.

O jornal australiano Sydney Morning Herald publicou cartas enviadas em novembro pelo Departamento de Saúde e do ministro da saúde para a Tennis Australia, organizadora do Australian Open, indicando que Djokovic não atendia ao padrão nacional – conforme definido pelo Grupo Australiano de Aconselhamento Técnico para a Imunização – para isenção de quarentena na chegada ao país.

Questionado sobre a confusão, Morrison afirmou que a responsabilidade de ter a documentação correta na chegada era do indivíduo.

O primeiro-ministro rejeitou a sugestão de que Djokovic estava sendo tratado de forma exclusiva, mas reconheceu que outros jogadores podem ficar na Austrália com o mesmo tipo de isenção médica.

“Uma das coisas que a Força de Fronteira faz é agir com base na inteligência para direcionar sua atenção para as chegadas em potencial”, disse ele. “Quando temos pessoas que fazem declarações públicas sobre o que dizem que têm, e o que vão fazer, elas chamam bastante atenção para si mesmas”.

“Qualquer pessoa que fizer isso, seja uma celebridade, um político, um jogador de tênis… Pode esperar ser questionada mais do que outros antes de vir”.

A isenção médica, avaliada por dois painéis independentes de especialistas e com base em informações fornecidas anonimamente pelos jogadores, deveria permitir que Djokovic jogasse no Australian Open, independentemente de seu status de vacinação.

Djokovic já se manifestou contra as vacinas anteriormente e se recusou veementemente a informar se recebeu qualquer dose contra o coronavírus.

A isenção se tornou um tópico político quente esta semana. Muitos australianos que têm sofrido para obter testes rápidos de antígenos escassos e muitas vezes caros, ou que foram forçados ao isolamento, perceberam um padrão duplo.

Os críticos questionaram quais motivos Djokovic poderia ter para a isenção, enquanto os defensores argumentaram que ele tem o direito à privacidade e à liberdade de escolha.

A tensão aumentou em meio a outro surto de COVID-19 no país. O estado registrou seis mortes e 21.997 novos casos na quinta-feira, o maior salto diário de casos em Victoria desde o início da pandemia.

O diretor do Australian Open, Craig Tiley, defendeu na quarta-feira “a inscrição e o processo completamente legítimos” e insistiu que não havia tratamento especial para Djokovic.

Apenas 26 pessoas conectadas com o torneio solicitaram uma isenção médica e, segundo Tiley, apenas alguns foram concedidos. Nenhum deles foi identificado publicamente, mas a Australian Broadcasting Corp. informou que os oficiais da fronteira estão investigando outro jogador e um árbitro.

As razões aceitáveis ​​para a isenção incluíram condições médicas graves agudas e reações adversas graves a uma dose anterior da vacina COVID-19. Outro amplamente considerado aceitável – evidência de uma infecção por COVID-19 nos seis meses anteriores – pode agora ser o ponto crítico.

Djokovic testou positivo para coronavírus em junho de 2020 depois de participar de uma série de partidas de exibição que organizou sem distanciamento social em meio à pandemia.

Informações das agências Associated Press e Reuters foram utilizadas nesta reportagem