Sinner recontrata preparador físico que 'culpou' por doping acidental

play
Punição de Sinner por doping foi mais "branda" por que ele é nº 1 do mundo? Especialista em direito desportivo opina (2:59)

Dr. Marcel Belfiore, sócio do Ambiel Advogados, concedeu entrevista exclusiva para a ESPN para falar sobre o doping de Jannik Sinner (2:59)

Jannik Sinner, líder do ranking mundial de tênis masculino, anunciou nesta quarta-feira (23) o retorno de seu preparador físico, anteriormente apontado como o principal responsável por seu caso de doping.

O italiano de 23 anos confirmou que Umberto Ferrara voltará a integrar sua equipe, substituindo Marco Panichi e o fisioterapeuta Ulises Badio, demitidos antes de Wimbledon. Ferrara acompanhará o número um da ATP na gira de quadras duras nos Estados Unidos, começando pelo Masters 1000 de Cincinnati, em 7 de agosto, e terminando no US Open, a partir do dia 24, ambos com transmissão da ESPN no Disney+.

Ferrara foi apontado como o grande “culpado” pelo doping de Sinner porque, segundo a defesa do tenista, o clostebol — substância anabolizante proibida pela Agência Mundial Antidopagem (WADA) — entrou no organismo do atleta por meio de uma massagem por Giacomo Naldi em março do ano passado.

De acordo com Sinner, Naldi havia cortado o dedo e aplicado o medicamento na própria ferida. Ao manusear o corpo do italiano, acabou não utilizando luvas e, assim, contaminou o número 1 do mundo. O massagista era um integrante da equipe de Ferrara, que também foi responsabilizado pelo ocorrido. Assim, ambos foram demitidos.

O caso só veio a público em agosto, quando a Agência Internacional de Integridade do Tênis (ITIA) julgou o episódio como doping “acidental” e sem negligência — ou seja, quando o tenista não tem culpa nem responsabilidade direta pelo ocorrido.

A repercussão foi enorme e gerou críticas de outros atletas, já que Sinner perdeu apenas os pontos e a premiação dos torneios em que testou positivo, em Indian Wells e Miami, e não foi suspenso.

Em setembro, a WADA contestou a decisão da ITIA e marcou um novo julgamento na Corte Arbitral do Esporte (CAS), previsto para abril. No entanto, antes mesmo do caso chegar ao tribunal esportivo mais importante do mundo, Sinner e a agência antidoping fecharam um acordo por uma suspensão de três meses — já cumprida pelo italiano.

O número 1 do mundo foi campeão do Australian Open, em janeiro, e anunciou a suspensão logo na sequência. Ele ficou fora do circuito em fevereiro, março e abril, e retornou em maio no Masters 1000 de Roma. Desde então, conquistou o título de Wimbledon e chegou à final de Roland Garros, além do torneio disputado em solo italiano.

O retorno do preparador físico, quase um ano após sua demissão, gerou novas críticas ao caso. O australiano Nick Kyrgios, conhecido por criar muitas polêmias e questionar muito a punição de Sinner, ironizou a notícia nas redes sociais:

“Infelizmente, essa notícia não é do @TennisCentel (página de humor conhecida por criar manchetes irônicas).”