Pai de Vitor Kley, Ivan foi número 81 do ranking da ATP em simples nos anos 80 e falou sobre a quase carreira do filho no esporte
Vitor Kley é um dos principais artistas brasileiros do momento. O gaúcho de 28 anos, sucesso por aqui e também em Portugal por conta dos hits "O Sol", "Pupila", "Morena" e "Adrenalizou", que hoje arrepia os palcos com sua música durante muito tempo pensou que poderia fazer sucesso em outra frente, no esporte.
O músico é filho de Ivan Kley, que foi um dos grandes tenistas brasileiros nos anos 70 e 80, tendo chegado ao ranking de 81 em simples e 56 nas duplas na lista da ATP.
"Desde que nasceram, nós colocamos o esporte na vida dos nossos filhos. Até o Bruno (irmão e empresário de Vitor) eu queria que fosse piloto de Fórmula 1, mas coloquei eles no tênis, sem muita pressão. Já existia pressão por ser meu filho. Ele (Vitor) começou a jogar com uns 8, 7 anos ali na academia, depois com 10 anos começou a música. E minha esposa, na parte de música, de conhecer música, eu não conheço nada, não toco nada, a minha esposa falou pra gente colocar ele na aula de música. E eu que dei a primeira guitarra pra ele, gostei da guitarra e dei pra ele. Ele começou a tocar todo desafinado e minha esposa disse: 'Vai pra escola de música'", relembrou Ivan, Coordenador da ADK Tennis, em Itajaí-SC, à ESPN.
"Ele começou e o professor disse que tinha talento. Chegou nos 14 anos ele falou pra minha esposa: 'Acho que o pai vai ficar chateado, mas eu não quero mais jogar tênis. É muito difícil, tem que treinar muito. Ele vai ficar chateado, mas eu quero seguir na música'. A gente fez uma reunião em casa e eu falei: 'Qualquer profissão que tu fizer eu vou ficar satisfeito, mas você tem que fazer bem feito, seja na música, no tênis'. Ele falou que queria a música. Ficava no quarto trancado 8h, 10h. Aí ele saía: 'Pai, fiz uma música'. Depois veio a brincadeira entre eu, ele e o Bruno, eu chegava em casa do trabalho e falava: 'Cadê o hit?'. Ele falava: 'Vai sair'", completou o ex-tenista.
Ivan, que disputou partidas contra lendas do tênis no circuito profissional como Jim Courier e Goran Ivanisevic, falou de um momento marcante em que descobriu que talvez o tênis não fosse ser o caminho de Vitor Kley.
"Acho que ele não tinha potencial pra chegar (longe), mais pela parte mental. Ele jogou uma vez um torneio com 12 anos, estava ganhando do menino. Aí o menino começou a chorar e ele entregou o jogo. 'Pai ele tá chorando'. Eu falei: 'Você ganha e depois vai lá e consola'. Ele não tinha essa mentalidade de matar ou morrer. Pra ser um tenista completo tem que ter isso. Não via ele como um potencial de ser 100 do mundo, não via isso nele, acho que ele também não via. Não era uma coisa como ele falava da música, na música ele falava e os olhos dele brilhavam. Ele acha até hoje o tênis muito difícil", disse Ivan.
Nascido em Porto Alegre, Vitor Kley viu na infância o crescimento do maior fenômeno do tênis masculino do Brasil: Gustavo Kuerten. Segundo o pai do cantor, ele e o irmão idolatravam Guga e queriam ser igual ao catarinense.
"Eu tenho uma relação muito grande com o Larri (Passos), até hoje tomo chimarrão com o Larri quando ele vem aqui dos Estados Unidos. Eles usavam a roupa do Guga, as bandanas do Guga, tem todo esse entusiasmo. Eles realmente têm várias fotos do Guga, correram atrás do Guga como fã. E hoje o pessoal corre atrás dele (Vitor). E a gente lembra da época que ele corria atrás do Guga. Teve influência do Guga", relembrou o pai.
Antes de lançar o álbum que o fez estourar para o Brasil, "Adrenalizou", de 2018, Vitor Kley teve outros dois trabalhos de pouco sucesso ainda na adolescência. E chegou até a ter vergonha de entregar eles para Kuerten.
"Num dos torneios que teve aqui em Brusque, ele (Vitor) estava com vergonha, no primeiro CD dele ou segundo, de ir lá entregar uma cópia para o Guga. Eu botei pilha. Acabou que eu fui lá e dei um CD para o Guga", disse Ivan.
Apesar das turnês no auge de sua carreira, Vitor Kley de vez em quando ainda joga tênis, segundo seu pai. "Não deu no tênis, mas deu na música. Isso que é importante (risos)".
