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Medina abre o jogo sobre problemas familiares, choro na água e depressão: 'As coisas param de fazer sentido'

WSL: Gabriel Medina voltará a competir em G-Land, na Indonésia, que tem início previsto para 28 de maio


Em janeiro deste ano, Gabriel Medina anunciou o afastamento do Circuito Mundial de surfe para tratar da saúde mental. Já neste domingo (24), em entrevista à TV Globo, ele abriu o jogo sobre a luta contra a depressão.

A forte entrevista vem dois dias após o brasileiro anunciar o retorno ao Mundial da modalidade, depois ter ficado fora das primeiras cinco provas da temporada.

Gabriel voltará a competir em G-Land, na Indonésia, que tem início previsto para 28 de maio.

"Estou ansioso. Vou entrar no meio do circuito, terei cinco etapas para competir. Estou focado em surfar cada bateria, cada bateria, sem pensar em nada. Só no esporte que eu amo", disse o surfista.

"Esse tempo (fora do Circuito Mundial) me fez bem. Não é segredo, até é um assunto interessante falar: saúde mental. Tive depressão, comecei a tratar com psicológico. Foi muito louco, porque nunca me imaginei nesse lugar, um lugar assustador, em que as coisas param de fazer sentido para você", declarou.

"Teve toda a coisa da minha família, meu relacionamento... Foi uma combinação de coisas, sentimentos, que acabei chegando nesse lugar. Não sei por que, como, mas senti. Tomei a decisão mais difícil da minha vida, que foi parar de competir", admitiu, lembrando o fim do longo relacionamento com a modelo Yasmin Brunet.

"A gente chegou num ponto que não estava mais funcionando, nem para mim, nem para a pessoa que eu estava. Foi bom, deu certo, durante um tempo, aprendi bastante, vivi coisas incríveis. Foi isso", limitou-se a dizer.

Na entrevista, Medina também falou abertamente sobre as diversas questões complicadas que envolvem sua família.

"Na verdade, comecei muito cedo (no esporte profissional). Com 14 anos, já tinha patrocinador, ganhava salário, e sempre com gestão familiar. Chegou um momento que quis profissionalizar, estar envolvido em decisões. Somos seres humanos, cada um tem uma opinião, jeito de pensar e aconteceu isso tudo, esse rompimento (com a família). Não tenho falado muito com eles, espero que estejam bem. Sei da minha irmãzinha, que está muito bem. As coisas vão se acertar. Vamos dar tempo ao tempo", pediu.

"Sempre levo tudo para o lado da paz. Meu sonho é estarmos em harmonia, em família. Meu pai biológico, meu padrasto, minha mãe", acrescentou.

O surfista também recordou o momento em que notou que estava com depressão, ao chorar no mar durante uma bateria.

Pensando em um recomeço, ele mira novos títulos mundiais para adicionar à sua galeria.

"Não sei nem o que falar. Ano passado, teve bateria que ia chorando para a água. Estava bem triste, me afetou, mas me mantive calma, nunca falei nada sobre. Queria focar no trabalho, consegui ir bem, consegui o terceiro título mundial. Mas não foi fácil", relatou.

"Quero vencer mais títulos mundiais. Achei que ia parar no 3º, mas quero mais. Estou entrando no melhor momento da minha vida, pessoalmente e profissionalmente. Aproveitar esse dom que Deus me deu, surfar, deixar um legado. É o que faz sentido para mim", finalizou.