Maior nome da história do judô, Teddy Riner não estará no posto mais alto do pódio nas Olimpíadas de Tóquio. Depois de incríveis 10 anos sem perder, o francês “virou humano” desde o ano passado e teve mais derrotas neste período que em toda a carreira. Mas, afinal, como isso aconteceu?
Não há uma resposta clara para isso, é claro. Mas alguns desdobramentos dos últimos anos ajudam a entender essa mudança de cenário – incluindo um período grande sem competições e uma lesão a meses das Olimpíadas.
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Depois da Rio-2016, Riner ainda competiu por mais um ano e conquistou o seu 10º título mundial em 2017 (incluindo a categoria dele e a categoria aberta).
Nesse momento, porém, ele resolveu tirar um tempo para ele e para a família. O objetivo era se recuperar mental e fisicamente para chegar forte na briga pelo tricampeonato olímpico.
Foram quase 20 meses sem competir entre novembro de 2017 e julho de 2019, quando voltou a disputar um grande torneio: o Grand Prix de Montreal, no Canadá. Afinal, ele precisava começar a se movimentar para garantir a sua vaga em Tóquio.
Os primeiros dois eventos não mudaram o panorama: ouro no Canadá e depois em Brasília, com oito vitórias em oito lutas. Mas foi justamente em casa que a história começou a mudar.
No dia 9 de fevereiro, em Paris, Riner foi com tudo para arremessar o japonês Kokoro Kageura no chão, mas acabou surpreendido. O rival não só não caiu, como aproveitou o movimento para encaixar um contragolpe perfeito e derrubar a lenda francesa com as costas no chão.
History is made!! After 154 consecutive victories over the course of 10 years Kageura Kokoro is the man to end the reign of Teddy Riner! The whole of France looks on in shock#JudoParis #Judo #Sport #Olympics #Paris #France pic.twitter.com/mqj3Jn9man
— Judo (@Judo) February 9, 2020
O ginásio parisiense emitiu o som de surpresa e depois ficou no famoso “silêncio ensurdecedor” antes de reconhecer e aplaudir o japonês pelo feito.
Terminava ali uma invencibilidade incrível de 10 anos e 154 vitórias consecutivas.
“Recordes são feitos para serem quebrados. Eu não estou chocado. Foram 10 anos sem perder, uma hora tinha que acontecer”, disse o francês.
A derrota, porém, foi um aviso: a categoria parecia diferente da que Teddy Riner havia se acostumado a dominar antes, com uma competição maior. Kageura, o japonês que o derrotou, sequer conseguiu se classificar para os Jogos Olímpicos.
“O alto nível é outra coisa: você tem que estar mentalmente muito bem, ter agressividade e explosão. Isso é certamente algo que me falta. Mas eu ainda tenho tempo para me preparar bem. Eu sempre disse que meu objetivo era Tóquio”, disse o francês.
Em outubro de 2020, outro choque: Teddy Riner perdeu mais uma luta, desta vez no Campeonato Francês por equipes. Desta vez, porém, com polêmica: acabou derrotado por Joseph Terhec nas quartas de final por punições e saiu disparando contra os juízes.
“Querem acabar com o PSG (o time que Riner defende)”, disse. “Arbitragem precisa de profissionalismo, e aqui não tem profissionalismo. Por isso eu não gosto de competir na França, é sempre assim”, completou.
A resposta ao mundo veio em janeiro de 2021, no Masters de Doha. Teddy Riner dominou todos os seus rivais até a final e voltou a conquistar um grande título para garantir de vez a sua classificação para as Olimpíadas.
O problema é que mais uma péssima notícia veio no mês seguinte. Conforme revelado no documentário “Teddy Riner, the quest”, o judoca acabou sofrendo uma torção em um dos ligamentos do joelho durante lutas de treinamento. Para não ter mais sintomas daquela contusão, seriam necessários dois meses longe dos tatames.
Assim como outros dos grandes judocas do mundo, Riner decidiu que não participaria também do Mundial, disputado em junho. O objetivo era chegar inteiro nas Olimpíadas.
Com mais de três anos praticamente sem competir, porém, a lenda francesa chegou a Tóquio sem ser cabeça de chave. Por isso, cruzou com o russo Tamerlan Bashaev, líder do ranking mundial, logo nas quartas de final.
Bashaev, então, aproveitou todas essas circunstâncias. Logo no começo do Golden Score, pensou muito rápido e trocou os golpes no meio da execução para empurrar Riner para o chão. O árbitro apontou o waza-ari e decretou o fim do sonho do terceiro ouro olímpico da maior lenda do esporte.
“Não era o resultado que eu esperava. Mas ainda há uma medalha olímpica para disputar”, postou nas redes sociais.
Ce n'est pas le résultat espéré... Mais il y a une médaille olympique à aller chercher 💪🏾👊🏾🇫🇷 #Tokyo2020 pic.twitter.com/U6k3BRJaQa
— Teddy Riner (@teddyriner) July 30, 2021
Para azar do Brasil, Rafael Silva estava no caminho desta medalha. Riner pegou o brasileiro na repescagem e venceu com uma chave de braço em menos de um minuto.
Depois, Riner ainda venceu o japonês Hisayoshi Harasawa nas punições para ficar com o bronze.
