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Olimpíadas, opinião: Mudanças deixaram judô mais 'chato' e ajudam a causar 'injustiças' como a de Maria Portela

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Eliminação de Maria Portela no judô revolta campeã olímpica: 'Muito difícil de engolir' (2:26)

No ponto de ouro, a brasileira aplicou um wazari em Taimazova, mas o golpe não foi validado pelo VAR. Alguns minutos depois, Maria Portela recebeu o terceiro shido por falta de combatividade e acabou sendo eliminada contra a russa Madina Taimazova. (2:26)

Quem costuma acompanhar esportes olímpicos apenas nas Olimpíadas vem se surpreendendo bastante com as lutas de judô em Tóquio-2020. Os duelos empolgantes que conquistaram o coração dos fãs nos últimos anos deram espaço a combates muito mais longos e cansativos ao telespectador.

Há um motivo para isso ter acontecido: a mudança de regras implementada na modalidade simplesmente não deu certo.

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No passado, o judô tinha mais pontuações. O koka deixou de existir no final de 2008. Depois, em 2017, foi a vez de o yuko ser retirado do regulamento.

Em teoria, os golpes que valiam yuko deveriam ser pontuados agora como waza-ari, mas isso não está acontecendo, como pudemos ver claramente na derrota bem polêmica da brasileira Maria Portela nas Olimpíadas.

Também houve mudança no tempo dos combates. O tempo regulamentar da luta foi diminuído, e o Golden Score passou a não ter tempo máximo. Não há mais a decisão dos juízes em caso de empate – afinal, a luta só acaba quando alguém encaixa um waza-ari, um ippon ou acaba eliminada por punições.

Por fim, ainda houve uma diminuição nos golpes válidos. Hoje já não é mais permitido catadas de perna, por exemplo.

A própria Federação Internacional de Judô explica que “o propósito das mudanças é priorizar o ataque e a realização do ippon”. Mas o que aconteceu na prática parece ter sido exatamente o oposto.

Os atletas atacam menos porque só pontuam se acertarem um golpe perfeito e a sensação é de que todas as lutas acabam indo para o Golden Score.

Para piorar, as punições aos lutadores seguem sendo subjetivas. E elas acabaram tendo seu peso aumentado com a menor quantidade de pontuações por golpes. De novo, Maria Portela serve de exemplo: acabou sendo eliminada de uma Olimpíada porque um juiz não viu combatividade após quase 15 minutos de luta.

Há exemplos de mudanças de regras que dão certo. Em Tóquio mesmo podemos ver como o taekwondo se transformou. Com pontuação maior para golpes, as lutas passaram a ser muito mais dinâmicas que antes.

Mas as do judô não funcionaram.

Os Jogos de Tóquio são apenas a parada final de uma mudança que não funcionou no judô. As lutas foram assim durante todo o ciclo olímpico. Já havia sido possível perceber a falta de lutas empolgantes nos três Mundiais que tivemos no período.

Que a Federação Internacional consiga enxergar isso e recoloque o esporte no trilho que conquistou tantos fãs.