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'Ygordinho' começou a jogar em uma piscina vazia e hoje é o melhor das Américas sem esquecer as origens

Ygor Coelho é só sorrisos. Ele não consegue esconder a alegria nem por um segundo. E nem tem motivo para isso. Acaba de se consagrar como campeão dos Jogos Pan-Americanos. O primeiro brasileiro a conseguir desbancar um canadense e conseguir uma medalha de ouro no badminton. Mas a alegria em nenhum momento o faz esquecer tudo que passou para chegar até ali. Muito pelo contrário. A cada palavra, tenta mostrar o quanto é grato por quem o ajudou pelo caminho.

Principalmente o pai, Sebastião.

“Meu pai é o pilar disso tudo. Sem ele eu não conquistaria essa medalha”, diz.

Ele aparece em quase todas as falas de Ygor, desde antes de o Pan começar. Não por menos: foi por causa dele que o agora ‘Melhor das Américas’ começou no esporte, ainda criança, no fundo de uma piscina esvaziada.

“Meu pai queria criar um projeto social para intervir na vida social dos jovens, sem pensar em resultados. Ele foi nadador em uma instituição de caridade e foi bem recebido lá. Então ele queria mudar a vida dos jovens. Então ele fez uma piscina, mas depois descobriu o badminton. Viu em uma escola, achou viciante e bem fácil, maravilhoso”, conta Ygor.

Sebastião, então, aproveitou a piscina que já havia construído. A esvaziou e montou uma quadra. O projeto na favela da Chacrinha começou com o filho. “E eu agarrei o sonho dele. E o sonho dele me deu tudo na vida”, diz.

Seu Sebastião o acompanhou até no Caldeirão do Huck, quando Ygor participou do quadro “Agora ou Nunca” para levantar R$ 30 mil e seguir disputando os campeonatos que o fizeram ser o primeiro brasileiro a disputar uma Olimpíada.

E o pai também foi fundamental no dia do ouro. Mesmo à distância. De sua casa, no Rio de Janeiro, mandou uma mensagem ao filho. Disse ter assistido à matéria feito pelos canais ESPN com ele, agradeceu pelas palavras e deu conselhos.

“Ele falou para eu encarar o adversário como o melhor do mundo. Ele disse que a gente tem que agarrar a oportunidade quando tem a chance. Eu fiz isso. Vi a oportunidade e fui com tudo, isso veio na minha cabeça”, conta.

Hoje, Ygor mora longe, na Dinamarca. Por lá, aliás, ganhou um novo apelido: Ygordinho. Mas ele nada tem a ver com o peso.

“Pô, acho que eu estou bem fisicamente”, brinca. “Mas tem a ver com o futebol. Todos os brasileiros, tem Fernandinho, Ronaldinho... E ela colocou o Ygordinho”, completa.

Ela é Nadia Lyduch, a treinadora dinamarquesa que abraçou a carreira dele desde 2017.

“Ygor é um nome russo, e ele não tem nada de russo. Como brasileiro sempre acaba as palavras com “inho”, comecei a chamá-lo assim. Mas não sabia que isso significava gordinho. Mas claro que ele não é gordo. Acho até que poderia ter escrito na camisa dele Ygordinho, mas acho que a Federação Internacional não iria deixar”, brinca.

Mas os sorrisos todos pela vitória também vieram com algumas lágrimas de emoção. Principalmente quando ele voltava a pensar no pai. A equipe da ESPN os colocou em contato pela primeira vez, mas a Internet não ajudou que o papo fluísse e só deixou que Ygor agradecesse.

Depois, em um ambiente mais reservado, a segunda tentativa de conversa foi bem melhor sucedida. E Ygor chorou ao ver a família.

“Meu pai falou que eu sou um exemplo a ser seguido, que sou o número 1 das Américas, que eu realizei o sonho. Acho que ele está morrendo de orgulho agora. E eu também estou por ser de onde eu sou”, contou.

É o Brasil que está orgulhoso de você, Ygor!