<
>

Ele é filho de malineses, mas virou Aboubassauro e destaque do Brasil no vôlei do Pan

Aboubacar Drame Neto é um nome que chama atenção em meio à delegação brasileira nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru. Afinal de contas, é um nome nada brasileiro. O que não o impede de brilhar – muito – com as cores verde-amarelas.

Abouba, como é mais conhecido, é filho de malineses, mas já nasceu em Brasília, na capital federal. Fala português, claro, e nem consegue falar tão bem o francês, a língua oficial de Mali.

Até agora, ele é o grande destaque do vôlei brasileiro no Pan. São 39 pontos marcados, 20 na estreia contra o México e mais 19 diante do Chile, nas duas vitórias até aqui.

“Eu sou Aboubacar Drame Neto, tenho 25 anos e venho de Brasília. Tenho três irmãs e meus pais são do Mali, vieram já há uns 35 anos. Esse sou eu”, apresenta-se o oposto, sorridente.

O pai de Abouba trabalhava como cozinheiro na embaixada na Costa do Marfim, mas acabou transferido para o Brasil. “Ele veio a trabalho. Ele e minha mãe gostaram muito do Brasil e decidiram construir a família aqui”, diz.

A família, como ele apresentou conta com três irmãs. Foi por causa delas que Abouba começou a jogar vôlei. Em um momento, para acompanhar os amigos, quase desistiu para ser volante no futebol. Mas resolveu voltar atrás e seguir nas quadras.

Pelo vôlei, ele recebeu uma bolsa de estudo e cursou Sistema de Informação. Mas ainda não conseguiu se formar. “Falta o TCC! Espero me formar um dia. Toda hora eu penso nele, mas agora estou focado no vôlei”, diz. Mas mesmo quando conseguir o diploma, não pensa em trabalha com isso. Quer seguir no esporte.

Até porque ele está no auge da carreira. Campeão da Superliga por Taubaté, vai para a Itália defender o Vibo Valentia. Ele vê como a grande chance de fazer a carreira mudar de patamar. Mas, antes, quer mesmo usar o Pan para chamar a atenção no Brasil. E, quem sabe, conseguir uma vaguinha na Olimpíada.

“Tem vários que conseguiram jogar o Pan e ir para a Olimpíada. Esse é meu objetivo”, diz,

E, jogando tão bem, viu até um apelido de infância ser retomado: Aboubassauro, em brincadeira com o personagem Bulbassauro, do desenho Pokemon.

“Quando eu era criança já me chamavam assim, conseguiram reanimar meu apelido. Eu assistia Pokemon, gostava do Bulbassauro”, diz, rindo. “Meus amigos de infância chamavam assim. Eles falaram que eles que inventaram o apelido, estão roubando a ideia. Ainda bem que eu gostava!”, completa.

Com o sorriso estampado no rosto, Abouba segue a caminhada com o Brasil no Pan nesta sexta-feira, diante dos Estados Unidos, às 22h30 (de Brasília).