A novela sobre a gerência do skate brasileiro ganhou mais um capítulo importante nesta semana. Na noite desta quinta-feira, o Ministério do Esporte enviou um ofício sinalizando que concorda com a decisão do Comitê Olímpico do Brasil (COB) — publicada em primeira mão pela ESPN — e apoia que a Confederação Brasileira de Skateboarding (CBSk) seja a entidade responsável pela modalidade até as Olimpíadas de Los Angeles, em 2028.
O documento, assinado pelo ministro André Fufuca, foi endereçado a Eduardo Musa, presidente da CBSk; Paulo Wanderley, presidente do COB; e Moacyr Jr., presidente da Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação (CBHP). A reportagem da ESPN também teve acesso, em primeira mão, a este ofício, que é uma resposta a uma consulta sobre qual entidade nacional deve ser reconhecida pela federação internacional da modalidade como autoridade responsável pelo skate no Brasil.
O ofício do Ministério do Esporte concorda com a solução proposta pelo COB para esse impasse, que inclui a criação de uma terceira entidade que seria filiada à World Skate (WS), mas com a manutenção das autonomias e gerências específicas de cada confederação em relação às suas modalidades. O documento esclarece:
“Uma terceira entidade, voltada exclusivamente à representatividade internacional perante a World Skate, atende à organização do desporto no Brasil, permanecendo cada uma delas gozando de ampla autonomia em território nacional, com a preservação da atribuição privativa da CBSk, na condução e organização do skateboarding, e a preservação da CBHP na organização dos desportos relacionados ao hóquei e à patinação no Brasil.”
Além disso, o Ministério do Esporte pede que as entidades busquem uma solução consensual para a criação dessa entidade de representação internacional e se coloca à disposição para sediar e mediar uma reunião com esse objetivo.
Procurado pela reportagem, o presidente da CBSk comemorou o posicionamento:
“O posicionamento do Ministério do Esporte, somado ao ofício do COB, resolve a questão. De maneira muito clara, as autoridades desportivas brasileiras já se posicionaram no sentido de que, internamente, cada modalidade seja representada pela sua própria entidade.”
“No caso do skateboarding, a CBSk é essa entidade, e nunca tivemos dúvida sobre isso. Há 25 anos estamos fazendo isso diariamente. A World Skate já afirmou por escrito e confirmou em audiência que respeitaria a decisão tomada pelas autoridades esportivas do nosso país”, completou Musa.
A reportagem também está em contato com a CBHP para obter um comentário sobre o ofício do Ministério do Esporte e atualizará esta matéria. Em conversas anteriores, o presidente Moacyr Jr. já havia sinalizado que propôs, em 2017, uma alternativa de união das duas entidades para resolver essa questão e que aguarda um posicionamento da WS.
Sobre os próximos passos para encerrar, de fato, essa novela, o presidente da CBSk respondeu:
“Entramos em contato e estamos esperando uma resposta da CBHP sobre um encontro para tratar a criação e o formato dessa terceira entidade de representação.”
Mas qual é a polêmica que envolve o skate brasileiro?
Desde 2016, quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) oficializou a inclusão do skate nos Jogos, a World Skate, filiada ao COI, exige que cada país tenha apenas uma entidade filiada correspondente. No caso brasileiro, como em outros ao redor do mundo, há duas confederações: a CBSk e a Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação (CBHP), ambas sob o guarda-chuva da WS.
Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, a CBSk foi responsável pela modalidade que trouxe três medalhas de prata para o Brasil: Rayssa Leal e Kelvin Hoefler no street e Pedro Barros no park.
Em 2023, a World Skate deu um ultimato, solicitando que as confederações passassem por uma fusão ou que o Comitê Olímpico do Brasil indicasse qual seria a responsável pela modalidade nos Jogos de Paris. Essa postura levou diversos skatistas brasileiros, como Rayssa Leal e Pedro Barros, a se posicionarem a favor da CBSk e contra essa fusão.
Em janeiro deste ano, a World Skate chegou a desfiliar a CBSk e transferiu a gestão para o COB a poucos meses das Olimpíadas. No entanto, a Confederação Brasileira de Skateboarding recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS) e retomou, de forma provisória a gestão da modalidade para os Jogos de Paris, mas a entidade segue desfiliada da federação internacional. Na França, mais duas medalhas foram conquistadas: a prata de Augusto Akio no park e o bronze de Rayssa Leal no street.
