Na última segunda-feira (28), o Comitê Olímpico do Brasil (COB) enviou uma carta à World Skate (WS), federação internacional filiada ao Comitê Olímpico Internacional (COI) responsável pelas modalidades de skate e patins, indicando que a Confederação Brasileira de Skateboarding (CBSk) é quem deve gerir o skate brasileiro para o ciclo até as Olimpíadas de Los Angeles, em 2028.
Essa decisão foi comunicada à CBSk, que a celebrou com entusiasmo. A reportagem da ESPN teve acesso, em primeira mão, a essa carta do COB para a World Skate.
“A CBSk é a entidade que, segundo as regras internas e a equipe técnica do COB, possui as atribuições para planejar e gerenciar o skateboarding no ciclo olímpico de 2025-2028, com diversas ações já em andamento e planejadas até o final de 2024 e para o ano de 2025”, diz o documento.
O apoio do Comitê Olímpico do Brasil à CBSk é importante, pois representa um passo significativo para encerrar uma polêmica que paira sobre o skate brasileiro desde a inclusão do esporte nos Jogos Olímpicos em 2016.
Desde então, a World Skate exige que cada país tenha apenas uma entidade filiada correspondente. No caso brasileiro, como em outros ao redor do mundo, há duas confederações: a CBSk e a Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação (CBHP). Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, a CBSk foi responsável pela modalidade que trouxe três medalhas de prata para o Brasil: Rayssa Leal e Kelvin Hoefler no street e Pedro Barros no park.
Em 2023, a World Skate deu um ultimato, solicitando que as confederações passassem por uma fusão ou que o Comitê Olímpico do Brasil indicasse qual seria a responsável pela modalidade nos Jogos de Paris. Essa postura levou diversos skatistas brasileiros, como Rayssa Leal e Pedro Barros, a se posicionarem a favor da CBSk e contra essa fusão.
Em janeiro deste ano, a World Skate chegou a desfiliar a CBSk e transferiu a gestão para o COB a poucos meses das Olimpíadas. No entanto, a Confederação Brasileira de Skateboarding recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS) e retomou, de forma provisória a gestão da modalidade para os Jogos de Paris, mas a entidade segue desfiliada da federação internacional. Na França, mais duas medalhas foram conquistadas: a prata de Augusto Akio no park e o bronze de Rayssa Leal no street.
Com essa decisão do COB, assinada pelo presidente Paulo Wanderley, a novela parece caminhar para seus capítulos finais. O caminho que as entidades devem seguir, caso a WS aceite essa indicação, é a criação de uma terceira entidade (Brasil Skate), abrangendo tanto a CBSk quanto a CBHP. Essa foi uma sugestão da própria federação internacional no início do ano.
A carta do COB também menciona essa possibilidade, reforçando que a gestão e o orçamento do skate devem permanecer com a CBSk.
“Portanto, no caso de que uma solução passe pela criação de uma terceira entidade para a representação do Brasil, abrangendo tanto a CBSk quanto a CBHP e, independentemente de quem atuará como representante dentro da organização e das assembleias da WS, o controle e a gestão da disciplina de skateboarding e dos orçamentos correspondentes devem permanecer com a CBSk. Isso é crucial para servir adequadamente ao nosso esporte, nossos atletas e a participação do Brasil no próximo ciclo olímpico.”
O comunicado do Comitê Olímpico do Brasil pegou a CBHP de surpresa, que foi informada apenas na manhã desta terça-feira. Em contato com a reportagem, o presidente Moacyr Jr. se manifestou.
"O documento enviado pelo COB à World Skate, expressa exatamente o conteúdo de minha proposta original feita presencialmente à CBSK em 2017, na sala de reuniões do próprio COB, que coordenou a tentativa de um acordo. Entretanto, e de desde então, a CBSK nunca aceitou uma união com a CBHP, tendo até mesmo realizado duas Assembleias para manter esta posição."
"Lamentamos apenas que toda esta situação tenha sido protelada por todos estes anos, apesar das reiteradas tentativas propostas por parte da CBHP no sentido de se encontrar a melhor solução no Brasil, para a gestão de todos os esportes sobre rodas sob a tutela da World Skate. Tudo isto está nos autos do processo movido pela CBSk no CAS, cuja sentença deve ser emanada em breve. Por fim, reiteramos nossa posição de cumprir com os Estatutos da World Skate, a quem cabe a incumbência de resolver em definitivo este assunto, após a sentença do CAS."
VEJA A CARTA COMPLETA DO COMITÊ OLÍMPICO DO BRASIL
"Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2024.
Ofício: 0882/2024 PW/is
Ilustríssimo Senhor Sabatino Aracu
Presidente World Skate
Prezado Senhor Presidente,
O Comitê Olímpico do Brasil declara, para os devidos fins, que a Confederação Brasileira de Skateboarding (CBSK), fundada em 06 de março de 1999, é associada ao Comitê Olímpico do Brasil (COB) na categoria “filiada”, uma vez que é vinculada à respectiva federação internacional, a World Skate, possuindo sob sua efetiva administração no Brasil as modalidades Park e Street, que integram o programa dos Jogos Olímpicos de Verão.
A CBSK vem exercendo plenamente todas as suas atribuições na gestão da modalidade do país, realizando competições nacionais e promovendo a participação de atletas brasileiros em competições internacionais.
Além disso, a CBSK vem executando regularmente ações em prol da preparação de atletas com os recursos que lhe são repassados pelo COB, tendo organizado delegações e apoiado a preparação de atletas para a participação nos últimos dois Jogos Olímpicos.
Por essas razões, a CBSK é a entidade que, segundo as regras internas e a equipe técnica do COB, possui a atribuições para planejar e gerenciar o skateboarding no ciclo olímpico de 2025- 2028, com diversas ações já em andamento e planejadas até o final de 2024 e para o ano de 2025.
Portanto, no caso, como parece ser possível, de que uma solução passe pela criação de uma terceira entidade para a representação do Brasil abrangendo tanto a CBSK quanto a CPHB e, independentemente de quem atuará como representante dentro da organização e assembleias da WS, o controle e a gestão da disciplina de skateboarding e dos orçamentos correspondentes devem permanecer com a CBSK. Isso é crucial para servir adequadamente ao nosso esporte, nossos atletas e a participação do Brasil no próximo Ciclo Olímpico. A transferência da gestão das disciplinas de skateboarding para outra entidade sem qualquer envolvimento prévio ativo no skateboarding colocaria em questão o significativo desenvolvimento deste esporte alcançado em nosso país, e isso sem razão.
Esperamos que a WS aceite e, de fato, apoie a implementação de uma solução nesse sentido e apreciaríamos sua confirmação a esse respeito.
Saudações Olímpicas,
Paulo Wanderley Teixeira
Presidente"
