Quem aqui nunca viu uma prova das Olimpíadas e, sem nenhum pudor, olhou para o lado e falou (ou pensou em sua solidão): isso até eu faria.
Pois nós temos uma notícia a você, fã de esporte: isto – tiro com arco – você não faria...
Líder do ranking mundial, Marcus D'Almeida compete neste domingo (4) pela sonhada e inédita medalha no esporte de altíssima precisão. O único representante do Brasil disputa as oitavas de final contra o sul-coreano Kim Woojin, às 5h09 (de Brasília), e pode avançar até a final, marcada para o mesmo dia, às 9h46.
Independentemente de conseguir a medalha ou não, é fato que o atleta brasileiro é um dos poucos do mundo capaz de fazer um movimento quase improvável mesmo para os profissionais do esporte: acertar na mosca.
A expressão significa atingir em cheio um alvo de 4 centímetros mesmo posicionado a 70 metros de distância, segundo as regras das Olimpíadas, com uma flecha que mede 78,74 centímetros e um arco que, francamente, não parece nada confortável de manejar.
Achou difícil? Pois Marcus D'Almeida fez isso há poucos dias em Paris.
Na disputa contra o japonês Fumiya Saito, por uma vaga nas oitavas de final, o brasileiro conseguiu o "tiro perfeito" durante a vitória que lhe valeu a classificação.
Além dele, apenas outra atleta que disputa as Olimpíadas na França, a sul-coreana Nam Suhyeon, conseguiu o mesmo movimento, nas quartas de final contra a indiana Choirunisa Diananda.
Difícil, não? Pois tem algo ainda mais raro e improvável, que até tem um nome especial a quem consegue.
Se um mesmo atleta acerta um tiro perfeito e depois repete o feito, com uma flecha em cima da outra, isso se chama "Robin Hood", homenagem óbvia ao "príncipe dos ladrões", mítico herói e um dos arqueiros mais famosos da literatura e do cinema.
Quando isso acontece, e a segunda flecha parte a primeira no meio, quem consegue a façanha ganha até um prêmio: a possibilidade de levar a flecha "sobrevivente" para casa, como uma lembrança de sua precisão.
Vale mais que a medalha de ouro olímpica? Possivelmente não, mas é uma prova concreta de que o que você faz é único.
Em uma projeção "otimista", o site archerypassion.com coloca que cada tiro na modalidade tem uma chance em 4 mil de ser um Robin Hood.
E aí, você realmente pode dizer "até eu faria" sobre isso?
