A promessa de profissionalização da arbitragem no Brasil trouxe muita expectativa, mas eu sempre avisei que seria apenas um passo importante, não a solução para todos os problemas. Estamos chegando na 16ª rodada do Brasileirão e às oitavas de final da Copa do Brasil, e as polêmicas continuam, vezes com lances interpretativos, mas outras com erros graves e claros.
Recentemente, fiz uma enquete em meu perfil no Instagram, perguntando a percepção dos seguidores com a profissionalização dos árbitros da CBF. “Segue tudo igual” foi a resposta mais votada, com 47%, seguida de perto por “a arbitragem piorou”, 46%. Só 7% afirmaram que “já era possível ver melhora”.
Sempre falo: o que vemos no campo é o produto final. E, se ele é ruim, é porque o processo é falho. As comissões de arbitragem, os instrutores, as orientações, os treinamentos, entre outras coisas, não possuem as qualidades necessárias para que o produto entregue seja como esperado.
É possível observar isso na última reunião da comissão da CBF com os seus árbitros. Não é um procedimento novo, ocorre há alguns anos a chamada “Devolutiva”, que é uma reunião do órgão para falar dos lances polêmicos da rodada com o seu quadro de profissionais.
Durante a devolutiva desta última quarta-feira (13), a comissão tratou de alguns lances, mas não citou, por exemplo, se Anderson Daronco acertou ou errou ao não expulsar Bobadilla, do São Paulo, pelo gesto na comemoração do gol contra o Corinthians. Também deu um parecer bem polêmico sobre o gol anulado do Palmeiras contra o Remo.
Regildenia de Holanda Moura, que faz parte da comissão, conforme pude apurar através de mais de uma fonte, falou para os árbitros o seguinte em relação ao gol anulado do Palmeiras, de forma resumida:
“A gente não vai florear muito. A Fifa mudou a regra em 2021 e, a partir daí, ela passou o entendimento que não é uma mão sancionável (ou seja, não seria infração de Flaco Lopez). No entendimento da comissão esse gol tem que ser validado.”
Porém, ela completa dizendo que a recomendação da Fifa é a seguinte: se o campo perceber a mão de qualquer jogador no ataque, essa mão tem que ser considerada falta. Mas isso tem que ser no campo de jogo, a arbitragem no campo tem que marcar para não gerar a revisão. Caso o campo não veja, o VAR não deve sugerir revisão, pois aí tem que cumprir a regra.
É assustador como a regra existe, mas as orientações insistem em ser contra. Então, para que a regra? Essas orientações confundem os árbitros, eles não sabem se cumprem as regras ou as orientações.
Essas orientações trazem a falta de critério. Por exemplo, qual a diferença entre o gol validado do Flamengo contra o Corinthians em 2022 na CONMEBOL Libertadores, o gol do Corinthians anulado contra o Peñarol no último dia 30 na mesma competição e agora o gol anulado do Palmeiras? Nesses três exemplos, pela orientação, todos os gols deveriam ser anulados. Mas, pela regra, todos deveriam ser validados...
A orientação desorienta todos que acompanham o futebol.
Um adendo: é importante citar que é necessário, nesses lances, analisar se o braço é acidental ou deliberado, pois um braço deliberado sempre será sancionável.
