Como técnico ajudou Beatriz Dizotti a ficar menos nervosa na final e faz brasileira sonhar com medalha em 2028

Beatriz Dizotti, atleta brasileira da natação, e o técnico Fernando Possenti (desfocado) nas Olimpíadas de Paris 2024. Luiza Moraes / COB

Beatriz Dizotti realizou seu sonho ao disputar a final olímpica dos 1500m livre na Arena Paris de La Defénse. Ela terminou em 7º lugar e foi a primeira brasileira a ficar entre as 8 melhores da prova. Inclusive, ela é apenas a 7ª mulher do Brasil a chegar em uma final da natação em Jogos Olímpicos.

No entanto, para chegar até aqui, Bia contou com o apoio de muita gente.

Depois de nadar a prova mais longa das piscinas de Paris, Beatriz Dizotti contou como toda vez que ela cai na água, ela não está sozinha.

"Eu nadei com a minha família, nadei com o meu técnico, minhas colegas de treino e o Brasil inteiro comigo. Nadar os 1500m não é uma prova fácil, mas eu sabia o que eu tinha treinado", disse a recordista brasileira da prova com o tempo de 16:01.95.

"Infelizmente, não foi o sub-16 que eu queria e não consegui ganhar a 5ª colocação, mas foi minha segunda melhor marca da vida. Quem é do esporte sabe o quão difícil é a gente repetir essas marcas."

"Eu vim de cabeça blindada e pronta pra competir. Se eu estiver treinando bem, o Fernando (Possenti, seu técnico) vira pra mim e fala, você está pronta e eu confio nele. Isso é muito importante pra mim."

O recorde da brasileira foi alcançado no Mundial de Esportes Aquáticos do ano passado, em Fukuoka, no Japão. No entanto, engana-se quem pensa que o 2023 de Bia Dizotti foi fácil.

Em dezembro, ela passou pela cirurgia no ovário a menos de 10 meses dos Jogos Olímpicos e foi muito questionada por essa decisão. Nesse momento de recuperação, a família, a psicóloga e o treinador foram essenciais.

"Você não acha que foi muito arriscado você operar? Você acha que você vai se recuperar a tempo?", escutou a nadadora.

"A partir do momento que eu soube que ia ter que passar por tudo que eu passei, confiei no meu técnico, que disse que ia dar tempo de chegar aqui bem pra competir."

O treinador é Fernando Possenti, um dos principais do Brasil e que treina diversas atletas da seleção brasileira.

"Simplesmente, eu me entreguei e confiei no trabalho dele. Trabalhei duro todos os dias desde que eu voltei a treinar pós-cirurgia. A cada competição, eu voltava a treinar mais forte e sempre viver processo, que é mental."

Essa volta aos treinos foi muito desafiadora para a Bia, que ainda nem tinha completado 24 anos.

"Você não vai voltar para os seus melhores tempos e não vai fazer sua melhor marca na próxima competição. No alto rendimento, a gente é um pouco imediatista, a gente quer voltar o mais rápido possível. Muitas vezes na competição, eu me questionava o que estou fazendo aqui?"

Nessa hora, a família, a psicólogia e o técnico entravam em ação.

"Falei para o Fê (Possenti), por favor me ajuda, eu preciso de ajuda. Eu tenho sonhos grandes, me ajuda a realizar esses sonhos."

Foi sonhando alto que Beatriz Dizotti chegou a uma final inédita para a natação brasileira, mas ela não está satisfeita.

"Dá para sonhar com uma medalhinha em 2028. Como o Fê (Possenti) diz, sonhar grande ou sonhar pequeno dá o mesmo trabalho, então vamos sonhar alto e vamos ir atrás disso."

Essa mentalidade trabalhada pelo técnico fez até com que Bia ficasse menos nervosa na final do que na eliminatória, mesmo nadando ao lado da lenda Katie Ledecky.

"Quando a gente está tranquila com o que a gente fez, a gente fica mais tranquilo com nós mesmos. O Fê diz que a cobrança não é com o que a gente vai fazer, é com o que foi feito. Estava tranquila com o que eu entreguei."

Para completar, a família de Beatriz veio até Paris para apoiar a brasileira, que foi as lágrimas quando falou sobre seus parentes.

"Sou muito ligada a eles, eles vieram em sete e meu primo guardou dinheiro pra vir pra cá. Então, eu só tenho a agradecer todo o apoio, nos altos e nos baixos. É isso, vamos sonhar mais alto."

A Bia agradece, e o Brasil também, por levar a bandeira do país para a final de uma das provas mais difíceis da natação.