Agora Luca Kumahara, do tênis de mesa, entrou para a história do esporte ao se tornar o primeiro atleta transgênero do tênis de mesa
O dia 13 de setembro de 2022 é histórico para o esporte brasileiro: Luca Kumahara se tornou o nosso primeiro atleta transgênero no tênis de mesa.
Você pode se lembrar no nome Caroline Kumahara. Afinal, esse é o nome do segundo maior atleta brasileiro nas categorias femininas no tênis de mesa, com participações em três Olimpíadas (Londres-2012, Rio-2016 e Tóquio-2020).
Mas Caroline Kumahara não existe mais. Agora é Luca Kumahara.
“Para mim a palavra transição é até um pouco fora do contexto. No termo, ela faz sentido, mas para mim, no meu caso, eu nunca me entendi como menina, eu nunca me senti uma menina. Então, desde criança, desde as primeiras lembranças que eu tenho, eu sempre me senti um menino”, disse Luca.
“Falei: ‘Poxa, eu posso mudar de nome, eu posso hormonizar, se eu quiser, eu posso fazer cirurgia, se quiser. Se eu não quiser, também está tudo bem’. Uma coisa que eu entendi, que a transição ocorre a partir do momento que você fala para as pessoas. Ela ocorre no momento que você se entende, mas também quando você fala, aquela coisa mais externa. Quando as pessoas sabem, você não precisa passar por nenhum procedimento para a transição ocorrer”, seguiu.
“Eu pensei: ‘Poxa, eu não preciso viver assim para sempre’. Porque era uma questão que eu tinha muito me conformado que ia ser dessa forma. Eu me entendia de uma forma, mas para o mundo, o mundo ia me enxergar de outra forma. Eu nunca ia poder ser eu mesmo. Esse momento foi crucial para eu tomar essa decisão de falar para o mundo, as pessoas podem fazer essa adaptação. A gente pode passar por essa transição, passar por essa mudança e eu continuar fazendo minhas coisas, continuar vivendo do esporte. Tudo”, completou.
Luca contou que teve total apoio dentro de casa, com a família e com os amigos. No esporte, também recebeu um carinho fundamental de todos – treinadores, atletas e Confederação.
A ideia agora é seguir disputando a categoria feminina até os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. Por isso, ainda não fará nenhum tipo de procedimento no corpo, para que siga se enquadrando nos padrões exigidos no esporte.
Um dia, porém, o sonho é conseguir disputar jogos no masculino.
“A minha ideia é que eu vou competir um dia no masculino. A minha ideia era tornar público só quando esse dia chegasse. Eu ilustro que essa caixinha sempre esteve dentro de mim, mas eu deixava ela fechada em um canto, eu não mexia nela. A partir do momento que eu abri, comecei a falar sobre isso, parece que veio tudo à tona. E eu me dou o direito de sentir tudo isso, porque foram 25 anos mais ou menos guardando isso dentro de mim. Enquanto esse dia não chega, eu decidi tornar isso público, para tornar esse desconforto de ainda não poder jogar no masculino menor”, disse.
“É bem difícil a decisão de continuar jogando no feminino. Porque para mim é uma coisa muito importante que eu estou esperando há muito tempo para fazer. Então, assim, ter que esperar mais por questão profissional é bem difícil. Mas é colocar na balança e saber que é uma decisão para vida toda”, completou.
