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Durinho comenta aposentadoria e revela desejo de lutar no UFC BJJ: 'Se rolar cinturão, vou com tudo'

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Gilbert 'Durinho' Burns abre o jogo sobre aposentadoria do UFC e revela próximos passos no MMA (2:55)

Gilbert Durinho concedeu entrevista exclusiva à ESPN (2:55)

O mundo do MMA se despediu do Gilbert Durinho após o brasileiro anunciar sua aposentadoria no UFC Canadá, no dia 18 de abril, após ser nocauteado no terceiro round por Mike Malott. Passadas quase três semanas desde sua decisão, o brasileiro falou com exclusividade com o ESPN.com.br e refletiu sobre seu anúncio, anunciou planos futuros, garantindo algumas surpresas já para essa semana.

Pouco depois da luta, Durinho reforçou que sua aposentadoria não tinha sido planejada, sendo na verdade uma decisão do momento, após avaliar sua performance contra o então desrankeado Mike Malott. 18 dias após seu anúncio, Durinho mantém a história, mas aproveita o momento para esclarecer seus motivos que o fizeram anunciar sua despedida ainda em cima do octógono.

"Foi uma decisão que foi meio que em cima da hora. Por quê? Porque eu achava que eu ia ganhar. E, quando eu perdi, eu falei: 'Ah, meu irmão, chega'. Tive aquela sensação de que eu deixei tudo ali. Dei meu máximo, tentei derrubar, me dediquei para caramba no treino e não consegui. É o primeiro cara que eu lutei que não era ranqueado que conseguiu me vencer", explica Durinho.

"Tomei a decisão ali, quando eu vi que era um cara que não era ranqueado, que é muito bom, mas não é do topo. Então, quando eu falei: 'Se eu não conseguir ganhar desse cara, eu acho que deu pra mim'. E tomei essa decisão. Estou em paz. E já comecei a transição ali para o próximo capítulo", pontua.

Passados 18 dias dessa decisão "surpresa", Durinho ressalta estar em paz com o anúncio, ainda concordando com tudo que pensou e sentiu ainda em cima do octógono do UFC Canadá. Após algumas reflexões e orações, o brasileiro garante que está certo de que vai viver uma nova fase na vida.

"A melhor certeza, quando tomamos uma decisão, é se a gente tem paz. Se eu ficasse pensando: 'acho que ainda dá', aí não teria sido uma boa decisão, mas o pensamento que veio foi de paz, de que deixei tudo lá, fiz várias lutas e recebi várias mensagens. Eu acho que eu entrei no esporte para ser campeão, para ser o melhor. Com esse objetivo, eu conquistei vários outros, uma independência financeira, um respeito dos fãs, um reconhecimento."

"Eu não tenho vontade nenhuma de lutar no MMA, zero. Lógico que se alguém me oferecessem uma grana muito boa com um oponente muito fácil, eu falaria sim. Mas não tenho interesse nenhum de lutar bare knuckle (boxe sem luvas) ou de lutar boxe. Estou amarradão em abrir minha academia, curtir minha família, viajar, dar uns seminários. É isso que eu quero fazer agora. Estou muito contente, muito feliz com as decisões que eu tomei ultimamente", explica.

Os planos para a carreira

Durinho destaca que, apesar da aposentadoria, seu "próximo capítulo" pode ser ainda mais trabalhoso. Ambicioso, o brasileiro revela algumas carreiras que pretende seguir agora que está longe dos octógonos: a de empresário de atletas de MMA, dono de academia e - por último, mas não menos importante - o retorno aos tatames de jiu-jitsu.

Do lado do jiu-jitsu, esporte onde Durinho já foi campeão mundial, seu retorno promete não só ser em breve, como em grande estilo. Presença já confirmada no evento Connect Heroes, que acontece no Rio de Janeiro no dia 11 de julho, Gilbert ainda deu um "spoiler" que o UFC BJJ, evento exclusivo da modalidade no Ultimate, era um objetivo.

"Ser remunerado fazendo jiu-jitsu vai ser um sonho. Eu já fiz bastante lutas. Antes de virar UFC BJJ, teve o UFC Fight Pass Invitational, lutei uma versão deles, e foi bem legal. Foi muito organizado. E hoje em dia o UFC BJJ é um objetivo sim. Sem dar spoiler aqui, eu acho que em breve eu vou estar lutando ele aí. Vai ter novidade em breve", explica Durinho.

"E meu objetivo é continuar ativo, continuar lutando, continuar me desenvolvendo como atleta. Estou fazendo quarenta anos, então para o MMA, eu parei na hora certa, mas no jiu-jitsu ainda tenho muita lenha para queimar. Se rolar uma oportunidade de cinturão, vou com tudo. Ainda é um cinturão do UFC, então ainda está no objetivo", detalha.

Mas, além do seguimento na carreira atleta, Gilbert também entrará para o mundo dos negócios a partir de agora. Além das promessas ambiciosas para o jiu-jitsu, Durinho também crava que terá um anúncio importante no mundo do agenciamento de lutadores.

"Eu sempre quis ser manager. Eu quero ajudar o atleta a se tornar uma marca e, ao mesmo tempo, fechar boas lutas para ele. Já tenho um contrato que está quase fechado também. Eu consigo anunciar essa semana. Na verdade, eu acabei de falar com o time dele e os treinadores dele ficaram muito felizes. É brasileiro, já tem uma luta no UFC e agora a gente vai estar trabalhando a carreira, a imagem e as lutas dele", revela Durinho.

"E eu estou abrindo uma academia aqui em Boca Raton (Cidade na Flórida), demorou um pouquinho para sair a autorização, era para eu ter pego a chave no dia primeiro. Me deram umas três semanas para eu pegar a chave. Já está comprado, já está tudo certo", finaliza.

Prates é o maior meio-médio brasileiro da história

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2:22
Gilbert 'Durinho' Burns rasga elogios a Carlos Prates: 'Um em cem milhões'

Gilbert Durinho concedeu entrevista exclusiva à ESPN

Após a vitória sobre Jack Della Maddalena no último sábado (02), Carlos Prates alçou seu nome ao topo da categoria até 77kg. Além disso, o "Pesadelo" entrou uma conversa ainda mais prestigiosa: a de maior brasileiro da história da divisão.

Sendo a única divisão até hoje sem um campeão brasileiro, os meio-médios ainda assim tiveram dois nomes que se destacaram mais que quaisquer outros: Demian Maia e o próprio Gilbert Durinho. Humilde, Burns elogia muito o rendimento de Prates - se dizendo surpreso pela facilidade com que o "Pesadelo" venceu - mas disse ainda não o colocar como maior da categoria, posto que ele não dá nem a si mesmo.

"Então, na minha opinião, o maior até agora ainda é o Demian Maia, o cara que tem inúmeras finalizações. Não tenho um ego de me achar o número um, estou entre os três, quatro ali. O Rafael dos Anjos também disputou o cinturão interino contra o Colby Covington, é um cara que tem muita história", explica.

"O Carlos Prates é um caso muito raro. Porque o cara fuma, bebe... e é muito brabo, ele é sinistro. Ele matou o Jack Della Maddalena. Eu fiquei de cara, não imaginava que ele ia espancar o cara. E, para mim, pode ser o primeiro campeão brasileiro do peso meio-médio sim. Vou estar na torcida, quero que aconteça", finaliza.