Em ascensão no UFC e vivendo seu momento mais importante da carreira, Carlos Prates faz questão de manter os pés no chão enquanto se aproxima de uma possível disputa de cinturão.
Escalado para enfrentar Jack Della Maddalena no UFC Perth deste sábado (02), em um duelo com cara de eliminatória por título, o brasileiro chega embalado, confiante e, acima de tudo, fiel ao próprio estilo.
A preparação para o combate seguiu um roteiro diferente apenas nos detalhes. Prates optou por chegar mais cedo à Austrália, não por necessidade física, mas por estratégia e equilíbrio emocional.
“Foi tudo tranquilo. Eu resolvi vir um pouquinho antes pra ficar com a minha filha, trouxe minha mãe, parceiros de treino e os treinadores pra se acostumar com o clima e o fuso”, explicou, em entrevista exclusiva à ESPN.
Sem lesões ou intercorrências, o camp seguiu o padrão que vem dando resultado, algo que reflete diretamente na segurança que ele demonstra às vésperas da luta.
Essa confiança, aliás, contrasta com o tamanho do momento. Em meio a uma ascensão meteórica e cada vez mais atenção do público e da mídia, Prates garante que não se deixa afetar pela pressão.
“Eu nem penso muito nisso de pressão. Só gosto de chegar lá e dar o meu melhor. Um trabalho bem feito na base, o resultado vem”, afirmou. Mas se o entorno não o abala, a importância da luta é reconhecida sem rodeios.
“Com certeza é a luta mais importante da minha carreira”, admitiu, ciente de que uma vitória pode colocá-lo frente a frente com o campeão Islam Makhachev ou, no mínimo, consolidá-lo como próximo desafiante. E ele não foge dessa responsabilidade.
“Depois de ganhar dois campeões, vou mostrar que estou pronto”, completou.
Dentro do octógono, a promessa é de um Prates agressivo, como de costume. Diante de um adversário conhecido pelo boxe técnico e volume de golpes, o brasileiro não pretende mudar sua essência.
“Meu jogo é sempre o mesmo: machucar, fazer ele desistir mentalmente e depois nocautear”, resumiu. Mais do que estudar excessivamente o rival, a estratégia gira em torno de impor seu ritmo e explorar brechas a partir da pressão constante.
Essa mentalidade também explica uma mudança de rota interessante. Questionado sobre a possibilidade de investir no grappling, especialmente após o domínio de Makhachev sobre Della Maddalena, Prates foi direto: “Desisti de agarrar. Quero bônus. Agora são 100 mil dólares”.
A fala escancara o objetivo não apenas de vencer, mas de entregar espetáculo, algo que pode impulsionar ainda mais sua popularidade dentro da organização.
Parte dessa confiança vem do impacto causado em sua última apresentação, quando nocauteou o ex-campeão Leon Edwards. “Foi a primeira luta contra um ex-campeão. Tem um gostinho especial”, relembrou.
A vitória serviu como cartão de visitas definitivo para o grande público e, ao mesmo tempo, como combustível para voos maiores. Ainda assim, ele faz questão de destacar o equilíbrio emocional: manter o “pé no chão” segue sendo prioridade.
Mesmo atuando na casa do adversário, Prates minimiza qualquer influência externa. A atmosfera hostil, comum em eventos internacionais, é tratada como detalhe irrelevante diante da concentração exigida no momento da luta.
“Quando fechar a jaula, vai ser eu e o Jack. Isso não influencia”, garantiu.
De olho no futuro, o brasileiro adota cautela. Apesar das especulações envolvendo grandes eventos e possíveis convites de última hora para lutar na Casa Branca, ele deixa claro que não pretende atropelar etapas.
“Quero estar bem preparado. Não estou afim de aceitar luta de última hora”, afirmou, evidenciando um planejamento de carreira bem definido.
Sobre um possível encontro com Makhachev, o respeito é evidente, mas a ambição fala mais alto. “Ganhar dele vai me fazer subir vários degraus”, disse, reconhecendo o desafio imposto pelo grappling do russo, atual número um do ranking peso por peso.
Em cenários paralelos, como uma eventual superluta envolvendo Ilia Topuria, Prates analisa com olhar técnico: “Acho que o Makhachev teria vantagem pelo tamanho, mas seria uma luta muito boa”.
Enquanto o topo da divisão se movimenta, ele prefere não se prender a fatores externos. “Pode acontecer, mas não está no meu controle”, comentou sobre possíveis travamentos na categoria. A lógica é simples: foco total no que pode ser executado dentro do octógono.
Entre os nomes que mais admira atualmente, ele cita atletas completos como Ian Garry, além do próprio Makhachev e de Michael Morales. Com Garry, inclusive, existe a possibilidade de uma revanche, algo que o brasileiro já trata com naturalidade. “É consertar os erros da primeira luta e meter marcha”, resumiu.
Por fim, ao falar de sonhos, Prates não esconde o desejo de lutar em casa. “Seria uma honra lutar no meu país”, afirmou.
Fora do cage, a conexão com o Brasil também passa pelo futebol: torcedor declarado do Sport Club Corinthians Paulista, ele reforça suas raízes e mostra que, apesar do momento global, segue profundamente ligado à própria origem.
Entre confiança, agressividade e planejamento, Carlos Prates vai desenhando sua trajetória rumo ao topo,uma luta de cada vez, mas com o cinturão cada vez mais no horizonte.
Onde assistir ao vivo ao UFC Fight Night:?
O UFC Fight Night, neste sábado (2), terá transmissão pelo Paramount+ (pay-per-veiw) a partir de 4h (card preliminar) e 8h (card principal).
