Norma Dumont enfrenta Joselyne Edwards no co-evento principal do UFC Vegas 116. A brasileira chega na luta em uma sequência de seis vitórias e à beira de um title shot, a Imortal vive um futuro incerto no Ultimate, mesmo se conquistar mais um triunfo.
Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, a mineira apontou estar em um bom momento físico antes de seu embate com Joselyne, passando por um camp livre de lesões. Atual terceira colocada do ranking, a brasileira vê o topo de sua divisão "congelado" por um misto de adversárias inativas e uma disputa por cinturão colocada "em espera".
Passando mais de um ano afastada dos octógonos por falta de oponentes, Norma retornou ao UFC no 1° de novembro de 2025, quando venceu Ketlen Vieira. Antes disso, entretanto, viu sua oponente original para o confronto - a ex-campeã Raquel Pennington - sair da luta, que originalmente aconteceria em setembro.
Agora, contra Joselyne, a história se repetiu. Tentando manter seu status como contender n°1, Norma aceitou lutar com Yana Santos. A russa, entretanto, se lesionou e teve que ser substituída pela panamenha, que atualmente ocupa a décima primeira posição do ranking - oito abaixo da brasileira.
Ganhando a fama de lutadora mais "azarada" do UFC - devido ao grande número de cancelamentos e à dificuldade de encontrar oponentes - Norma rechaça essa alcunha e explica que sua situação difícil não foi causada por má-sorte.
"Não é azar. Realmente, muitas vezes, são escolhas das adversárias. Acredito que a Yana realmente tenha se lesionado, porque era uma grande oportunidade pra ela também. Mas a Raquel, por exemplo, correu, corre até hoje, não voltou a lutar, porque toda vez que ela ameaçou voltar, o UFC ameaçou casar ela comigo e ela deu para trás", crava Norma.
"A Julianna (Peña), não é azar, é porque ela realmente não quer. O possível interino com a Amanda, não foi azar, foi uma escolha dela não aceitar. Eu estou acostumada. Quando fecha o camp ali, eu já fico pensando: será que vai até o final esse camp, será que muda a data, muda o adversário, às vezes muda os dois."
Mas, se as duas primeiras colocadas do ranking não querem lutar com a Norma, porque não esperar o title shot? E por que aceitar a luta com uma adversária oito posições abaixo do ranking? Para a brasileira, tudo se resume à necessidade de trabalhar, para ganhar dinheiro, manter seu nome na fila pelo cinturão e poder, pelo menos, apontar sua revolta em entrevistas.
"Eu quero trabalhar. Eu não posso ficar esperando, infelizmente. Eu sei que muitos dos meus fãs querem que eu fique esperando a luta perfeita, mas eu tentei. Eu ainda falei: a primeira não quer, a segunda não quer, vamos tentar pelo menos até a cinco, para ainda fazer sentido. Não conseguimos. A única coisa que eu quero é trabalhar, porque se eu ficar esperando a divisão fechar a luta comigo, eu fico sem lutar", explica Norma.
Confiante em suas habilidades, Norma não enxerga Joselyne como um grande desafio em seu longo caminho até o cinturão. Reforçando seu estilo "completo" de lutadora, a mineira não enxerga caminhos para a panamenha - que vem numa sequência de quatro vitórias pela via rápida - se impôr.
"A Joselyne é uma atleta que tem um poder de fogo, mas as adversárias que ela enfrentou até hoje foram de um nível mais baixo. Quando ela pegou oponentes mais inteligentes, mais versáteis, ela realmente perdeu de forma dominante. Obviamente, eu sei todos os riscos, mas no papel, não é uma luta que seria muito difícil para mim, pelo fato de eu ser uma atleta mais habilidosa, mais ágil e mais veloz", explica a "Imortal".
Se, então, Joselyna não passa de uma pedra no caminho de Norma, qual o grande plano da "Imortal" para seu futuro após o embate? O cinturão da divisão está "em espera" desde janeiro, quando Kayla Harrisson cancelou sua luta contra Amanda Nunes no UFC 324.
Por causa dessa situação, Norma é pouco categórica quando fala de sua próxima luta. Estando em uma divisão em que as duas mulheres que disputarão o cinturão tem mais de 35 anos, a "Imortal" tem poucas certezas de qual será o seu futuro dentro do Ultimate.
"Cara, com toda sinceridade, eu não faço ideia (de quando vou lutar pelo título). Existem muitos problemas, porque o primeiro a luta do cinturão não aconteceu. O UFC cogitou um interino entre eu e a Amanda. A Amanda recusou porque ela quer a luta contra a Kayla Harrison. Ou seja, meu nome estava ali, era a possibilidade que o UFC queria. Aí caiu e tive que esperar. A Kayla já anunciou que se ela vencer, ela vai querer ou subir de categoria ou uma última luta no meia-um contra a Valentina, o que eu acho um absurdo. Não sei se o UFC vai fazer isso, mas se a Valentina quiser e a Keila quiser as duas sendo campeãs, pode sim ter um peso e as duas conseguirem essa luta. E aí eu ficaria mais uma vez na espera."
"Temos a possibilidade da luta acontecer e ser uma luta parelha e o UFC querer uma revanche. Porque é uma luta que vai vender. Temos a opção da Amanda vencer, que, inclusive, é a que eu cogito sendo a melhor para mim, e defender no cinturão depois comigo. Mas existe a possibilidade também dela aposentar logo em seguida. Então você entende que para mim, eu não tenho como ficar esperando esse title shot, porque tem muitas possibilidades depois dessa luta das duas? Nenhuma das duas até agora bateu no peito e falou: Se eu vencer, a próxima é a Norma", explica a mineira.
Mas e a possibilidade de voltar para as galos, divisão original da Norma que foi extinta pelo UFC, caso a campeã Kayla Harrisson tenha seu desejo de subir de categoria atendido pelo UFC? Dumont também não vê isso como um caminho, e sim mais uma forma de atrasar seu progresso entre as lutadoras de até 61kg.
"Quando tinha a possibilidade de fazer uma grande categoria, tinha a Amanda, a Kayla, a Cris, ela (Kayla Harrisson) não quis, ninguém quis. Eu chamei todas as atletas grandes na época. Eu adaptei meu corpo para o meia-um e eu quero agora que se lasque, se abrir a categoria de novo, eu só subiria para uma disputa de título. Fora isso, eu quero que se lasque", diz.
Até lá, em meio a tantas incertezas, Norma só tem uma garantia para o futuro de sua carreira no UFC: "Eu vou fazer o meu trabalho. Eu não tenho como ficar me frustrando ou criando expectativas sobre isso, porque existem muitas possibilidades".
"Eu continuo na mesma posição e sou a próxima contender. Então, com toda sinceridade, não faz mais diferença nenhuma (minha próxima oponente)", finaliza.
