<
>

Diego Lopes mira revanche por cinturão no UFC 325 e explica troca de farpas com Jean Silva: 'Criou essa rivalidade sozinho'

Em uma carreira marcada por desafios inéditos, Diego Lopes construiu sua trajetória no MMA sem repetir adversários. Foram 34 lutas profissionais encarando sempre obstáculos diferentes, até que o destino resolveu quebrar esse padrão no maior palco possível.

Neste sábado (31), no UFC 325, em solo australiano, o brasileiro terá pela primeira vez uma revanche, e ela vale o cinturão peso-pena (66 kg). Do outro lado do octógono estará Alexander Volkanovski, em um reencontro que carrega pressão, história e a chance de conquistar o topo mais alto das artes marciais.

Em entrevista exclusiva à ESPN, Diego Lopes mostrou tranquilidade, confiança e maturidade ao falar sobre a preparação para a maior luta de sua carreira. Prestes a reencontrar o australiano na disputa do cinturão peso-pena no UFC 325, o brasileiro destacou o trabalho realizado ao longo de um camp extenso e planejado com antecedência, algo que, segundo ele, pode fazer toda a diferença em relação ao primeiro confronto entre os dois.

“Me sinto muito bem. O camp foi bem da hora. A gente começou ali em novembro, conseguiu adaptar muita coisa nova, trazer peças-chave e montar uma preparação muito mais competitiva, com mais chances de ganhar do que a primeira luta”, afirmou.

A confiança também passa pelo tempo de adaptação fora do Brasil. Diego e sua equipe estão na Austrália há cerca de um mês, focados em minimizar os impactos do fuso horário e do clima. Aos 31 anos, Diego Lopes entende que vive um momento singular na carreira. Mesmo sem ser um novato em idade, ele ainda se vê em plena curva de crescimento dentro do UFC. Para o brasileiro, a evolução constante é o principal trunfo que pode mudar o rumo da revanche.

Além do peso esportivo, a disputa pelo cinturão carrega um simbolismo especial. Diego pode se tornar apenas o segundo brasileiro campeão dos penas na história da organização, repetindo um feito alcançado por José Aldo. A conexão vai além da categoria: ambos são de Manaus.

“É bem da hora ter essa imagem do Aldo como o primeiro e único campeão brasileiro da categoria. Poder entrar nessa lista junto com ele vai ser muito gratificante, ainda mais porque somos de Manaus. Ser o segundo brasileiro campeão do peso-pena e compartilhar isso com o José Aldo seria especial demais”, destacou.

Durante a entrevista, Diego também comentou sobre sua trajetória fora do Brasil e a relação construída com o México, país onde vive e treina atualmente. Segundo ele, sair cedo de Manaus foi fundamental para alcançar o reconhecimento no esporte.

“Muitos atletas precisam sair do país pra ter sucesso, e eu não fui exceção. Tive que sair muito jovem pra abraçar essa oportunidade no México, e lá os caras me deram muito suporte. Eu continuo representando o Brasil, mas quando perguntam onde eu treino, eu falo México também. É um país que me ajudou muito a chegar onde estou".

Questionado sobre a rivalidade com Jean Silva, Diego foi direto e não evitou o tema. Para ele, o clima de tensão nunca partiu de sua parte.

“Essa pergunta você tem que fazer pra ele. Foi ele quem começou com tudo isso. Eu nunca falei nada. Ele foi criando essa rivalidade sozinho”, disse. O brasileiro reconhece que o confronto acabou sendo benéfico para o rival em termos de visibilidade, mas lembra do resultado dentro do octógono. “Foi bom pra ele porque conseguiu lutar comigo, mas não foi tão bom porque ele apanhou. Não tem muito sentido isso tudo".

Mesmo assim, Diego garante que não se deixa levar por provocações e vê esse tipo de situação como algo comum no alto nível do MMA. “Sempre vai ter alguém querendo tirar sua atenção e seu foco, mas isso não me importa. Sou um cara tranquilo com essas coisas".

Sobre uma possível revanche, a postura é clara: se o UFC oferecer, ele aceita. “Eu aceito toda luta que colocam pra mim. Se for a única opção, não tem por que dizer não".

Dentro do octógono, a promessa é manter o estilo que o levou até a disputa de cinturão. Diego reforça que não pretende mudar sua identidade como lutador. “Pode esperar o Diego que sempre dá tudo. Um cara que vai pra frente, buscando finalizar, dando lutas eletrizantes. Minhas lutas não são chatas, não são só estratégicas. Vou buscar ganhar o cinturão de uma maneira bem convincente".

Por fim, ao olhar para o futuro e para possíveis grandes confrontos, Diego não escondeu o desejo de enfrentar Max Holloway, um nome que ele acompanha há anos. “É uma luta que todo mundo quer ver. O Max é um cara que eu acompanho há muito tempo, tem um estilo que eu gosto bastante. Sempre falei que é um dos caras que eu gostaria de enfrentar".

Antes de qualquer plano adiante, porém, o foco total está no presente. Neste sábado, em território hostil, Diego Lopes entra no octógono com a chance de mudar sua própria história e de escrever um novo capítulo para o MMA brasileiro na divisão dos penas.