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Brasileiro que estreia no UFC é lenda do jiu-jitsu e flertou com aposentadoria precoce: 'Reclamar e chorar não vai adiantar'

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Marcus Buchecha lembra drama antes de assinar com o UFC e 'flerte' com aposentadoria precoce: 'Pior momento da carreira' (2:38)

Lutador concedeu entrevista exclusiva à ESPN (2:38)

Neste sábado (26), o card do UFC em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, vai promover a estreia de um brasileiro na maior liga de MMA do mundo. Seis vezes campeão mundial de jiu-jitsu e maior grappler da sua geração, Marcus Buchecha quer fazer valer o hype com a chegada ao Ultimate e se provará diante do eslovaco Martin Buday nos pesados.

Aos 35 anos, Buchecha assinou com o UFC no início de julho e já teve a sua primeira luta marcada. Mas o brasileiro viveu momentos difíceis nos bastidores antes de migrar de organização, uma vez que em 2021 assinou com o ONE Championship.

Apesar de ter vencido cinco e só perdido uma das seis lutas que tinha em contrato, a estrela do grappling chegou a ficar mais de um ano sem lutar entre 2023 e 2024. Mesmo com o fim do vínculo, ainda precisou esperar mais oito meses antes de assinar com o UFC, o que o fez cogitar até mesmo uma aposentadoria precoce.

"Foi um momento bem complicado, o pior da minha carreira. Querer trabalhar e não conseguir, não poder lutar, estar impedido. Muita gente achando que eu já estava aposentado, mas, infelizmente, não era por vontade própria. Foi difícil, foram vários meses, mas eu sabia o que eu queria, onde eu queria chegar. Eu tive que aguentar os momentos difíceis, eu sabia que depois da tempestade viria o tempo bom. Eu não estava errado, esse tempo ficou para trás, esses dias ruins passaram e agora é só felicidade", disse em entrevista à ESPN.

"O obstáculo virou o caminho. O que está sob o meu controle? Reclamar e chorar não vai adiantar, o que eu posso fazer? Esperar, lutar quando eu tiver a oportunidade. Foi assim que eu mantive o meu pensamento. Fui forte, mas tiveram momentos difíceis que pensei até em me aposentar. Mas eu não ia me aposentar sem ser nos meus termos, eu sabia que quando eu me aposentasse seria do jeito que eu quisesse, ninguém iria dizer a forma que eu iria encerrar a carreira. Isso foi o que me fortaleceu", prosseguiu, celebrando a migração para o UFC.

"Eu sabia o que eu queria, então era uma questão de tempo. Quando eu botei na cabeça que queria lutar no UFC, eu sabia que eu conseguiria se eu focasse nisso, se eu desse o meu melhor e foi o que eu fiz. Depois que terminei a minha sexta luta (no ONE), eu teria que ficar parado algum tempo, mas eu sabia o que iria acontecer, ainda mais da forma que eu terminei o contrato, com cinco vitórias e uma derrota. Eu sabia que tinha grandes chances de ser contratado pelo UFC, então eu sabia que era questão de tempo. O meu contrato terminou, no dia seguinte eu estava contratado pelo UFC e com luta marcada. Foi o final de um capítulo, início de uma nova história."

Sobre a luta com Buday, Buchecha disse com qual espírito chegará ao Ultimate, garantindo que não vai abrir mão dos seus princípios no octógono. Ou seja: a busca será sempre pela finalização.

"O Buchecha é o que todo mundo conhece do jiu-jitsu, o Buchecha que entra para matar ou morrer, que entra para dar o seu melhor, pensando no agora sem pensar no amanhã. Essa foi a forma que eu conquistei tantos fãs, um atleta conquista o seu carisma pela forma que ele luta. Uma coisa que eu aprendi com o meu mestre, Léo Vieira, você vai ser lembrado pelo que você luta e não pelos títulos que você vai ganhar na sua vida. Eu sempre tive isso como um mantra na minha vida e sempre lutei para dar o meu melhor e buscar a finalização, por isso conquistei tantos fãs ao longo da carreira. O Buchecha do MMA é exatamente do mesmo jeito, vou lá para levar a luta para o jiu-jitsu e poder usá-lo com eficiência".