O UFC 312, que será sediado em Sydney, na Austrália, conta com um reforço ilustre do outro lado do mundo: a brasileira Bruna Brasil, atleta da equipe eleita como a melhor do ano no 16° MMA Awards, a Fighting Nerds, enfrenta a chinesa Wang "The Joker" Cong ainda no card preliminar. A lutadora se juntou ao time pouco antes do seu histórico nocaute contra Marnic Mann no Dana White's Contender Series, e hoje é uma das principais representantes da sua filosofia “diferente” em busca de um cinturão.
“A Fighting Nerds foca muito em estudar os adversários. Temos um sistema de jogo de movimentação, de distância muito bem lapidado pelo Pablo [Sucupira, head coach da equipe] e pelo Caio [Borralho, lutador do UFC e cofundador do time]. E o principal é a resiliência de saber lidar com cada atleta, com cada estilo, é uma coisa que o Pablo vem desenvolvendo muito bem”, começa Bruna, explicando os diferenciais de seu time.
A fama da já premiada equipe se tornou tão grande que chama a atenção de outros atletas que buscam segredos: “Uma coisa engraçada que aconteceu, eu estava em Vegas e um atleta aleatório do UFC, chegou e perguntou: me conta um podre dessa equipe, porque não é possível não ter um podre nessa equipe. Aí eu fiquei em silêncio, porque eu olhava pra ele: O que eu vou falar? Todo lugar tem suas dificuldades, tem as suas falhas, mas a Fighting Nerds, e eu acho que é o que o Pablo faz genuinamente muito bem, é como ele lida com os problemas, com as dificuldades. Ele não abraça o problema, ele abraça a solução. Ele é um cara muito resiliente nessa parte, ele não é um cara quadrado, ele é um cara que gosta de evoluir, que olha para frente, tem visão. Então é isso que move a equipe”.
“É isso que faz as pessoas quererem estar lá, a paixão que todo mundo ali tem em aprender, em desenvolver, em criar. Todo mundo que está ali tem o sonho de ser grande. Eu lembro que quando eu cheguei na equipe, o Caio tinha acabado de entrar no UFC, eu fui a segunda atleta da equipe a entrar no UFC, e o sonho do Pablo era ser o maior treinador do mundo, especialmente ter a maior equipe do mundo. Ele sempre falou isso, ele sempre jogou essas palavras para o universo. Então ele sempre acreditou nisso e, acima de tudo, ele trabalhou muito para que a Fighting Nerds ganhasse esse prêmio de equipe do ano.”
“Então eu acho fantástico isso e automaticamente com essa expertise de entender que o mundo do MMA é business, eles desenvolveram essa marca, a Fighting Nerds. Aí o Pablo teve a ideia do óculos e as coisas foram se desenvolvendo. Todo mundo começou a abraçar a ideia, até que o mundo começou a abraçar a ideia. O Caio colocava os óculos em todo mundo que ele via pela frente e fazia tirar fotos. Então foi uma coisa tudo muito bem trabalhada, foi tudo muito bem pensada, não foi por acaso, foi tudo muito pensado meticulosamente”, conclui Bruna.
Mas, apesar de toda a admiração pelo trabalho de Pablo Sucupira na Fighting Nerds, Bruna acabou formando seu próprio time de treinamentos com seus colegas, Caio Borralho e Felipe Buakaw, e sua esposa, Vanessa Messina, estando em seu corner durante sua vitória contra Molly McCann, no UFC 304, em Manchester.
Sobre sua relação com o sexto colocado dos pesos médios do UFC, e também seu técnico, Bruna explica que: “O Caio sempre foi uma referência na equipe, ele é o primeiro atleta a entrar na UFC, é o cara que construiu o time junto com o Pablo, então é um cara que todo mundo olha diferente. Mas eu sempre falo que não é por acaso, ele é um menino de muita luz, ele é um menino coração gigante, ele quer ajudar todo mundo”.
“A gente sempre teve uma relação muito boa de conversa, de trocar ideia, de fazer churrasco na casa dele, ficar resenhando, fofocando, o Caio adora uma fofoca, então a gente sempre está junto. A gente tem uma relação de amizade muito legal, então é um cara que eu busco, quando eu preciso conversar, preciso de uma opinião, preciso de um conselho. E quando ele começou a trabalhar comigo, foi um choque, porque ele é um cara muito gente boa como pessoa, mas como treinador ele é muito rigoroso, muito rígido.”
E foi justamente num momento de dificuldade de Bruna no UFC, logo após uma derrota difícil em um embate contra a tailandesa Loma Lookboonmee, que a relação entre a lutadora e Caio sairia apenas do pessoal e se tornaria também profissional.
“Quando eu perdi a luta para a Loma, eu decidi que eu queria mudar, e ele foi uma das pessoas que mais me abraçou, que mais sentiu no coração que podia fazer alguma coisa pra ajudar. E ele realmente quis fazer parte disso. A gente decidiu que, como tinham muitas lutas acontecendo, o Flávio e o Pablo não estavam conseguindo dar muita atenção, estavam viajando muito. Foi onde eu tive muita conversa com o Caio. Ele me ajudou muito nessa parte, depois da luta, a gente ficou um mês em Vegas, e ele me ajudou muito a lidar com essa parte emocional de ter perdido essa luta, que eu sentia que eu ganhei, que eu tinha tudo pra vencer.”
“Então, eu me identifiquei muito com ele, e ele falou assim: na sua próxima luta, se você precisar, pode contar comigo. E quando veio a luta da Molly McCann, foi uma das pessoas que eu pensei em ligar na hora. E foi exatamente isso que eu fiz. Ele falou assim: Bruna, estou com você, vamos nessa. Aí a Vanessa falou: Pergunta se ele quer fazer o seu camp. Aí eu fui lá e mandei mensagem pra ele, e ele falou assim: acabei de falar que eu estou com você. Então foi muito assim, e acabou virando um irmãozão que cuidou de mim durante esse camp aí pra Molly, que era uma luta muito importante pra mim, que eu precisava vencer pensando na renovação do meu contrato.”
“E sabendo que a Molly é uma adversária super dura e uma adversária que estava descendo de categoria, não seria fácil. Então era um baita desafio e estar as pessoas que eu me identificasse e que me deixasse também ter essa liberdade de ser quem eu sou seria importante nessa luta. Aí eu convidei Felipe Buakaw para fazer meu camp da parte de grappling. Tive também a aprovação do Pablo e do Flávio Álvaro de estar com as pessoas certas. Então, eu estava em boas mãos”, finaliza Bruna.
E completando o time tem Vanessa, esposa de Bruna, e ex-atleta da seleção brasileira de Taekwondo, que ajuda na preparação da atleta para as lutas: “Eu conheci ela em Maringá, num evento do JUBS, Jogos Universitários Brasileiros. Eu estava trabalhando e ela também estava trabalhando nesse evento. E a gente se conectou muito rápido. Mas acho que a nossa história começou de verdade quando eu vim para o Guarujá, que deu a pandemia e eu precisava continuar treinando porque eu já tinha uma luta marcada no Shotoo. Eu lutei, acho que duas vezes no Shotoo, uma no começo da pandemia e depois uma no final. Então, eu vim para cá, a gente se conectou muito nessa parte, eu sinto que ela é o combustível a mais na minha carreira, na minha vida, e ainda mais, ela tem uma expertise muito grande de comunicação, uma pessoa que corre atrás e faz as coisas acontecerem”.
“Ela cuida da minha rede social, ela faz as minhas fotos, faz os meus vídeos, ela gosta muito de edição, é uma coisa que ela aprendeu durante a minha carreira, porque a gente sentou e falou: nosso objetivo é chegar no UFC. É possível? É. O que a gente precisa fazer para chegar lá? Então a gente fez um checklist e foi anotando o que a gente precisava fazer. Melhorar a rede social, vencer lutas, quantas lutas? Precisamos de um agente. E dentro disso, um relacionamento muito bom. A gente tem uma conexão de casal muito boa. Eu sou realmente muito apaixonada por ela. Eu sinto que ela também é por mim. Tanto ela quanto eu acreditamos que a gente pode chegar muito longe dentro do UFC e podemos ser campeãs. Então é muito bom ter uma pessoa do seu lado que acredita tanto quanto você no seu sonho, sabe?”
“Eu acredito que o meu grande diferencial para ter um chute potente e forte são os treinos que eu fiz com a Vanessa, que é faixa preta de taekwondo e preparadora física. Então ela sempre me passou muito treino transicional de potência, de você estar ajoelhado, saltar e chutar, estar no afundo, trocando a base e chutar. Então, muito trabalho de explosão e força.”
Mas “nerd” não é apenas uma alcunha de uma personagem que Bruna carrega no octógono. Na vida real, Brasil produz conteúdo e faz lives jogando diversos videogames, mostrando seu apreço pelo mundo geek e pelo trabalho da comunicação. Os seus gostos, inclusive, vem de família.
“Eu sempre fui aficionada por videogame, inclusive eu me culpei muito a minha vida toda por jogar muito videogame, que eu acho que me atrasou em muita coisa. Mas agora na luta é uma das coisas que eu falei: eu preciso fazer alguma coisa que me tire um pouco desse estresse do dia a dia, então voltar a jogar videogame foi uma das coisas que eu quis muito e hoje eu faço isso de vez em quando, consigo fazer umas lives. Eu estou lá jogando, a gente fica trocando ideia com a galera que eu nem conheço, mas é muito legal.”
“Mas desde novinha, o meu irmão, principalmente, que é o verdadeiro nerd da família. Ele é fanático por Dragon Ball, por filmes, e eu sempre fui na onda. Eu sempre gostei muito de assistir filme, gostei de assistir desenho. E a gente sempre trocava muita ideia disso. Eu comecei a ficar muito fã de Star Wars. Não sei porquê, eu gosto muito dessa franquia, e acompanho toda a ordem cronológica”, revela Bruna.
Quanto ao seu interesse pela comunicação desenvolvido não só nas lives, mas na carreira como um todo, Bruna explica que: “Foi uma área que eu desenvolvi bastante durante esses últimos anos, trabalhando a imagem, aprendendo muito com a Vanessa. Ela não me deixa em paz enquanto eu não evoluo como profissional nessas áreas extra-octógono. E eu comecei a curtir muito isso de fazer conteúdo, de falar. E para mim, eu sou uma pessoa muito tímida, muito calada. Eu sou um tipo de pessoa muito introspectiva, então eu fui me soltando, fui aprendendo a gostar e comecei a fazer alguns comentários no SFT, fui convidada pra fazer o comentário no LFA e curti bastante”.
“Eu me envolvi muito com isso, acho que com essa parte da mídia, de fazer vídeos e aparecer, eu gosto bastante. Eu acho que é uma parte que eu quero explorar bastante, sim, especialmente pós-carreira. Eu acho que durante a minha carreira, ainda o meu foco maior é ser campeã, vencer as lutas e o que eu fizer vai ser um pouquinho ali, um pouquinho aqui só psra preencher o tempo enquanto não tem luta, mas eu acredito que esse é um passo mais pro futuro mesmo”, conclui Bruna.
