Depois de oito meses, Charles Do Bronx está de volta ao octógono neste sábado, em Vancouver, no UFC 289, onde enfrentará Beneil Dariush no co-main event da noite.
O combate é de suma importância para Do Bronx, contender número 1 dos leves, que tenta voltar ao caminho do cinturão após perder para Islam Makhachev na luta do título em outubro de 2022.
Charles esteve na ESPN e contou que praticamente pela primeira vez na vida tirou férias e falou sobre seu legado fora do octógono.
"Eu precisava desse timing de parar um pouco, refletir um pouco na minha vida, ficar mais perto da minha filha. Eu estou num timing muito bom na minha vida, estou treinando, focado. Vou pegar um cara que está vindo numa sequência gigantesca", disse Charles, à ESPN.
"Acho que eu nunca tirei um break, nunca parei. Saía de uma luta pra outra, de um camp pra outro, foi a primeira vez que a gente parou de verdade. Fiquei perto da mina filha, dos meus amigos de verdade, andei a cavalo, que é minha paixão, tentei ficar no sítio mexendo com gado. Só não queria treinar, tirei o foco de treino, de acordar cedo, comi o que queria comer. Nada de dieta, acordava quando queria acordar, dormia quando queria dormir, tirei o foco de ser atleta. Fiquei limpando colchera, carregando cerragem, só nao estava treinando. Ia em shopping com a minha filha, brincava com ela...".
Prato no Paris 6
É notório hoje em dia que, muito por conta da sua história de vida, Charles "furou a bolha" do mundo das lutas e passou a ser reconhecido sem as luvas também.
Não à toa ele se tornou o primeiro lutador a ter um prato com seu nome no famoso restaurante Paris 6, em São Paulo.
"A gente fala muito do legado, daquilo que a gente quer deixar. Charles saiu de dentro da comunidade, da periferia. A maioria das pessoas que estavam a meu redor falava para os meus pais que a gente nunca ia chegar. Isso eu nunca vou esquecer. Quantas vezes eu não ouvi que eu nunca ia chegar, que não ia dar certo? E olha no que a gente se tornou: campeão mundial, maior finalizador, recordista de bônus, um prato no Paris 6. Fico feliz de ter um prato lá. Daqui 30, 40 anos vai ter meu prato lá pra galera comer. Fiquei muito feliz".
"Eu sou apaixonado no frango à parmegiana. E a gente pensou em fazer um frango à parmegiana, só que já tinha um. E vê que coisa louca. Eu falei 'vamos fazer um peixe à parmegiana. Eles falaram 'vamos fazer um peixe canadense'. É como se fosse um peixe, só que de uma forma canadense. Aí ele falou 'quando vai ser sua luta?'. Falei que era 10 de junho, no Canadá. Ele falou 'então é isso'. É uma tilàpia à parmegiana, só que não fala parmegiana, fala canadense. Acompanha arroz, fritas...ficou sensacional, galera tem que ir lá pra provar".
Canal no OnlyFans
Do Bronx resolveu inovar e até criou um canal no OnlyFans. Apesar do site geralmente ter em seu plantel de clientes conteúdos pornográficos, o brasileiros garantiu que não é esse tipo de conteúdo que verão lá.
"A gente sentou coma equipe e viu que era algo bom, quem me segue no OnlyFans está muito mais próximo de mim, sabe o que eu estou gravando, o que eu estou treinando, eu andando cavalo, com minha filha, está muito mais próximo de mim do que qualquer outra pessoa. Postamos outro dia um treino meu inteiro, batendo manopla, movimentação, resenha com a galera. Meu treino não é 100% sério, quem tá ali tá vendo tudo isso. Foi muito bom pra mim nessa parte, mostrando tudo que a gente faz, tomando café, almoçando, jantando".
"Recebi muita mensagem do tipo 'você não precisa disso', outras pessoas colocavam o emoji da mãozinha na testa, 'vai ter o que eu quero ver?'. Logo que a gente lançou ninguém entendeu, aí a gente explicou, as pessoas começaram a entender. E aí outras pessoas quando a gente posta 'segue a gente lá', aí falam 'mas não tem o que eu quero ver' (risos)".
Um leão no meio dos leões
Charles Do Bronx sempre enfatizou que foi de um menino a um leão no meio dos leões do UFC. E por isso resolveu fazer uma tatuagem nas costas, fechando a região do corpo com o rosto de um leão.
"Eu queria fechar ela toda e o tatuador foi fazendo e disse 'vamos terminar só um lado e a gente faz o outro no outro dia'. Deu 7h um lado inteiro das costas. Aí a gente fez no dia seguinte. Eu só fiz mesmo porque não tinha como parar mais (risos). Mas ficou muito top. Eu ficava mexendo no telefone, olhando pro meu primo e falando 'por que eu estou fazendo isso?' (risos). Eu parava, comia alguma coisa, voltava...mandava meu primo comprar tal coisa".
