UFC: Borrachinha abre o jogo sobre 'treta' com Belfort: 'Eu não faria dessa forma'

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Borrachinha abre o jogo sobre 'expulsão' de camp de Vitor Belfort: 'Não guardo mágoa, mas teria feito diferente' (3:52)

Brasileiro do UFC contou bastidores sobre início de carreira e relação com lenda do MMA


Paulo Borrachinha (13-1) volta ao octógono neste sábado após um ano. O brasileiro será o main event do UFC no combate contra o italiano Marvin Vettori. À ESPN, o mineiro de 31 anos recordou um episódio de seu início de carreira no MMA.

Na ocasião, Borrachinha foi chamado para dois camps de Vitor Belfort na época do UFC, mas acabou sendo expulso de um, com o ex-campeão comprando a passagem de avião de volta para o mineiro sem dar muita satisfação.

Vinicio Antony, conhecido treinador e faixa-preta de caratê, no podcast "Connect Cast", recentemente tocou no assunto novamente.

“O Vitor não quis o Borrachinha. Mandou embora. Eu fui casar o treino [entre eles] umas duas vezes, e ele [Belfort] falou: ‘Não, não, não. Deixa eu fazer aqui com o [Cassiano] Tytschyo. Espera aí, que eu vou fazer ali com o Jordan’. E isso aconteceu dois dias seguidos. […] E o Borrachinha ficou puto, foi para o chuveiro e voltou. Eu vi aquela p*** e fiquei quieto. Daqui a pouco, o Vitor falou: ‘Mestre, puxa um treino para o Borrachinha para ele não ficar sem fazer nada hoje’. Aí eu falei: ‘Não, cara. Ele já está de banho tomado’. Aí o Vitor olhou para o cara lá de cima, e eu falei: ‘Ih, f***'”, recordou Vinicio Antony, antes de continuar.

“Eu já fui no Borrachinha e falei: ‘Porra, tá maluco? O cara te trouxe para cá’. Ele falou: ‘Mas eu quero treinar’. E eu disse: ‘Bicho, é o camp dele, não é o seu. Cola em mim que vai chegar o momento [de você treinar com ele]. Vai treinar com o Tytschyo, treina com a galera. Daqui a pouco eu vou te colocar com ele, não vai ter como fugir disso’. Aí chegamos em casa, […] toca o telefone, Gustavo: ‘Vini, manda o Borrachinha para o aeroporto porque a passagem dele está comprada, é agora às 16h’. Eu falei: ‘Que isso? O que houve’. E ele: ‘Cara, o Vitor não gostou da energia dele’. Eu falei: ‘C***, que porra de esoterismo é esse agora? Não é por aí. O moleque é bom para caramba’. Ele: ‘Cara, o Vitor não quer, está irredutível, já comprou a passagem’. E agora? Como faz? Fui lá, falei com ele [Borrachinha]. Ele ficou revoltado e foi embora”, concluiu o treinador.

Borrachinha deu sua versão do ocorrido à ESPN, negando mágoa com Belfort.

"O Vitor ou equipe do Vitor me convidou pra ir participar de 2 camps dele, eu fui. O primeiro acho que em 2015, o Weidman machucou, camp foi interrompido, todo mundo voltou pra casa. O que aconteceu é que eu utilizava esses camps pra eu treinar também, então marcava uma luta mais ou menos na data e voltava e lutava no Brasil. Nesse camp o Vitor não queria treinar comigo. Me chamou, mas a gente não treinava junto, eu precisava treinar, mas eu treinava sozinho, não reclamei, não falei nada, estava ali pra ajudar. Depois de um dia que eu fui, eu cheguei no apartamento e me falaram 'comprei a passagem pra você voltar'. Eu falei 'tá bem', eu não tava sendo utilizado, estava um pouco pesado também, isso talvez também afetou, mas não vi polêmica nenhuma não", relembrou Borrachinha.

"O Vitor sempre foi muito fechado, só achei um pouco estranho, a gente não conversava muito. Nesse dia ele não falou nada, só comprou passagem e mandou outra pessoa falar, achei estranho. Eu não faria dessa forma. Tenho contrato com vários atletas e eu não ajo dessa forma, mas não tenho nada contra ele não. Não ficou nenhuma mágoa da minha parte. Entendo que cada um tem uma forma de pensar de agir", completou.

Sobre a declaração de que Belfort não teria gostado de sua energia, Borrachinha disse o que talvez tenha levado o ex-campeão a dizer isso.

"Não sei, talvez ele acha que eu fiquei chateado lá por não estar treinando, ele que tem que falar o que é. Eu sou assim, eu convidei o Tiago Dutra pro meu camp porque eu vi que ele tinha vontade, sangue nos olhos. Quer arrancar minha cabeça, me nocautear, é isso que eu busco dos atletas e acho que é esse tipo de atleta que eu fui quando tentava ajudar. Quanto mais difícil o treino, mais fácil é a luta. É essa energia que eu estava, de trazer a maior dificuldade, talvez isso não foi bom pra ele. É forma de pensar, eu sou diferente. Eu quando contrato alguem quero que a energia dessa pessoa seja igual".