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Cigano abre o jogo sobre dispensa do UFC, diz que foi 'ameaçado' para aceitar luta e revela planos até fora do MMA

Depois de 13 anos, um cinturão, 15 vitórias e oito derrotas (sendo quatro delas seguidas), chegou ao fim a carreira de Júnior Cigano dos Santos no UFC no começo de março. O brasileiro, ex-campeão dos pesados, abriu o jogo sobre sua dispensa do Ultimate em entrevista exclusiva à ESPN.

Cigano também falou sobre os prováveis novos passos na carreira e, aos 37 anos, considera até uma mudança de modalidade, ponderando uma ida ao boxe, ponto esse que foi seu forte na carreira no MMA.

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Veja abaixo os melhores trechos da entrevista com Cigano:

Como tem sido os últimos dias, no seu período atual, ainda não atrelado a uma organização?

Tem sido um período de reflexão, de calmaria, estou aproveitando a família. Estou olhando e querendo ouvir logo algo bom de alguma organização. A gente tem conversado com algumas pessoas, mas não estou com pressa, não é uma coisa que estou correndo atrás pra voltar logo. Tenho 37 anos, me sinto muito bem e quero continuar lutando com certeza. Mas acho que precisa ser interessante.

Ficou magoado com o UFC pela dispensa? Como você recebeu a notícia e qual foi sua reação na hora?

Não fiquei magoado. A forma como aconteceu, me surpreendeu um pouco negativamente. Foi tudo muito frio, mas a gente não pode esperar nada diferente do UFC, é uma empresa cuidando dos seus negócios. E passou a ser desinteressante o produto Cigano pra eles e eles dispensaram o produto. Mas não é uma coisa que estava nos meus planos. Acabou que eu tive esses resultados negativos, por eu estar há tantos anos na empresa, já ter sido campeão, eu tenho um peso um pouco maior dentro da categoria. E talvez eles quiseram se livrar desse peso.

Dana White disse que você não aceitou uma luta em cima da hora, foi isso?

A do (Ciryl) Gane já foi assim. Eles me ligaram, eu estava no Brasil dando um tempo, até porque tive uma concussão. Eu precisava de um tempo pra relaxar, não voltar aos treinos porque poderia ser prejudicial. Voltei para os EUA, eles me ligaram oferecendo o Gane, falei que aceitaria pra dezembro, falei 'claro', não nego luta, nunca neguei. Talvez isso tenha sido um erro. Eu sugeri adiar a luta para janeiro para me preparar, aí falaram 'Você está vindo de 3 derrotas, se você não aceitar essa luta a gente vai te dispensar'. Eu falei 'você não está me oferecendo uma luta, você está dizendo que eu vou lutar'. Faltavam cerca de 6 semanas. Saindo do zero, eu preciso de no mínimo 2 meses e meio pra me preparar. Não tive muita escolha, aceitamos. Fomos pra luta e aconteceu o que aconteceu, que foi algo pior do que tudo que estava ao meu redor. Eu tirei o foco das derrotas pra focar que eu tinha sofrido um golpe ilegal. Na definição de muitos lutadores a culpa do golpe ilegal foi minha, até do próprio Dana White. Eu acho isso absurdo, é como culpar a vítima por um crime.

Aí depois dessa derrota, novamente tive uma concussão, fiz os exames e o médico pediu um tempo sem tomar pancada na cabeça. E aí o UFC do nada me oferece uma luta para o dia 27 (de fevereiro) contra o (Marcin) Tybura. Eu falei 'Daqui 20 dias? Eu estou numa situação complicada que eu preciso de um pouco de tempo pra me recuperar e treinar'. E aí essa foi a definição deles. Óbvio que o peso veio das derrotas. Isso me surpreendeu negativamente, a forma como eles trataram isso.

Já recebeu contato de outras organizações ou ainda está tranquilo, aproveitando o tempo livre?

Nós estamos conversando, estamos tendo conversas, inclusive no mundo do boxe. Então talvez alguma coisa interessante está por vir. Mas vamos analisar com calma. Eu sempre tive muita vontade de lutar boxe. Quando fui campeão do UFC desafiei o Wladimir Klitschko. Os boxeadores pesos pesados não são um Mayweather da vida, que aceitam desafios. Eles meio que se mantêm no pedestal deles.

O que a próxima organização de MMA em que você for lutar tem que ter para convencer a ter o Cigano nela?

Um bom desafio. A gente até teve uma conversa, rápida, sobre uma possível luta contra o Fedor (Emelianenko). Seria muito interessante, como a própria revanche contra o Alistair Overeem, que está um free agent agora. O próprio campeão do Bellator, Ryan Bader, disse que daria as boas-vindas pra gente. Seja no MMA ou no boxe, o que interessa é o desafio, colocar um bom desafio que empolgue as pessoas e me empolgue.

O que acha de uma possível luta entre Ngannou e Jon Jones, como tem sido especulado?

Na luta do Miocic, eu achei que o Miocic ganharia por lutar com inteligência, por ser bastante completo e acabou que aconteceu o que aconteceu. O Jon Jones chegando na categoria eu acho que ele vai passar a ser o azarão. Qualquer um vai ser azarão agora contra o Ngannou. Se tratando da força desse cara, do poder de nocaute. Ele toca nas pessoas e as pessoas caem. É um Mike Tyson evoluído. Não tão rápdio, não tão explosivo quando o Mike Tyson, mas uma força, uma potência absurda. Por esse fator a gente tem que considerar o Ngannou favorito. Mas o Jon Jones é inteligente, esperto, sabe machucar os oponentes. É a luta a ser feita, o mundo vai parar pra ver essa luta".

Acha que essa 'novela' Jon Jones trava a categoria dos pesados?

Só trava a categoria se o UFC quer. Ele não faz acontecer por causa dos seus interesses. O Jon Jones estaria pedindo mais de US$ 5 milhões. E as pessoas falam 'é dinheiro pra caramba'. Não é dinheiro pra caramba. Em cima dessa luta, o UFC vai fazer cerca de bilhão, a coisa vai ser gorda. O show quem dá são os lutadores. Eu acho completamente correto o Jon Jones pedir mais, pra pelo menos ganhar algo equivalente ao status que ele tem. O Jon Jones está nessa posição. Ele é um Mayweather da vida, nunca perdeu. E ele lutou contra os melhores e bateu em todos. É no mínimo preciso dar o respeito a essa decisão do Jon Jones.

O MMA é assim, não existe uma coisa correta. No UFC, o último contrato que eu assinei foram oito lutas. Eu já sei o que vou ganhar nas oito lutas. Eu não posso reclamar, eu mudei minha vida completamente. Eu renovei meu contrato na luta contra o Ngannou. E consegui o melhor contrato que eu tive com o UFC. E perdi todas as lutas no novo contrato (risos), não consegui um bônus de vitória. Mas eu sou muito grato ao UFC, me deu a chance de transformar minha vida. Mas também acho que a coisa precisa ser mais justa.