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UFC: Comida do lixo, prisão e vida de sem-teto: a história incrível de Ngannou, o 'arrancador de cabeças'

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Cabeça de Miocic foi a 10ª na 'coleção' de Ngannou, o exterminador do UFC; relembre todas (1:35)

Francis Ngannou não tomou conhecimento de Miocic e ficou com o cinturão dos pesados do UFC (1:35)

Neste exato momento, Francis Ngannou é o homem mais temido do mundo! 'Colecionador de cabeças', ele colocou a de Stipe Miocic em sua coleção neste final de semana e se tornou o campeão peso pesado do UFC. A caminhada até aqui não foi fácil para ele. Pelo contrário: o camaronês teve que superar as condições difíceis de vida em seu país, se alimentou de comida do lixo, chegou a ser preso na Espanha como imigrante ilegal e depois ainda morou nas ruas de Paris até finalmente conseguir ser lutador.

Mas tudo finalmente valeu a pena!

Conteúdo patrocinado por Sportingbet

Ngannou nasceu na pequena cidade de Batié, em Camarões. Aos 6 anos de idade, viu seus pais se separarem. Ele foi morar com a mãe, os três irmãos e a irmã na casa de parentes. O pai abandonou a família – e ainda deixou uma má fama impregnada nos filhos.

“Ele tinha uma reputação ruim. As pessoas me viam e falavam que eu seria igual a ele. Eu odiava isso, tinha muita vergonha”, conta Ngannou, lembrando que o pai era um brigador de rua e sempre se envolvia em problemas com a polícia.

Francis, de fato, sempre quis lutar. Mas de um jeito completamente diferente, ‘imitando’ o seu grande ídolo Mike Tyson. A situação, porém, ainda não o permitia sonhar.

Aos 12 anos, Ngannou começou a trabalhar em uma mina de areia. Batié sequer possuía uma academia para que ele pudesse treinar. Aos 22 ele começou a ir atrás do sonho: se mudou para Douala, onde começou a praticar boxe enquanto trabalhava também em uma indústria de roupas.

Ainda não era o suficiente. Ele percebeu que não iria para nenhum lugar se ficasse por ali e resolveu tentar a sorte na Europa.

"Minha jornada começou com uma viagem de Camarões ao Marrocos que durou praticamente um ano. Foi um ano vivendo em situações ilegais, cruzando fronteiras, vivendo no mato, comendo comida do lixo. Uma vida terrível", contou ao Bleacher Report.

Do Marrocos, ele tentou entrar na Espanha. Mas foi imediatamente detido e passou dois meses preso.

"Foi mais estressante que assustador. Quando chegamos à Espanha, a gente estava meio que relaxado, mesmo que na prisão. Nós sabíamos que íamos ser presos, mas depois seríamos liberados", diz.

Solto, ele foi para a França. Sem nenhum dinheiro, ele se mudou para Paris aos 26 anos e foi morar na rua.

"Comparado com o que vivi até chegar ao Marrocos, dormir em um estacionamento era como estar em um hotel cinco estrelas", lembra.

Ngannou conta que imediatamente fez três coisas: descobrir onde conseguir comida, descobrir aonde dormir e descobrir aonde havia uma academia de boxe.

O camaronês saiu perguntando informações a estranhos. Achou uma academia promissora e foi conversar com o professor, pedindo para treinar.

“Eu acabei de me mudar. Não tenho onde morar e não tenho dinheiro, mas não estou aqui para pedir favores. Eu só preciso de um lugar para treinar porque eu vou ser campeão do mundo”, disse.

Com 1,93m de altura, ele impressionou. Ganhou 50 euros para comprar roupas e uma mochila.

O curioso é que justamente quando o sonho de lutar boxe parecia tão mais perto, a situação mudou completamente. O técnico e os companheiros começaram a dizer que ele deveria tentar a sorte no MMA – “mas o que é MMA?”, perguntou Ngannou.

Ele aprendeu. E ouviu falar de outro lugar: a academia Lopez MMA Factory. O dono Fernand Lopez também era nativo de Camarões. E a conexão foi imediata. Ele ofereceu novos equipamentos e um teto: Ngannou passou a morar na academia.

Francis ainda insistia em treinar boxe. Até ter as primeiras lutas de MMA marcadas e sentir o gosto. Ngannou começou com cinco vitórias e uma derrota. Gostou da coisa. E até ganhou dinheiro suficiente para morar em um lugar só seu.

Ngannou foi ficando tão bom que passou a ser difícil achar adversários para ele. Primeiro na França e depois em toda a Europa, ninguém queria enfrentar alguém daquele tamanho e com aquela força.

Até que, em 2015, ele ganhou a maior chance da vida: um contrato com o UFC.

A estreia foi contra Luis Henrique KLB. Um nocaute.

Foram 10 vitórias no UFC, nove por nocaute e uma por finalização, e duas derrotas, até a segunda chance pelo cinturão - a primeira acabou em um revés frustrante para o mesmo Stipe Miocic em 2018.

Neste final de semana, porém, a história foi completamente diferente e virou um verdadeiro conto de fadas. Com um nocaute brutal, Francis Ngannou se tornou o campeão dos pesos pesados do UFC.

Depois de comer comida do lixo e morar na rua, Ngannou agora está no topo do mundo. E poucos vão ter a ousadia de querer tirá-lo de lá!