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UFC: Mackenzie Dern: 'Fico triste quando falam que não sou brasileira porque não nasci aqui'

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Nascida nos EUA, Mackenzie Dern explica por que escolheu representar o Brasil e revela tristeza com críticas (3:41)

Lutadora encara Randa Markos na noite desse sábado (3:41)

Mackenzie Dern (8-1), de 27 anos, luta neste sábado no UFC em Las Vegas diante da canadense Randa Markos. Nascida em Phoenix, mas filha de brasileiros e com dupla nacionalidade, Dern é uma das poucas atletas do MMA atualmente a ter dois "trabalhos": o de lutadora e o de mãe.

Dern deu à luz no ano passado, com o nascimento da pequena Moa, que desde os primeiros dias de vida acompanha a mãe, seja nos treinos ou nas lutas.

Moa inclusive está em Las Vegas neste fim de semana, assim como o seu pai e marido de Mackenzie Dern, o surfista brasileiro Wesley Santos, para mais uma vez ver a mãe na maior organização de MMA do mundo.

Não será a primeira vez que Moa estará vendo a mãe lutar ao vivo. Infelizmente, na primeira vez que isso aconteceu, Dern foi derrotada por Amanda Ribas.

E como é conciliar a vida de mãe com a de lutadora, com os camps e treinos pesados?

"É isso aqui", responde Mackenzie Dern, com a pequena Moa no colo. "É levar a filha. Ela tem ido nos treinos, passa por todas as fases. Na minha primeira luta depois que ela nasceu era amamentando, agora ela já fala 'não', 'sim', está andando. Eu posso deixar ela no canto, na academia, só que também ela quer tocar em tudo. A cada fase tem seus prós e contras".

Ao lado de Michelle Waterson, Nina Ansaroff e Amanda Nunes, Dern é uma das quatro lutadoras que têm filhos atualmente no UFC, com Amanda e Nina esperando seu bebê em breve. Até hoje, nenhuma mãe foi campeã do Ultimate.

A brasileira Mackenzie

Mackenzie Dern nasceu em Phoenix, no Arizona, filha de pais brasileiros. Ela fala Português fluente, mas diz que só se sentiu à vontade com a língua falada no Brasil por volta dos 14 anos.

Mesmo tendo dupla nacionalidade, ela optou por defender as cores do Brasil no UFC. E isso chegou até a gerar críticas xonofóbicas à atleta.

"O fato de eu ter os dois passaportes, meu empresario, por questão de marketing, falou pra eu lutar como universal, que era cor cinza, no UFC. Minha estreia eu fiz como universal e meu empresário, o UFC, vieram com isso de tentar pegar os dois mundos. Aí eu lutei no Rio de Janeiro, contra uma americana, queria muito finalizar e consegui minha primeira finalização representando o Brasil e depois eu senti um pouco de ciúme, parecia um ciúme dos Estados Unidos por eu ter escolhido o Brasil. E meu empresário disse que quando lutar com uma brasileira, pra lutar representando os EUA. Eu falei 'De verdade, mesmo lutando contra brasileira, quero representar o Brasil", explica Dern.

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2:51

Mackenzie Dern relata como concilia ser atleta no UFC com vida de mãe da filha de 1 ano

Brasileira encara Randa Markos na noite desse sábado

"Eu sentia essa ligação muito forte com o Brasil, nunca me senti 100% americana, porque falavam 'Você não é 100% americana, você é brasileira também. Eu ainda fico triste quando os brasileiros falam que não sou brasileira porque não nasci aqui. Eu tenho tudo, passaporte, cpf, pago impostos…minha filha é brasileira, meu mairdo é brasileiro, fico triste de algumas pessoas ainda acreditarem nisso", completou.

"Falta de oportunidade de representar os EUA eu não tive, mas eu escolho representar o Brasil porque eu me senti um pouco mais brasileira. Tenho gratidão pelos EUA, mas quem está representando as cores quando está lá tomando soco na cara sou eu", finalizou.