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UFC: Darren Till trocou Liverpool pelo Brasil após quase morrer esfaqueado, virou fenômeno nas redes e candidato ao cinturão

Darren Till (18-2-1) entrará no octógono neste sábado, no último evento deste mês na Ilha da Luta do UFC, fazendo o combate principal da noite contra Robert Whittaker (20-5).

Nascido em Liverpool, Till, de 28 anos, adotou o Brasil como segunda casa. Ou, praticamente a sua primeira junto com a Inglaterra.

Mas a história de como ele veio parar nas nossas terras não foi uma qualquer.

Till luta Muay Thai desde os 12 anos de idade, e aos 17 migrou para o MMA para se profissionalizar. Com 20 anos de idade, o britânico se envolveu em uma briga em uma festa e acabou levando duas facadas nas costas.

Uma delas não atingiu sua artéria principal no coração por milímetros, quase levando o jovem à morte. Foi então que sua equipe o aconselhou a deixar Liverpool para sair das distrações e migrar para o Brasil para focar no MMA. E lá foi Till, rumo a Santa Catarina.

"Eu queria continuar lutando. Eu não queria ser nada além de um lutador na minha vida. Eu precisava achar uma saída, me concentrar mais, sem distrações. E o Team Kaobon e meu técnico me ajudaram nisso", disse Till, ao ESPN.com.br.

O que era para durar seis meses acabou durando três anos e meio, com Till morando no Brasil até o fim de 2015.

"Eu amei o Brasil no momento que cheguei. Amei as pessoas, o sol, o clima, as praias, o país, amei tudo. Eu passei por São Paulo, Rio de Janeiro, Amazônia, fui para o Sul, fui para todos os lugares no Brasil. Como eu disse, adoro ir para lá, tenho amigos, tenho uma casa, carro. É minha segunda casa, é como Liverpool para mim".

A vinda ao Brasil catapultou sua carreira, até que em 2015 o UFC o descobriu e o contratou. São seis vitórias, duas derrotas (para Jorge Masvidal e Tyron Woodley) e um empate. Atualmente, Till é o quinto do ranking dos médios.

Till tem até uma filha que mora no Brasil. E por conta da pandemia não tem conseguido vê-la com a frequência que gostaria.

"É triste porque minhas filhas estão aí na pandemia e eu obviamente não consigo ver elas. Mas tenho certeza que quando isso acabar, não sei quando, mas quando pudermos viajar, vou visitar o Brasil para ver elas e espero curtir o Brasil", disse o número 5 do ranking dos médios.

E como é o Darren Till pai?

"Um canalha (risos). Eu sou tranquilo, não tem muito o que fazer. A minha filha mais velha está no Brasil, já vai para a escola. Mas quando elas são jovens tudo que fazem é cocô, xixi e comer. Não tem muito o que fazer além de cuidar delas".

Till, como quase todos os brasileiros, acabou pegando gosto até pela culinária local, mais especificamente o açaí. "Mas não o do Amazonas porque é forte demais para meu estômago.Açaí de Florianópolis é bom. É o melhor. Com leite condensado em cima ainda...".

Fenômeno das redes sociais

O inglês é um verdadeiro fenômeno nas redes sociais. No Instagram, ele tem mais de 1 milhão de seguidores.

O que faz dele esse fenômeno das redes principalmente são as postagens irônicas e montagens com grandes personagens do UFC.

Em uma delas, ele colocou seu rosto no corpo de Dana White, por exemplo. Seu avatar no Twitter é o seu rosto no lugar de uma foto de perfil do ex-lutador inglês do UFC Michael Bisping.

"Eu tento me manter honesto nas redes sociais, não quero ser alguém que não sou. Não tento inventar nada, tento manter ali divertido e interessante. E eu espero que todo mundo goste o que eu posto. Parece que todo mundo gosta", comentou o inglês.

O próximo na fila?

Till vem de vitórias e muitos acreditam que essa luta contra Whittaker definirá o próximo desafiante ao cinturão dos médios depois que Israel Adesanya e Paulo Borrachinha se enfrentarem em setembro.

"Eu acho que essa é a próxima luta para mim (title shot). Não tem outra. Eu já venci dois dos caras top na divisão dos médios, venci Gastelum e se vencer Robert, que tenho certeza que vou, não acho que tenha outra luta para mim que não seja pelo cinturão, preferencialmente contra Adesanya. Vamos ver o que acontece no sábado, mas tenho certeza que quando vencer a luta pelo cinturão será chamada", afirmou o inglês.

"Eu espero que Robert esteja lento, ele não tem treinado tanto quanto eu. Espero acabar com ele no primeiro, segundo, ou terceiro, quarto ou quinto round. Isso é o que eu vou procurar. Acho que pode acontecer potencialmente. Vamos ver, não sabemos", completou.

Mas, afinal, para quem levou duas facadas nas costas, não deve ser muito risco se expôr no octógono contra os melhores lutadores do mundo correndo risco de levar socos na cara.

"Sim, isso é fácil (risos), não tem problema nenhum", finalizou Till.