Tony Ferguson tentou uma joelhada, mas Josh Thomson viu tudo antes de acontecer. Ele agarrou Ferguson e o jogou no chão para uma queda fácil no primeiro round da luta de 2015. Thomson estava no controle. Ou ele apenas pensou que estava.
Ferguson usou a técnica de Thomson e explodiu rapidamente. Antes que Thomson pudesse processar o que acabara de acontecer, Ferguson estava de pé, pronto para retomar o ataque.
"Eu tentei um double leg, - provavelmente um dos double legs mais encaixado que já consegui em alguém", disse Thomson à ESPN. "Eu consegui derrubá-lo, mas ele girou o corpo no chão e ficou de pé. Eu recuei e pensei: 'Isso é loucura'. Depois disso, decidi: 'OK, wrestling pode não ser o caminho a seguir.' "
Thomson, o ex-campeão dos leves do Strikeforce - e um dos melhores lutadores de sua época - lutou com Ferguson no UFC San Diego em 15 de julho de 2015. Ferguson venceu por decisão unânime, sua sexta vitória da atual sequência de 12 consecutivas.
E Thomson não só foi derrotado. Além desse momento de humilhação na tentativa de queda, acabou com cerca de 30 pontos na cabeça e no rosto, além de dores no antebraço que levaram semanas para sumirem.
"O triste é que [a tentativa de queda] foi um grande esforço para colocar em ação algo que ele praticamente me deu, para que ele pudesse fazer isso e para que eu mudasse a maneira como eu pensei em lutar", disse Thomson. "E isso foi no primeiro round."
Cinco anos depois, Ferguson ainda está na série de vitórias. E ele ainda está judiando de seus oponentes. No sábado, Ferguson enfrenta Justin Gaethje pelo cinturão interino dos leves no evento principal do UFC 249 em Jacksonville, Flórida.
Ferguson (25-3) é conhecido por sua abordagem, digamos, diferente e, às vezes, táticas extremas de treinamentos. Mas o que torna o californiano tão diferente no octógono? A ESPN perguntou a vários que o enfrentaram como é estar no octógono com um dos lutadores mais singulares da história do MMA.
Josh Thomson (derrota para Ferguson por decisão unânime no UFC San Diego em 15 de julho de 2015)
Quando apertamos as mãos, a mão dele deu a volta na minha. Honestamente, ele não bate tão forte quando eu levo em consideração os caras pelos quais fui atingido. Ele não é fisicamente forte, mas tem comprimento e uma alavanca poderosa.
Quando começou a luta, ele realmente me agarrou no antebraço e deslizou a mão para onde minha luva estava. Não tinha como sair. Sua mão percorreu todo o meu pulso, todo o meu antebraço. Isso tudo faz parte do jiu-jitsu dele, o controle no chão, esses tipos de coisas que ele utiliza nestas posições.

Havia muitas coisas que eu esperava dele. Eu esperava um bom cardio, um ritmo implacável. Eu esperava aquele empurrão. Eu não esperava tanto poder por trás disso. Eu pensei no chute - eu vou bloqueá-lo, agarrar a perna dele, o que quer que seja. Eu peguei, mas quando você faz isso, ele está fazendo combinações. Meu antebraço ficou inchado por bloquear aquele chute por cerca de duas semanas. Não conseguia abaixar meu antebraço. Sabe quando você se senta à mesa de jantar e descansa os antebraços na mesa? Eu não conseguia fazer isso. Foi doloroso, cara.
Eu quase não tive cortes na minha carreira de 32 lutas. Eu provavelmente tinha quase 30 pontos no meu rosto depois da luta com Ferguson. Eu tive só 20 naquele grande corte na lateral da minha cabeça que me deu um knockdown. Existem muitas coisas que os lutadores se preparam para enfrentar, mas essa quantidade de sangue caindo do seu rosto e todos os cortes... a maioria das pessoas não consegue lidar com isso.
Yves Edwards (derrota para Ferguson por decisão unânime na Final do TUF 14 em 3 de dezembro de 2011)
Agora que eu o vejo no octógono e vejo algumas das coisas que ele diz e faz, não estou surpreso com o que aconteceu. Ele é selvagem. Quando lutamos, havia algumas coisas que ele fazia que eu não via sentido. Ele é destro e eu sou canhoto. E ele está chutando a minha perna forte e cruelmente. Mas ele não está tentando chutar minha coxa. Ele está literalmente mirando na minha canela.
Eu tenho uma boa defesa de chute. Ele deu aquele chute e eu coloquei meu joelho para defender. Batemos canela com canela. Estou pensando comigo mesmo: "Por que você faria isso? Isso dói, agora nós dois estamos doloridos. Mas não posso mostrar que estou". Então eu continuo lutando. Ele fez isso umas duas ou três vezes.

Se eu fizer isso e me machucar, não vou continuar defendendo da mesma maneira. Estou tentando te machucar, mas não me machucar junto. Ele apenas segue em frente. Ele evoluiu a partir daí. Ele se tornou cada vez mais cruel, cada vez mais calculado. E o cardio que ele tem... é difícil derrubá-lo e mantê-lo no chão. Não acho que ele tenha mais resistência para dor. Eu acho que ele gosta disso. Não sei se é uma daquelas coisas que o faz se sentir vivo... ou talvez ele apenas goste de poder sofrer mais que você.
Anthony Pettis, derrota para Ferguson por nocaute técnico no segundo round no UFC 229 em 6 de outubro de 2018)
Ele só quer ganhar. Quer muito ganhar. Eu o acertei com a direita - chute, soco, consegui um knockdown. Ele fez se levantou rapidamente. Seu nível de habilidade e a maneira como ele faz seu jogo de pé são diferentes. Ele não vem até você da maneira tradicional de kickboxing. Ele não vem até você com nenhum tipo de estilo - é o próprio estilo dele. Ele mistura luta com breakdancing. É muito difícil se preparar para isso. E ele também nunca para de dar socos e cotoveladas.

Sua imprudência é o motivo de ele vencer também. Eu o acertei, tentei finalizar a luta e quebrei minha mão. E foi isso que me custou a vitória. Ele leva golpes e gosta disso. É parte de seu plano de jogo, ser atingido e revidar. Dito isto, porém, ele sofre golpes, e Gaethje tem poder de nocaute. Então essa é uma ótima luta. Se Gaethje conseguir acertá-lo e se afastar, é a única maneira que ele pode vencer a luta: nocaute.
Kevin Lee (derrota para Ferguson por finalização no terceiro round no UFC 216 em 7 de outubro de 2017)
Havia muita pressão antes da luta. Parecia que ele realmente não se incomodava tanto com a pressão quanto eu. Eu acho que foi isso que se destacou. Quando as coisas ficaram sérias, ele aceitou e continuou lutando. E isso é algo que estou tentando descobrir por mim mesmo. Aquela luta me abriu os olhos. Ele foi capaz de ajustar tudo de uma maneira que eu não conseguia fazer.

Ele está confiante em quem ele é e no que está acontecendo com ele. Essa é a única maneira que ele pode fazer as coisas estranhas que ele faz. Ele realmente não dá a mínima para o que os outros pensam. Eu acho que é a confiança, mais do que tudo. Isso ajuda muito a ser um grande lutador, tendo essa confiança. É diferente, com certeza.
Lando Vannata (derrota para Ferguson por finalização no segundo round no UFC Sioux Falls em 13 de julho de 2016)
Ele é um lutador de muita pressão. Eu aceitei a luta com pouca antecedência. No segundo round, eu pensei tipo: "Provavelmente não vou vencer essa luta porque estou absolutamente exausto. Então, vou atrás desse cara para conseguir uma pequena vitória moral". Foi uma boa lição lutar com ele. Foi divertido. Eu gostei, mesmo tendo perdido.
É a mentalidade dele. É isso que o faz se destacar. Isso faz com que ele treine mais do que qualquer outra pessoa perto dele, e tenho certeza de que 99% dos caras no UFC. Ele não se cansa e tem uma confiança inabalável. Mesmo com seu conjunto de habilidades que é realmente estranho e o deixa muito exposto, ele se safa por conta de sua forma física e de sua confiança.

Acho que Tony está na mesma ilusão que os grandes atletas atravessam. Eles pensam que são intocáveis, eles pensam que são os melhores. Eles pensam que estão destinados e tudo mais. É muito, muito bom enquanto as coisas estão indo bem. Você vence títulos e fica confiante, mas é um mundo fácil de se estraçalhar.
Gleison Tibau (derrota para Ferguson por finalização no primeiro round no UFC 184 em 28 de fevereiro de 2015)
Eu aceitei a luta com pouca antecedência. Seu oponente se retirou, e o UFC me pediu para entrar. Eu tive um duro corte de peso. Então eu tive que lutar com Tony Ferguson. Isso foi uma péssima ideia. Aquilo foi estúpido. Nunca mais farei algo assim.
Era difícil descobrir o que ele ia fazer. É um estilo diferente, nem todo mundo vai entender. Não era muay thai normal ou boxe. Era alguma coisa diferente.
O grappling do Ferguson, se ele estivesse competindo no jiu-jitsu, não seria de alto nível. Mas para o MMA, é muito bom. Não achei que Tony fosse tão forte entrando na luta, mas sim, ele era. Ele é um bom lutador e é forte também. Essa foi uma grande surpresa para mim.
Donald Cerrone (derrota para Ferguson por nocaute técnico no segundo round no UFC 238 em 8 de junho de 2019)
Não houve nada único em Ferguson além do meu olho inchando no segundo round. Eu lutei com ele com apenas um olho. Fico feliz que eles tenham terminado a luta antes do terceiro round, porque lutar com Tony com um olho provavelmente não teria sido tão bom. Ele tem boa pressão, cara. Ele tem um bom volume de golpes.
Mike Rio (derrota para Ferguson por finalização no primeiro round no UFC 166 em 19 de outubro de 2013)
Ele me venceu porque era desajeitado e longo e sabia como usar isso. E ele é perigoso, tanto de pé quanto no chão. Acho que Ferguson derrotará Khabib Nurmagomedov se essa luta acontecer, e acho que ele derrotará Gaethje também.
Eu não lutei com ele por muito tempo, mas naquele tempo não consegui encontrar uma abertura clara para atacar. Foi estranho. Ele ficou fora do meu alcance, mas ainda era capaz de conectar seus ataques. Me lembro de ficar bravo porque pensei que estava fora do alcance dele, mas ele ainda conseguia conectar golpes em mim.
