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Técnicos revelam como incentivaram Marreta para lutar 'sem joelho' e qual foi a 1ª ação dele após a luta

“O Thiago prometeu e fez: chocou o mundo. Mostrou que o Jon Jones não é invencível, tem muito ponto fraco. É de carne e osso como qualquer um, tem dois braços, duas pernas, sente dor. Ele chocou o mundo. Ninguém esperava isso. Fez cinco rounds de porrada, com uma perna só”.

O sentimento da “equipe Marreta” é claro. E nada tem a ver com a tristeza de uma derrota. Todos estão felizes. Mais que isso: orgulhosos. Eles acabaram de provar ao mundo todo do que são capazes. Contra Jon Jones, um dos maiores lutadores de todos os tempos, completaram todos os rounds e só perderam em uma decisão dividida e até polêmica.

E isso tudo mesmo com o joelho esquerdo do brasileiro machucado desde o começo do primeiro round.

“Ele fez cinco rounds e na opinião da grande maioria saiu vencedor. Ele se machucou no primeiro round, sozinho, e lutou quatro rounds de base trocada. Então fica no ar um questionamento muito simples: e se não tivesse machucado?”, pergunta o técnico Philip Lima.

“Ele prometeu e fez: chocou o mundo. Mostrou que o Jon Jones não é invencível, tem muito ponto fraco. É de carne e osso como qualquer um, tem dois braços, duas pernas, sente dor. O Thiago chocou o mundo. Ninguém esperava isso. Fez cinco rounds de porrada, com uma perna só”, completa Tatá Duarte, o outro treinador e um verdadeiro ‘pai’ para Marreta.

A missão da equipe no córner, aliás, foi diferente da normal. Logo no primeiro intervalo de rounds, tiveram que trabalhar ainda mais como incentivadores. Tiveram de convencer Thiago que ele poderia continuar mesmo ‘sem joelho’.

“Ele já falou de cara que tinha saído o joelho do lugar e a gente falou que tinha que ser no coração. Foi o que ele fez. A estratégia estava muito bem montada. Faltou ter perna para o último golpe entrar”, conta Tatá.

Até por isso, o próprio Thiago não saiu do confronto triste pela derrota ou irritado pela decisão polêmica dos jurados. Pelo contrário: o sentimento dele mesmo foi de realização.

E, mesmo com um joelho bem machucado, ele saiu do octógono já fazendo uma promessa aos amigos de infância.

“Estou achando o Thiago realizado. Cresceu como homem, como lutador. O brasileiro tem que se orgulhar. É o típico brasileiro, cara trabalhador, veio de comunidade carente. Teve altos e baixos até chegar nesse momento. Tem que valorizar um cara desse. Ele saiu da luta a primeira coisa que fez foi ligar para os amigos de infância e falar que estava voltando para um churrasco, dentro da comunidade. Ligou para a mãe, falou que estava bem. A molecada estava toda reunida e ele falou: ‘Estou voltando, prepara o churrasco’”, conta Tatá.

E agora já é hora de pensar no futuro. O sonho maior seria o de uma revanche imediata, mas a própria equipe sabe que isso não vai acontecer. Então, a missão é continuar lutando no topo da categoria para pavimentar o caminho de volta ao cinturão.

“O Marreta não escolhe luta, a gente não vai escolher. O que o UFC decidir a gente vai estar lá. Mas lógico, a gente não quer dar um passo para trás. Porque hoje ele é um dos maiores”, diz Philip.

“É continuar a caminhada. Tirar umas férias, ver o que aconteceu no joelho e retomar a caminhada. Acredito que vai continuar em segundo no ranking ou coisa parecida. Tem vários caras na mira. Blachowicz, Antony Smith, Dominick Reyes, Jhonny Walker... O Jhonny ainda está meio longe” complementa Tatá.

Marreta ainda vai ficar em Las Vegas mais alguns dias para se tratar no Instituto de Perfomance do UFC. Nesta segunda-feira, fará uma ressonância no joelho para saber a gravidade da lesão. A equipe tem grande esperanças de que nenhum ligamento esteja rompido.

Veja TODOS os resultados do UFC 239:

CARD PRINCIPAL

Jon Jones (EUA) venceu Thiago Marreta (BRA) na decisão dividida dos jurados (47-48, 48-49 e 48-49)
Amanda Nunes (BRA) nocauteou Holly Holm (EUA) aos 4:10 do 1º round - cinturão dos galos feminino
Jorge Masvidal (EUA) nocauteou Ben Askren (EUA) a 0:05 do 1º round - meio-médios
Jan Blachowicz (POL) nocauteou Luke Rockhold (EUA) a 1:39 do 2º round - meio-pesados
Michael Chiesa (EUA) venceu Diego Sanchez (EUA) na decisão unânime dos jurados (30-26, 30-26 e 30-26) - meio-médios

CARD PRELIMINAR

Arnold Allen (ING) venceu Gilbert Melendez (EUA) na decisão unânime dos jurados (30-27, 30-27 e 30-27) - penas
Marlon Vera (EQU) finalizou Nohelin Hernandez (EUA) com um mata-leão aos 3:25 do 2º round - galos
Cláudia Gadelha (BRA) venceu Randa Markos (CAN) na decisão unânime dos jurados (30-37, 30-37 e 30-37) - palhas feminino
Song Yadong (CHN) nocauteou Alejandro Perez (MEX) aos 2:04 do 1º round - galos
Edmen Shahbazyan (EUA) finalizou Jack Marshman (GAL) com um mata-leão a 1:12 do 1º round - médios
Chance Rencountre (EUA) venceu Ismail Naurdiev (AUT) na decisão unânime dos jurados (29-27, 29-28 e 30-27) - meio-médios
Julia Avila (EUA) venceu Pannie Kianzad (SUE) na decisão unânime dos jurados (30-37, 30-36 e 30-26) - galos