A carreira de um dos maiores lutadores da história chegou ao fim. Nesta quinta-feira, em coletiva de imprensa concedida na cidade de Montreal, no Canadá, Georges St-Pierre oficializou a aposentadoria do UFC pela segunda vez na carreira. Segundo ele, dessa vez a decisão é definitiva.
"Hoje, todos sabem, não é uma surpresa, anuncio minha aposentadoria. Não é triste, estou muito feliz. Custou muita disciplina para me aposentar no topo, foi um processo na minha cabeça, mas é a hora. Sempre disse que queria me aposentar por decisão minha, não ser aposentado. É como deve ser: no topo", disse o canadense, que falou primeiro em francês, depois em inglês.
Aos 37 anos, St-Pierre é apontado por muitos como o maior nome da história do maior evento de MMA do planeta, reinando durante anos como campeão dos meio-médios em duas oportunidades (entre 2006 e 2007 e 2008 e 2013). Em seu cartel dentro do UFC, St-Pierre tem nada menos do que 20 vitórias e apenas duas derrotas, sendo que as duas foram contra atletas que ele conseguiu derrotar posteriormente: Matt Serra e Matt Hughes, com quem lutou em três oportunidades, sempre valendo o cinturão.
Na primeira oportunidade, a vitória foi de Hughes, através de uma finalização com chave de braço, em 2004. Dois anos mais tarde, veio a revanche, com St-Pierre vencendo com um nocaute técnico, conquistando o cinturão pela primeira vez na carreira. O tira-teima entre eles foi em 2007, depois que Matt Serra, que havia derrubado o canadense e conquistado o cinturão meses antes, se contundiu e não conseguiu lutar, dando a chance a St-Pierre de voltar a encarar Hughes. E novamente o vencer, com uma chave de braço, forma como havia sido derrotado três anos antes.
Porém, como o verdadeiro dono do cinturão era Serra, St-Pierre ganhou apenas o título interino da categoria, conseguindo a unificação quatro meses mais tarde, quando nocauteou o norte-americano em Montreal, praticamente sua casa, já que nasceu em Saint-Isidore, também no Estado de Quebec, no Canadá.
Depois disso, o que se viu foi um tremendo domínio de GSP, como ficou conhecido, entre os meio-médios, com ele ficando até 2013, quando decidiu se afastar do MMA, sem perder nenhuma luta. No período, um de seus desafiantes foi B.J. Penn, outro rival histórico do canadense, mesmo que os dois combates entre eles tenham sido vencidos por St-Pierre.
Na primeira luta entre eles, ainda em 2006, St-Pierre venceu depois de estar em apuros e ter seu nariz quebrado ainda no primeiro round. Depois disso, porém, conseguiu se recuperar, superando o rival na decisão dividida dos juízes. Já no segundo encontro, em 31 de janeiro de 2009, GSP venceu em um combate bastante polêmico, com Penn alegando que o canadense estava "muito escorregadio" depois de ser nocauteado. A alegação, porém, não foi levada adiante após um início de investigação.
E a pausa na carreira de St-Pierre, que alegou que precisava "manter o equilíbrio mental" e que gostaria de "viver uma vida normal", durou longos quatro anos, período em que ele até mesmo se aventurou como ator, atuando em filmes como "Capitão América 2 - O Soldado Invernal".
O UFC anunciou a volta do antigo campeão para o final de 2017, em um combate contra Michael Bisping. Em seu retorno, porém, o canadense lutaria entre os médios e não mais entre os meio-médios.
E ele faturou o cinturão da nova categoria logo na primeira luta, conseguindo uma finalização técnica no inglês em pleno Madison Square Garden, em Nova York e se tornando o primeiro lutador a ser campeão nos Meio-Médios e Médio.
Ele, porém, decidiu abdicar do título para se tratar de uma colite ulcerativa. Seu futuro seguiu em aberto, com diversas possibilidades de rivais surgindo, entre elas uma contra Khabib Nurmagomedov, atual detentor do cinturão de peso leve do UFC, mas nenhuma delas nunca foi confirmada.
A LUTA DO SÉCULO QUE NUNCA ACONTECEU
Enquanto St-Pierre reinava entre os meio-médios, Anderson Silva era o grande nome entre os médios, com 16 vitórias consecutivas no UFC entre 2006 e 2012. Por causa disso, muito se especulava que o evento poderia promover uma "superluta" entre eles, o que acabou nunca acontecendo. E o principal motivo disso é a balança, já que o canadense não queria subir de categoria e o brasileiro também não tinha interesse em baixar o seu peso a ponto de conseguir lutar entre os meio-médios.
Em 2014, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, St-Pierre deixou claro que essa diferença de peso foi realmente o preponderante para o combate não acontecer: "Houve conversas, mas queriam que eu subisse para os médios. Se eu subir para os médios... Peso 86 kg, se eu subir de peso, o cara pesa 104 kg fora do período de luta, eu peso 86 kg fora de temporada. Agora, chego a 88, 89kg, no máximo. Meus amigos o viram (Anderson), recentemente, e ele está com 105, 106 kg. Meus amigos o conhecem. Ele é um cara muito grande. Não é uma luta justa para mim. Antes, Anderson Silva era um cara do meu tamanho, quando ele lutava no Japão. Agora, não, é muito maior. Se for uma luta justa, luto com qualquer um", garantiu.
