Fight Music Show é 'circo'? O que Popó, Bambam, Mamá Brito e atletas dizem sobre as críticas e o impacto do evento no boxe brasileiro

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Popó Freitas manda recado para desafiantes e incentiva novos lutadores (1:01)

O Fight Music Show 8 chega a Mercado Livre Arena Pacaembu cercado de expectativa, misturando esporte, entretenimento e personagens que movimentam milhões de fãs nas redes sociais. Mas, antes de virar um dos eventos mais comentados do país, a ideia nasceu da visão de Mamá Brito, idealizador do projeto e um dos responsáveis por transformar o boxe em um espetáculo para além do ringue.

Primo de Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro, Mamá contou que sua relação com as artes marciais começou ainda nos bastidores da carreira dos irmãos. Ao longo dos anos, viajou pelo mundo acompanhando eventos e produções ligadas às lutas, passando por países como Rússia, Japão, Coreia do Sul, Israel e Tailândia. Foi justamente em uma dessas viagens que surgiu o insight para criar o Fight Music Show.

Segundo ele, a ideia ganhou força após assistir a eventos que misturavam luzes, música e influenciadores lutando. Em Dubai, viu um evento envolvendo tiktokers e youtubers e percebeu ali um formato que poderia adaptar ao Brasil. A partir disso, decidiu unir o universo das lutas ao entretenimento, apostando também em sua experiência como músico para criar um produto diferente do tradicional.

Mamá revelou ainda que convencer Whindersson Nunes a entrar no projeto foi rápido. Em poucos segundos de conversa, conseguiu apresentar a ideia e dar início ao evento que hoje chega à oitava edição. O grande desafio da estreia, porém, foi financeiro. Ele admitiu que a primeira edição teve um custo muito maior do que imaginava e que precisou "trabalhar como um cavalo" para conseguir equilibrar as contas.

Mesmo cercado de críticas por parte dos mais tradicionalistas do mundo das artes marciais, Mamá garante que o Fight Music Show encontrou um público próprio. Para ele, o evento consegue aproximar fãs de artistas do universo do boxe e incentivar novas pessoas a treinarem. Além disso, reforçou que o FMS não vive apenas de uma edição anual, mas de uma estrutura de eventos durante todo o ano, incluindo lutas profissionais, eventos de comédia e outros formatos ligados ao entretenimento esportivo.

Dentro do ringue, um dos nomes que mais simbolizam o crescimento do Fight Music Show é o de Acelino Popó Freitas. Lenda do boxe brasileiro, tetracampeão mundial e principal estrela do evento, Popó afirmou que segue motivado simplesmente por continuar fazendo o que ama. Para ele, treinar diariamente virou uma terapia, enquanto o ambiente das lutas segue sendo parte natural de sua vida desde os anos 90.

Popó também destacou o quanto as lutas de entretenimento trouxeram um ambiente mais leve ao boxe. Diferente da tensão extrema das disputas profissionais, o Fight Music Show permite diversão, interação com o público e momentos descontraídos durante encaradas e coletivas.

Ao falar sobre Whindersson, Popó ressaltou a importância do esporte no combate à depressão e à ansiedade. Segundo ele, o humorista encontrou no boxe uma ferramenta importante para lidar com questões emocionais, algo que o próprio campeão acredita ajudar milhares de pessoas.

Mesmo aos 50 anos, Popó ainda não pensa em abandonar completamente os ringues. O ex-campeão afirmou que continuará lutando enquanto seguir competitivo nos treinamentos e destacou que seu maior legado vai além dos títulos mundiais. Para ele, o mais importante foi mostrar que alguém que saiu da pobreza e das drogas conseguiu mudar de vida através do esporte e inspirar outras pessoas a seguirem o mesmo caminho.

Outro personagem que chega cercado de atenção para o Fight Music Show 8 é Kleber Bambam. Depois da derrota para Popó, Bambam retorna ao ringue para enfrentar Davi Brito em um duelo entre campeões do BBB. O influenciador contou que aceitou o desafio justamente para testar seus limites aos 48 anos e descobrir até onde consegue evoluir dentro do boxe.

Bambam afirmou que encara a luta como uma mistura de esporte, entretenimento e negócio, mas garantiu que leva a preparação a sério. Desde sua estreia no FMS, mudou hábitos, perdeu peso e incorporou os treinos à rotina. Segundo ele, a principal diferença agora é a experiência adquirida após enfrentar Popó, o que deve fazê-lo subir ao ringue mais calmo e preparado.

Além da rivalidade com Davi, Bambam já mira um possível futuro duelo contra Whindersson. Na visão dele, seria o encontro perfeito entre grandes nomes da internet brasileira dentro do Fight Music Show.

Entre atletas, influenciadores e criadores de conteúdo, praticamente todos os participantes enxergam o evento como uma ponte entre o entretenimento e o esporte. Dynho Alves afirmou que o FMS mudou sua vida profissional e pessoal, destacando o foco, a disciplina e a competitividade desenvolvidos durante os treinamentos. Para ele, quem critica o evento desconhece o processo necessário para subir no ringue.

Romulo acredita que o Fight Music Show conseguiu “furar a bolha” e aproximar o público casual do boxe, enquanto Luiz Mesquita reforçou que o entretenimento não elimina a seriedade da preparação física e mental dos participantes.

A influenciadora Zoo contou que aceitou o convite imediatamente por enxergar no FMS a oportunidade perfeita para mergulhar de vez no boxe, mesmo vindo recentemente do fisiculturismo profissional. Já Raissa Barbosa afirmou que entrar no evento representa uma forma de transformar dores pessoais em força dentro do ringue.

Entre os lutadores profissionais, Lusimar Gonzaga, o Tyson Tigre, destacou que o Fight Music Show abriu portas para atletas ganharem reconhecimento e visibilidade. Segundo ele, muitos campeões não conseguiam espaço na mídia antes do crescimento desse formato.

Filho de Popó, Iago também acredita que o evento revolucionou o boxe no Brasil ao levar fãs de influenciadores e artistas para dentro das academias. Segundo ele, o Fight Music Show ajudou a aumentar a procura pelo esporte recreativo e competitivo em diversas regiões do país.

Mesmo recebendo críticas nas redes sociais, os participantes compartilham uma visão parecida: o Fight Music Show pode ser entretenimento, mas exige preparo real, treino intenso, disciplina e coragem para entrar no ringue diante de milhares de pessoas. Em meio às luzes, à música e aos influenciadores, o evento segue crescendo justamente por conseguir unir espetáculo e esporte em um formato que conversa com uma nova geração de fãs.