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Patric conta como superou problemas, fortaleceu a mente e virou capitão do Sport: 'Procuro ajudar'

Para fazer uma campanha de recuperação no Campeonato Brasileiro e sair da zona de rebaixamento, o Sport conta com o exemplo de Patric. O lateral-direito da equipe rubro-negra usa sua vida como testemunho aos colegas de como é possível se reinventar.

Hoje capitão e um dos destaques do Sport, o jogador tinha cenário totalmente adverso na carreira há nove anos. Deslumbrado com a fama e o dinheiro que ganhou no Atlético-MG, o lateral tinha vários problemas extracampo.

“Quando eu era novo perdi dinheiro? Sim. Por bebida, por uma vida fora do futebol que não dá para conciliar. Entre o jogador com potencial e o atleta profissional, eles preferem hoje o profissional. Como um cara vai jogar quarta e domingo se ele quebra tudo à noite? Não tem mais espaço para esse tipo de jogador”, disse, ao ESPN.com.br.

Por isso, passou a ser emprestado pelo Atlético-MG e perdeu as conquistas da Conmebol Libertadores (2013), Recopa Sul-Americana (2014) e Copa do Brasil (2014).

Vindo de uma infância muito humilde, Patric admite que não estava preparado para uma mudança de vida que o futebol lhe proporcionou.

“Tive uma tomada de consciência ao longo da minha carreira porque fui um andarilho do futebol. As coisas começaram a mudar há 10 anos quando conheci a Chai, que virou minha namorada e hoje é a minha esposa. O começo foi diferente porque foi um momento conturbado, de bebedeira e afastado do Atlético-MG. Depois, nos casarmos e tivemos o Dominic em 2015. Tive uma vida de crescimento profissional, financeiro e espiritual”, afirmou.

O lateral ainda demorou algum tempo para conseguir amadurecer, mas retomou o espaço na carreira. Voltou para o Atlético-MG com outra mentalidade. Virou um dos xodós da torcida por sua entrega e polivalência em campo.

Aos poucos, foi desenvolvendo também uma liderança positiva.

“Hoje sou reconhecido como um atleta exemplar. É uma responsabilidade. Ser jogador de futebol á fácil, mas deixar de fazer certas coisas para dormir cedo porque tem treino no dia seguinte cedo é difícil”, explicou.

Capitão no Sport

Depois de uma década com vínculo com Atlético-MG, Patric resolveu voltar em 2020 para o Sport, clube que defendeu em 2013.

“Todas as partes entenderam que era hora de deixar o Atlético-MG. O Sport é um clube que sou sócio torcedor e que amo e fui muito bem acolhido desde a primeira passagem”, contou.

Patric viveu um começo complicado na segunda passagem pelo Sport, que lutou contra o rebaixamento no Estadual e foi eliminado na Copa do Nordeste para o Fortaleza – o lateral perdeu uma das penalidades.

“Um atleta para ser bem sucedido precisa de alguns pilares fortes: familiares, emocional, físico e financeiro. Há algum tempo venho fazendo acompanhamento com psicólogo [Filipe Stahelin] e muita gente não entende. As pessoas não procuram cuidar da saúde mental antes de acontecer alguma dificuldade”, contou.

“Eu também procuro ler a Bíblia e estudar sobre pessoas que são referência em alguma área. Converso muito também com Réver, Victor, Ricardo Oliveira e outros amigos que jogam na Europa”, contou.

Com a parte mental fortalecida, Patric procura ajudar seus companheiros de equipe para tirar o Sport da parte de baixo da tabela do Brasileiro. Ele virou capitão da equipe com a saída do volante Willian Farias.

“É uma responsabilidade boa e estou maduro. Quando você se prepara para isso é muito mais prazeroso. Para ser um líder é preciso passar verdade e confiança. Nem sempre com palavras, mas com gestos e atitudes. Procuro ajudar meus companheiros dentro de campo e fora também. Você acaba sendo um elo dos jogadores com a diretoria”, contou. Patric procura aconselhar os mais jovens a cuidarem mais do corpo, respeitarem o sono e a se alimentarem da forma correta.

“Às vezes a gente precisa conversar com alguém que esteja treinando para caramba, mas tendo menos chances nos jogos. Procuramos fazê-lo se sentir mais prestigiado e entender o lado dele. Tudo na vida é um processo”, explicou.

'Dominic é um milagre'

Em 2015, Patric e Chai tiveram o primeiro filho que foi batizado de Dominic em homenagem ao personagem Dominic Toretto (interpretado pelo ator Vin Diesel) na série de filmes Velozes e Furiosos. O garoto nasceu com uma doença rara - atinge um bebê a cada 1,5 milhão de nascimentos - chamada doença hemimelia tibial, que o obrigou a amputar uma das pernas.

“Eu o vejo evoluindo a cada dia e mostrando coisas novas para mim. É um milagre na minha vida e me faz crescer a cada dia. Quando me sinto forte e vencendo é porque ele me transmite que nada é impossível” contou.

Dominic conseguiu em 2020 dar os primeiros passos sem a ajuda de um andador. O feito foi comemorado como um grande título para toda família.

“Desde a gestação a gente entendia como seria e procurou cuidar dessa parte psicológica. Ficamos fortes para darmos suporte para ele. Sempre sou grato com quem contribuiu seja com um abraço ou uma oração. Espero que ele tenha muito sucesso na vida porque é um vencedor”, disse.