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Champions League: Klopp quebrou a cabeça para escalar Lewandowski e ex-Palmeiras juntos

Forte candidato a ser o melhor jogador do mundo, Robert Lewandowski já balançou as redes 54 vezes em 45 partidas na temporada – média incrível de 1,2 gol por jogo.

Artilheiro da Champions League, ele é a principal arma do Bayern de Munique para superar o Lyon na semifinal do torneio, que será realizada em jogo único, nesta quarta-feira, em Portugal.

O centroavante apresentou uma evolução incrível na última década. Sua transferência em 2010 do Lech Poznan-POL para o Borussia Dortmund não causou grande impacto.

“O [Lucas] Barrios [ex-Palmeiras e Grêmio] era ‘o cara’ do ataque do time. O Lewandowski veio naquela época para ficar no banco”, contou Antônio da Silva, ex-meia do Dortmund, ao ESPN.com.br.

Na primeira temporada Lewa saía quase todos os jogos da reserva. O treinador Jurgen Klopp chegou a buscar uma alternativa para colocar o polonês e o argentino em campo.

“O clima estava muito ruim, e o Klopp odeia clima ruim dentro do campo e tentou com o Barrios na frente e o Lewa pelo meio, mas não foram muitos jogos. O Lewa é um centroavante de área mesmo e não deu muito certo”, recordou.

Além da disputa por posição, o jogador sofreu para aprender o novo idioma.

“Ele era muito quieto com a gente porque também não falava muito alemão. Ele conversava mais com os dois poloneses do time, o Kuba e o Piszczek, que o ajudaram muito”, explicou.

Klopp quebrou a cabeça

No primeiro ano na Alemanha, foram 9 gols em 43 jogos (sendo apenas18 deles como titular). A situação de Lewandowski começou a mudar depois que Lucas Barrios sofreu uma lesão na parte final da temporada 2010/2011

“Ele ficou uns jogos fora e o Lewa arrebentou. Meteu gol pra caramba e não saiu mais”, contou.

“Não imaginava [naquela época] que ele iria se sobressair tanto. Ele meteu muito gol, virou um cara de área e que sabe jogar fora também. Ele aprendeu muito com o Klopp a estar sempre voltando para pegar e pressionar os zagueiros adversários”, analisou

Logo no segundo ano, ele fez 30 gols em 48 partidas e passou a mostrar muita qualidade nas finalizações.

“Ele é raquítico, mas tem muita força porque o zagueiro bate e ele não cai de jeito nenhum. Ele se dedica demais ao futebol e tem um nariz para a área que é incrível. É um cara de outro mundo!”

“Era um cara extremante profissional e trabalhador. Ele tinha uma dieta bem diferente e não tem um grama de gordura no corpo. Ele vive para o futebol. Você nunca o vê se machucar, ele é como o Zé Roberto”.

Antônio usa como exemplo a atuação mais emblemática de Lewa com a camisa do Dortmund, quando ele fez 4 gols no Real Madrid na semifinal da Champions League de 2013.

“Os zagueiros nos treinos chegavam para rasgá-lo ao meio, mas ele não caía de jeito nenhum. Eu dei muita risada naquela semifinal porque a zaga deles era Pepe e Sergio Ramos. Os caras batiam nele e não acontecia nada (risos). Eu falava para os meus amigos: ‘Esse aí eu conheço’ (risos)”.

Melhor do mundo?

Em 2014, o atacante trocou de forma polêmica – e sem custos – o Dortmund pelo Bayern de Munique, principal adversário na Alemanha. Desde então, foram mais seis Bundesligas e a artilharia de vários torneios. Além disso, atingiu o ápice físico e técnico na carreira.

Apesar disso, Antônio da Silva acredita que o polonês pode ainda melhorar.

“Ele volta muito para buscar o jogo, e acho que não tem necessidade pelo elenco que o Bayern tem. Acho que ele deveria ficar só na bandeja, mas ele volta mesmo assim”.

“O Lewa amadureceu e virou um líder dentro de campo. Com a gente ele não tinha isso ainda. Isso fez com que ele crescesse muito”, finalizou.