Técnico do Manchester City, Pep Guardiola conta com vários jogadores brasileiros em seu elenco, como o goleiro Ederson, o zagueiro/volante Fernandinho e o atacante Gabriel Jesus. No passado, o comandante já teve a oportunidade de trabalhar junto com duas das maiores lendas da história do futebol verde e amarelo: Romário e Ronaldo.
Pep atuou com ambos no Barcelona, equipe que defendeu entre 1990 e 2001. Ele esteve ao lado do "Baixinho" entre 1993 e 1995, faturando LaLiga em 1993/94, e do "Fenômeno" entre 1996 e 1997, levantando uma Copa do Rei, uma Supercopa da Espanha e uma Copa dos Campeões de Copas da Uefa.
Durante toda sua carreira, Guardiola jamais falou publicamente sobre quem achava melhor entre Romário e Ronaldo. No entanto, ele fez essa confissão a um colega de profissão brasileiro.
Aconteceu no meio dos anos 2000, quando Pep se aposentou como jogador e iniciou o curso da Uefa para virar treinador - o que ocorreria em 2007, quando ele foi contratado pelo Barcelona B.
Enquanto ainda fazia as aulas obrigatórias, Guardiola conheceu o brasileiro Fabiano Soares Pessoa, que também era ex-atleta e viria a se tornar técnico. Ele iniciou sua trajetória em 2006, no Compostela (equipe que havia defendido como jogador) e fez a maior parte de sua carreira no futebol da Espanha e de Portugal, tendo passado pelo Athletico-PR em 2017.
Em entrevista à ESPN, Fabiano recordou algumas das conversas que teve com Pep e revelou o "maior segredo" do catalão.
"Fiz o curso da Uefa com o Guardiola aqui na Espanha. Eu era muito fã do Romário, porque sou carioca igual a ele. Um dia, perguntei ao Guardiola: ‘Pep, você jogou com os dois. Quem foi melhor: Ronaldo ou Romário?’. Ele pensou e me respondeu: ‘O Ronaldo era melhor. Romário veio com 28 anos para Barcelona, e dentro da área era extraordinário... Mas o Ronaldo, com 19 anos, já era fabuloso’", recordou Fabiano Soares.
Atualmente sem clube, o treinador brasileiro fez parte do time do Compostela que levou o mais famoso gol do "Fenômeno" no futebol espanhol, marcado em 1996. Quando jogou lá, ele também ouviu discurso parecido.
"Tive dois companheiros no Compostela que atuaram tanto com Romário quanto com Ronaldo no PSV, da Holanda. Um dia, conversando sobre isso, eles disseram: 'Fabiano, o Romário é Deus... Mas o Ronaldo é mais Deus ainda (risos)!", divertiu-se.
GUARDIOLA ERA ALUNO NOTA 10
Além do hoje comandante do Manchester City, a turma de Fabiano Soares no curso da Uefa era recheada de outros nomes de peso.
"Quando eu parei de jogar, a Federação Espanhola iniciou os cursos de treinador para quem jogou no país. Um amigo meu do Celta de Vigo me falou para fazer. No início eu não queria, mas fui lá com ele. A gente brincava que éramos os menos famosos da turma, pois os caras que estavam eram 'só' o Guardiola, o Luis Enrique, o Guillermo Amor e o Miguel Ángel Nadal (risos)", recordou.
"Foi um curso muito legal. Nós tínhamos que ler 10 livros e depois passamos por provas teóricas e práticas. Eu já tinha jogado no Santiago Bernabéu e no Camp Nou, mas passei um nervoso que nunca tinha passado na hora das provas (risos). Fiz três cursos até conseguir minha Licença Pro da Uefa e da Federação Espanhola", acrescentou.
"Lembro também que o diretor do curso era um cara bem rígido, e cobrava todos os alunos por igual, independentemente da fama. Ele queria muita seriedade. Foi sempre uma tensão muito grande, pois imagina se alguém reprova no curso! Vinham até professores de fora para nos avaliarem, geralmente de algumas das maiores universidades da Europa", contou.
Fabiano conta que Guardiola era um aluno extremamente dedicado, perfeccionista e "nota 10".
"Guardiola era viciado em golfe, adorava jogar. Mas, quando chegavas as provas, ele tinha as ideias muito claras. Nunca imaginei que ele iria ganhar tantos títulos, mas já víamos nele umas ideias muito claras. Era um aluno diferente, não era aquele aluno que ficava copiando o que o professor falava. Nos exercícios no campo, aliás, desde sempre ele sabia explicar tudo muito bem", rememorou.
"O Guardiola é um perfeccionista, e treina isso à exaustão. Por exemplo, a saída de bola ousada do goleiro com os pés mesmo pressionado, os zagueiros abrem para receber o passe. Se a bola quicou ou o cara deu três toques ao invés de dois, ele para o exercício e o repete até sair da forma correta", relatou.
Para Soares, muito da genialidade de Pep vem de seu "professor" nos tempos de atleta do Barça.
"Ele foi criado pelo Johan Cruyff e na base do Barcelona. A ideia dele de jogo pelos exercícios, e nas conversas que tinha conosco, dava para perceber isso claramente. Nos treinos, o time dele ficava sempre com bola, nunca dando chutão.Não sabíamos desde essa época que ele seria um fora de série, mas já dava indícios", finalizou o brasileiro.
