A pandemia de coronavírus mudou a vida dos jogadores brasileiros que moram ao redor do mundo. O zagueiro Victor Cardozo, que joga no Pathum United, da Tailândia, precisou cancelar a viagem de toda família para a Ásia no começo de março.
"Minha rotina é casa, treino, casa. Consigo fazer as refeições através de pedidos aos aplicativos de comida. Quando o motoboy chega eu coloco a máscara para recebê-lo e logo após lavo bem as mãos com álcool. É o máximo de contato que me permito ter com o mundo externo", disse, ao ESPN.com.br.
Ele conta que passou vários perrengues no período no país nos últimos meses.
"Levei dez dias para fazer um bom estoque, mas os produtos estão acabando. Já teria que ir novamente no mercado, mas os aplicativos têm me ajudado a adiar essa ida. Passo praticamente todo o tempo em casa. Aproveito para rezar, pedir a Deus para que esse quadro não piore. Meu clube fica junto a uma empresa em que trabalham cerca de dois mil funcionários e isso obviamente gera preocupação."
A previsão de retorno da Thai League é para o dia 18 de Abril.
DE CONVITE PELO FACE À ARTILHEIRO
Victor construiu a fama que ostenta hoje na Tailândia por meio dos gols. Apesar de ser zagueiro, ele fez foi até artilheiro de alguns clubes que passou.
Uma história que começou com um convite vindo pelas redes sociais.
"Estava no São Bento, em Sorocaba, e recebi uma mensagem no Facebook e procurei saber quem era, quem estava interessado. Era o Ubon UMT United. Aceitei o convite e cheguei para jogar a terceira divisão", relembrou.
"Em seis meses, subimos para a segunda divisão. Em um ano estávamos na primeira. E hoje estou no Chiangrai United, um dos grandes da Tailândia. Tem bastante torcida, um time legal, bom de se trabalhar. Está no top-3 do país".
A transformação em zagueiro-artilheiro começou no Brasil e foi potencializada na Tailândia. Lições que Victor tirou de uma modalidade tipicamente brasileira.
"Eu pratico futevôlei desde os meus 12 anos. Isso me dá um tempo de bola muito bom, e posso tirar um pouco de vantagem dos outros defensores", disse Victor Cardozo.
"Essa característica eu trouxe mesmo do Brasil. Sou um zagueiro com uma média de gols elevada. Cheguei a fazer gols nos times daí, no Esportivo foram seis, nos outros times. Mas aqui que aflorou. Eu me amadureci também".
