Entre 2004 e 2014, um zagueiro se notabilizou por marcar quase 50 gols, número extremamente alto para um atleta de defesa. Trata-se de Antônio Carlos dos Santos Aguiar, que anotou 49 somando suas passagens por Fluminense, Botafogo, São Paulo e Athletico Paranaense, entre outros clubes.
Atualmente com 35 anos, ele segue na ativa, comandando a defesa do Brasiliense no Campeonato Candango, ao lado do também experiente Lúcio, Pentacampeão do mundo com a seleção brasileira em 2002.
Ao mesmo tempo em que ainda corre atrás dos atacantes em campo, Antônio Carlos já se prepara para a vida pós-futebol e investe nos negócios. Ele é sócio de uma grife de roupas e bonés, que faz muito sucesso no mundo da bola.
"Eu tenho uma marca já há uns três anos. Trabalhamos no seguimento de camisas long, que a 'boleirada' gosta. Tenho um sócio, a gente dá as ideias de como quem montar as peças e o pessoal faz para a gente", contou, em entrevista à ESPN.
"Estamos vendendo bastante! Não temos loja física, trabalhamos com comércio online e revendedores. Temos camisas de todo tipo, bermudas e também bonés. E eu uso sempre as peças pra divulgar também", relatou o empreendedor.
Feliz com o sucesso da grife, ele já pensa em expansão, mas com pés no chão.
"Por enquanto, a gente trabalha mais com moda masculina, mas vamos ver no futuro... A gente procura ir no seguimento que agrada o pessoal. Por enquanto, quem cuida mais do trabalho de confecção é meu sócio, mesmo", salientou.
ZAGUEIRO-ARTILHEIRO
A facilidade de Antônio Carlos para fazer gols, mesmo atuando como zagueiro, tem explicação: ele chegou a treinar como atacante nas categorias de base, e pegou gosto pela coisa.
"Eu comecei como atacante no Olaria, mas não fazia muitos gols (risos). Depois, recuei para volante e por fim fui pra defesa. Só que, no meu primeiro jogo como zagueiro, eu fiz dois gols, e o [técnico] Marcelo Cabo falou que ia me fixar na zaga e estou aí até hoje", contou.
A impulsão de Antônio Carlos atraiu a atenção do Fluminense, que logo buscou seu futebol na base do Olaria.
"Fui vendido ao Flu em 2002 e fiquei um tempo em Xerém. Subi em definitivo pro elenco profissional em 2003, e joguei com várias feras, como Romário, Edmundo, Ramon, Roger e Carlos Alberto", recordou.
"Nosso time mesclava jogadores jovens e experientes, mas tínhamos vários atletas de nome. Eu fiz a dupla de zaga com o Fabiano Eller e fomos vice-campeões da Copa do Brasil, perdendo aquela final para o Paulista de Jundiaí", rememorou.
Do Flu, o defensor foi vendido ao Ajaccio, da França, em 2005.
"Joguei lá por quase dois anos. Enfrentei vários caras conhecidos no Campeonato Francês, como Denílson, que estava no Bordeaux, e o Vieri, que era do Monaco. O Vieri era muito forte, e eu era magrinho, não tinha nem como dar porrada nele (risos). O cara protegia muito bem a bola e fazia muitos gols de cabeça. Pense num cara chato de marcar", relatou, aos risos.
Do Ajaccio, Antônio Carlos retornou ao Brasil para jogar no Athletico Paranaense, que defendeu entre 2007 e 2009 com bastante destaque, chegando a quase ir para a seleção brasileira.
"Bati na trave de ser convodado... Tinham me falado que eu seria chamado para o Superclássico das Américas de 2008. Só que tive uma lesão bem na partida do final de semana, e a convocação foi na quarta-feira. Fiquei triste por não jogar, teria sido uma marca para a minha vida, mas acontece", lamentou.
Em 2010, o beque foi repassado por empréstimo ao Botafogo, equipe na qual fez história ao conquistar o Cariocão de maneira épica, com a famosa "cavadinha" de Loco Abreu em pênalti contra o Flamengo.
"Aquele título de 2010 foi muito comemorado. A equipe estava há três anos perdendo sempre para o Fla, e ficamos muito felizes de parar de bater na trave. A 'cavadinha' do Loco ficou para a história. Nosso grupo não era grande, mas só tinha jogadores aguerridos e quem se matavam dentro de campo, fazendo muitas funções diferentes", elogiou.
A estaria em General Severiano durou até 2013, quando ele foi para o São Paulo.
"Eu estava em fim de contrato no Botafogo e tinha ido para o banco, pois os titulares eram Dória e Bolívar. O São Paulo estava em uma situaçã desesperadora no Brasileiro, em penúltimo lugar, e me convidaram para tentar mudas as coisas. Fomos felizes nessa missão, tirando o time da zona do rebaixamento e levando até a Copa Sul-Americana", celebrou.
No clube do Morumbi, foram muitos gols a favor (13 em 61 jogos). No entanto, diversos torcedores se lembram até hoje de um clássico contra o Corinthians no qual ele fez uma proeza: marcou dois gols contra. Ainda assim, o Tricolor ganhou por 3 a 2.
"Ganhamos por 3 a 2, mas fiquei uma semana sem dormir depois dessa partida, de tanta raiva que fiquei. A gente trabalha tanto, mas tem dia que as coisas não dão certo. Não é fácil reagir depois de uma partida dessas. Você não quer errar no jogo, mas acontece. Fiquei bem triste quando isso aconteceu, mas dei a volta por cima depois", salientou.
Depois do São Paulo, Antônio Carlos teve mais uma passagem pelo Fluminense. Na sequência, rodou por Avaí, Ceará, Boavista, Brusque e Magallanes-CHI antes de chegar ao Brasiliense, seu clube atual.
