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Mulheres no Free Fire: Tami e Laura comentam jornada rumo à Série A da LBFF

Primeiras mulheres na Série A da LBFF, Tami e Laura são titulares pela SS Esports Divulgação/SS Esports

Pela primeira vez desde sua criação, o competitivo brasileiro de Free Fire terá mulheres em sua primeira divisão. Ao fim das rodadas decisivas da Série C da Liga Brasileira do battle-royale, a LBFF, a SS Esports conquistou sua vaga no torneio principal e marcou a entrada das jogadoras Tami e Laura, ao lado dos companheiros Aranha e Fzn, no campeonato de esports que mais cresce no Brasil.

Em entrevista ao ESPN Esports Brasil no podcast Central Esports, as titulares da SS assumiram que “ainda não caiu a ficha”. “Parece que foi brincadeira, que eu tô sonhando”, diz Laura; “Só vai cair a ficha quando a gente tiver lá [no palco], e aí eu choro de novo”, brinca Tami.

Ex-rivais, a dupla de garotas da SS é “cria” da Liga Feminina de Free Fire idealizada pela NFA, associação de clubes do battle-royale. Campinense de 16 anos, Laura jogava pela paiN, enquanto Tami, de 25 anos e de Belém do Pará, era do time das Las Grandes. Atualmente, as duas moram em São Paulo, na gaming-house da nova equipe.

Elas contam que a ideia inicial da SS era de utilizar a dupla em uma escalação feminina para disputar o caminho até a LBFF. O grupo só de meninas não vingou, mas os passos foram abreviados quando, em testes para a escalação principal, o time que mais “encaixou” foi o formado por Tami, Laura, Aranha e Fzn.

“O time foi criado três dias antes de começar os jogos da Série C, e a gente amassou nos jogos”, conta Tami. “Com pouco tempo de jogo, o entrosamento foi incrível, porque todos ali estavam com o mesmo objetivo”, diz a jogadora.

O objetivo era a Série A. “A gente mostrou que tinha potencial”, crava. “Em três dias, (...) a gente passava semre em primeiro ou terceiro lugar nos grupos, se dava bem jogando e se comunicando, e criamos uma amizade muito grande no time. Esse é o nosso diferencial, essa amizade”, avalia a titular.

“Todo mundo aqui teve a mesma oportunidade, as mesmas chances, só que muita gente não acreditava na gente pelo fato de ser uma line nova”, Laura acrescenta. Tami completa: “Eu sempre falava pra eles: cara, é uma oportunidade que pode mudar a nossa vida”.

DESAFIOS

A Liga Brasileira de Free Fire teve suas três divisões definidas no último mês de março. Em seu anúncio, 12 clubes estavam confirmados na Série A, e mais de 1500 outros disputariam a Série C em busca de 8 vagas na primeira divisão e 32 na segunda.

O squad da SS era parte do battle-royale da vida real. Em toda a jornada rumo à Série A, a dupla titular confessa que a semifinal da Série C foi a etapa mais difícil. “Eram 3 partidas e só os 3 melhores passavam. Foi uma pressão enorme”, assume Laura.

“No dia anterior, mudou o regulamento”, relembra Tami. “Ia ser só uma partida, mas seis passavam. Quando fomos ver, a Garena mudou o regulamento e seriam seis partidas, mas só três passavam”, diz. “Era pior que a final, porque na final passavam oito, na semi eram só três”, completa a companheira de equipe.

Tami prossegue: “A gente ficou muito pilhado, nem dormiu direito. Ficávamos pensando e conversando toda hora, um chorando pra cá, outro chorando pra lá de nervosismo. Principalmente eu, que sou bem chorona”, ri. “Esse foi o mais difícil.”

Apesar de tudo, as jogadoras contam que não queriam perder nenhum jogo que entravam, mesmo se tivessem outra chance de alcançar o objetivo. Após as classificatórias abertas e fechadas, o melhor aconteceu: o time chegou na Série A.

“Cara, passa um filme na cabeça”, diz Tami. “De tudo que você lutou para estar ali… chorei muito”, confessa, aos risos. Laura continua: “É surreal ver um sonho seu se realizando. Parece que todo esforço se recompensa, parece que é brincadeira, ver tudo isso acontecendo é uma emoção enorme”, afirma.

NÍVEL DE JOGO

Agora na primeira divisão, as jogadoras são frias ao apontar especificidades do torneio principal. “Na Série A, eles têm muita experiência entre os times que já estavam lá. Eles têm um jogo e se conhecem, então a gente tem que se adaptar ao jogo deles e estudar os times. É muito trabalho que tem que ser feito, porque os caras já são de nível muito alto. Já estava difícil na série C, que tinha muito time bom. Agora, com os caras muito mais experientes, temos que trabalhar, estudar os times”, analisa Tami.

Elas contam que os treinos com os times da primeira divisão já estão acontecendo, e que o diferencial será, além da dedicação, a preparação psicológica. “Estar com uma mente boa na hora, no momento é fundamental. (...) O que vai mudar mesmo é o presencial. A gente ver como os times jogam, porque lá muda totalmente. Não sei como a gente vai tar, se vamos estar nervosos ou não, muda muito”, divaga.

A perspectiva não chega perto de causar medo na jogadora. “Eu não fico com medo não”, afirma, rindo. “Eu sempre coloco na minha cabeça: Bala todo mundo tem, o negócio é estratégia. Criar estratégia no jogo porque não é só bala que vai ganhar, o jogo é estratégico também. Vamos estudar muito pra isso”, garante.

MULHERES NA LBFF

Questionadas sobre o peso de sua conquista para a causa feminina, as jogadoras reconhecem a importância e agradecem ao público feminino. “Eu e a Tami estamos representando todas as mulheres no jogo”, crava Laura. “Estar representando todo mundo é um peso grande, mas a gente tem que mostrar é igual, que não é porque somos mulheres que somos inferiores, e que a gente tem capacidade também”, diz.

“Isso abre muitas portas até para um squad masculino chamar alguma mulher ou algo do tipo”, acrescenta Tami. “Pode não mudar muita coisa por enquanto, mas vai mudar muito ainda, eu tenho certeza.”

“E a gente serve como inspiração, também. ‘Poxa, se ela conseguiu, a gente também consegue’”, exemplifica Laura. “Não só para as mulheres, mas num geral, a gente recebe muita mensagem desse tipo. ‘Nossa, to muito feliz, vocês me inspiram.’.

Sobre a possibilidade de mais meninas no jogo inspiradas por elas, Tami é enfática. “Eu sempre digo: não existe não ter potencial ou não conseguir. “É só treino, foco no que você quer que você sim é capaz. É só trabalhar pra isso que o resultado vai aparecer. Pode demorar, mas aparece. E a gente teve muito apoio, graças a Deus”, exalta.

As jogadoras finalizam a conversa incentivando que outras pessoas que sonhem com o Free Fire se dediquem à conquista. “Se você tiver uma oportunidade na sua vida, não deixe passar. Agarre e se dedique muito, porque você pode sim, principalmente as mulheres. Foco no seu objetivo, como a gente sempre diz”, aconselha Tami.

“Se você tem um sonho, não importa o que as pessoas dizem, se vão duvidar de você… você tem que focar em você. Foco é o principal: com foco e treino, você pode chegar aonde você quiser. Você só vai sair perdendo se você desistir”, finaliza Laura.

Você pode conferir a entrevista completa com as jogadoras da FF no Chat Aberto do podcast Central Esports #160. O papo com Tami e Laura acontece a partir dos 66 minutos.